28.5.05

"Underground" Revisitado

Foram encontrados dois antigos soldados japoneses nas Filipinas, com 85 e 87 anos, na ilha de Mindanao. "Perderam-se" há 60 anos e viveram nas montanhas desde sempre. Querem agora regressar. Para quê? Talvez para morrer no solo que os viu nascer, talvez para revisitarem o passado no tempo que lhes resta. Esperemos que alguém grave a sua história...
Em 1974, Hiroo Onoda foi também encontrado a viver na ilha de Lubang, Filipinas, e não sabia da derrota do Japão na WWII... Depois de repatriado, emigrou para o Brasil.
Quantos desaparecidos não viverão ainda em lugares remotos, misturados desde há muito nas populações locais? A nova vida terá sido refúgio, prisão ou liberdade?

3 Comments:

At 11:59 PM, Blogger Sacha said...

Não sei se "perderam-se" é a expressão . Estas pessoas guardaram-se, ou foram guardadas do tempo, da notícia, do acontecimento. Estas pessoas se calhar até sabiam onde estavam, não sabiam é o que se passava no resto do mundo. E o resto do mundo esqueceu-as.

Talvez não todo o mundo. Um filho, um pai, uma mulher amada insistiu em não esquecer, em ter esperança. Mas não há esperança que resista à 60 anos.

 
At 12:17 AM, Blogger Sacha said...

Nas eleições de 92 em Angola, os jornalistas ao visitarem algumas localidades recônditas perceberam que as pessoas não sabiam que Agostinho Neto, o primeiro presidente do país, tinha morrido em 1978. Diziam que iam votar nele. Talve por isso e porque mais de 80% das pessoas não sabem ler, o terceiro candidato mais votado foi alguém cujo rosto lembrava o de Neto.

Não é de espantar. Em Angola existem populações que não sabem que já vivem num país independente. Outras desconhecem que esse país se chama Angola. Outras finalmente nunca viram um homem branco e não fazem a minima que eram colonizadas (Será que eram?).

É que o seu país termina onde termina a sua aldeia.

 
At 11:43 PM, Blogger E-clair said...

O mundo cresce cada vez que alguém se "perde" ou perde o pulso do mundo. Cresce porque de repente percebemos que há mesmo lugares-ilha mas cresce de tal forma que se torna muito difícil lá chegar, quando alguém não sabe que "aquela" guerra acabou e que agora há outras...

 

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