2.12.04

ESPANHA: AZNAR, BUSH, AL-QUAEDA, ETA, ZAPATERO E IRAQUE

Nota Prévia: Este texto foi escrito pelo kamba Manuel Batalha (Manolo) que é um velho amigo e colega dos tempos do São José e do PUNIV (Luanda - Angola) e que, há cerca de quinze anos, vive em Espanha.
Segundo o Manolo, a escrita do texto foi-lhe suscitada pela leitura das declarações feitas por um dirigente português no sentido do apoio a Bush.

Manolo: Tentei ser o mais fiel possível na tentativa de traduzir o teu texto.


Sobre as declarações de um dirigente português apoiando a Bush e falando da necesidade de combater o terrorismo, em Espanha não há dúvidas sobre este tema faz tempo.
Vou contar um pouco o que passou em España desde as manifestações passando pelas eleições e finalizando pelos actos do novo governo.
Antes de começar a guerra contra o Iraque, houve manifestações iguais as que tiveram lugar em muitos outros países do mundo. Na primeira delas, em Madrid, numa população de aproximadamente 5 milhões, estiveram aproximadamente 1,5 milhões de pessoas.
Era evidente que o povo não queria esta guerra.
Depois desta manifestação, houve outras manifestações em que estiveram também muitas pessoas. Nestas, grupos anarquistas e de esquerda aproveitaram para tentar obter algum proveito eleitoral enquanto as eleições se aproximavam. Culpavam o ex-primeiro ministro Aznar da guerra, escreviam e diziam "Aznar assassino" mas nunca mencionavam o nome de Bush.
Antes das eleições "provinciais", no verão de 2003, as chamadas "comunidades autónomas" e, sobretudo antes das eleições legislativas, em Março de 2004, grupos possivelmente bascos pintavam os painéis publicitários do metro com frases como "Aznar assassino", "Rajoy sujo" (Rajoy seria o sucessor de Aznar). Nas estações de comboio via-se pinturas a vermelho junto da frase "sangue iraquiano", etc.
Era uma coisa forte: mais do 60% das estações de metro tinham os painéis publicitários pintados.
O objectivo era que as pessoas que quisessem votar no PP (partido popular, liderado por Aznar) se sentissem culpadas ou se sentissem assassinas por votar no PP.
A 3 dias antes das eleições, tiveram lugar os famosos atentados de Madrid que, ao princípio (e ainda hoje) não se sabia se eram da autoria da ETA ou dos terroristas de origem árabe.
Percebia-se que o PP não iria ganhar as eleições.
Uma vez que ganhou o PSOE (partido socialista operário espanhol), liderado por Jose Luis Rodriguez Zapatero, muitos não acreditavam que ia retirar as tropas do Iraque. A maior parte de nós pensava que teria medo e faria marcha-atrás na promessa eleitoral de retirar as tropas do Iraque.

Mas o governo não teve medo e retirar as tropas foi o primeiro que fez, de um modo rápido, , decidido e sem duvidar ou debater nada. Menos de quinze dias depois de chegar ao poder o Zapatero anunciou a retirada das tropas do Iraque.
Agora conta-se em tom de anedota que nos atentados de Madrid houve, possivelmente, implicação de ETA porque os implicados na venda das bombas são espanhóis.
As declarações do dirigente Português são entendidas como absurdas aqui em Espanha porque Espanha retirou as suas tropas do Iraque, isto é, a repulsa à guerra “foi feita com actos” e não apenas por palavras. Outros países como as Filipinas também retiraram as tropas do Iraque.
Parte da população compreende Aznar, uma vez que se pode argumentar que se deve temer Bush, pois os EUA poderiam encetar represálias contra a Espanha. Apesar disso, muita gente não entende deste modo e prefere antes as represálias que apoiar o PP. Também se argumenta que algumas pessoas querem haja uma “guerra” entre os EUA e a Espanha. Não acredito nem desejo que isto possa acontecer. O tempo dirá o que se vai passar.
Para finalizar, diria que oxalá chegue o dia em que não haja guerras nem sofrimento no mundo.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home