10.8.06

Sines

A edição que terminou do Festival de Músicas do Mundo em Sines foi provavelmente a maior na história do festival; mais de 24 concertos divididos pelos três palcos do festival, com uma cifra de espectadores a rondar os 50.000, entre 21 a 29 de Julho.
Este ano o festival começou gratuito nos primeiros quatro dias, no palco adicional em Porto Covo, por onde passaram músicos consagrados como o brasileiro Francis Hime (com uma biografia repleta de êxitos a solo e em parceria com outros nomes importantes da MPB) ou a jovem intérprete cabo-verdiana Mayra Andrade, de apenas 20 anos e com apenas um disco no mercado. No dia 26, o festival passou para a cidade de Sines, na Avenida da Praia, onde se destaca a actuação do rapper somali K’Naan, pela primeira vez no festival, que conseguiu cativar a atenção da audiência com a sua música e versos sobre paz e amor, a situação na Somália em particular, a situação em África e no resto do mundo.
Nos dias 27, 28 e 29 o festival ganhou uma dinâmica diferente, com o concerto a solo do sul-africano Vusi Mahlasela
(dia 27) no palco na Av. da Praia e com os primeiros concertos no Castelo. Os portugueses Gaiteiros de Lisboa inauguraram o palco principal, onde apresentaram o último álbum, Sátiro, num espectáculo medíocre. Seguiram-se o trio Rabih Abou-Khalil & Joachim Kühn, liderado pelo libanês Rabih Abou-Khalil e o som único do seu alaúde, acompanhado pelo piano do alemão Joachim Kühn e pelo percussionista americano Jarrod Cagwin, ovacionados pelo público; o maliano Toumani Diabaté com a sua harpa de 21 cordas (kora) e a Symmetric Orchestra (constituída por músicos do antigo império Mandinga: Mali, Burkina-Faso, Guiné Equatorial e Senegal) e a fechar a noite, na Av. da Praia, a banda finlandesa de rock sinfónico Alamaailman Vasarat e os seus violinos distorcidos a substituírem as tradicionais guitarras eléctricas; ambas apresentações muito a quem do esperado.
O dia 28 começou à tarde, na Av. da Praia, com uma apresentação de excelência por parte do músico senegalês Nuru Kane, acompanhado pelos marroquinos Bayefall Gnawa, num ritmo transe, proveniente de irmandades muçulmanas descendentes de escravos negros trazidos da África Ocidental para Marrocos. A abrir a noite no castelo esteve a iraquiana Farida e a Iraqui Maqam Ensemble, seguidos pelo trio jazz americano The Bad Plus, com composições originais e covers de bandas variadas que vão desde o jazz ao pop, do hip-hop ao rock, num acto bem conseguido apesar da inquietude na plateia. O percussionista indiano Trilok Gurtu fechou a noite no castelo, numa apresentação que marcou um regresso às origens, acompanhado pelos The Misra Brothers, mestres do khylal, uma forma de canto improvisado mediado por múltiplas vozes e acompanhado por instrumentos tradicionais indianos. A noite foi dada por terminada somente após, talvez, a actuação mais esperada do dia, um dos nomes de cartaz e o primeiro acto afro-beat na agenda do festival; Tony Allen, grátis, na Av. da Praia. Apesar da sua carreira multifacetada em termos rítmicos (após a participação na criação do ritmo afro-beat no final dos anos 60, junto a Fela Kuti e a prossecução de carreira a solo desde 1979), assistiu-se a um Tony Allen meio conservador, com números conhecidos, mas essencialmente afro-beat, o homem na base do tempo na afro-beat, um concerto ainda assim a não esquecer.
O último dia do festival teve uma surpresa agradável, proveniente do Sahara Ocidental Mariam Hassan, no palco na praia, a começar o dia. Encantou o público com a sua voz cativante e pela companhia de excelentes músicos. A noite começou no castelo com mais uma banda finlandesa, liderada por um trio feminino, Värttinä. Cantaram contos de fadas, bruxas e elfos, numa apresentação acentuada pela disposição e atitude da banda em palco, o espectáculo, do que a música em si. Os brasileiros Cordel do Fogo Encantado, mostraram menos influência sertaneja do que era de esperar, essa influência foi quase nula tanto na música como no contexto das letras. O festival foi encerrado no castelo entre a introdução/apresentação do ritmo afro-beat pelos Egypt 80 (ex-Africa 70, banda fundada e liderada até a morte por Fela Kuti) e fogo de artifício sincronizado a anunciar o fim de mais um FMM de Sines, antes que se apresenta-se Seun Kuti, actual vocalista, saxofonista, da banda e intérprete das composições do pai. Com 23 anos apenas, tem vindo nos últimos tempos a apresentar ao mundo, acompanhado pelos Egypt 80, o legado do pai. Um concerto único, com uma agradável surpresa, a subida ao palco de Tony Allen, para dois números junto aos seus ex-colegas e da banda que ajudou a criar, em conjunto com Fela.
O Festival terminou na Av. da Praia com o búlgaro Ivo Papasov & His Wedding Band e a sua música para casamentos.

4 Comments:

At 12:36 PM, Blogger abre-surdo said...

Oh Willie, ca´pra mim, ainda que maior, este ano o festival foi o que menos me vai deixar grandes memórias musicais. Vale a convivência entre amigos e amigas.(antigos e novos)

Dos concertos destaco o dos grandes metres Rabi A, Khalil & Joachim Khun, que pese ambora as dificuldades de fazer uma música tão intimista e desconcertante naquele ambiente mais propricio a pular e dançar, conseguiram sair claramente vencedores na arena da criatividade pura.

O Mestre trilok, abandonou por momentos as suas (con)"fusões" e veio presentear-nos com musica tradicional indiana trazendo músicos que, disse ele, nos deviamos sentir muito honrados de poder ouvir. Só que pelo meio, o próprio Trilok, ao perceber que o publico não conseguia dançar entre as poliritmias que emanavam das tablas, resolveu aqui e ali, recorrer ao Bass Drum forte "1234" ao puro estiko tecno -House. Os outros musicos pareciam, por mommentos, incrédulos.

Finalmente os Bad-Plus deram um concertão, pena os reccorrentes problemas de som, nomeadamente com o Baixo que praticamente não se ouvia, a não ser quem estivesse mesmo lá a frente a ouvir o som dos monitores de palco.

Aliás o Som foi um problema recorrente: Tony Allen tb saiu a perder e o seu sax baritono parecia desesperado. o próprio Seun Kuti, sentiu-se na obrigação de pedir desculpa ao público pela "technical shit". Admitia-se no entanto, que eng. de som, também pudesse vir desculpar-se com adjectivações semelhantes sobre as capacidades técnicas do jovem kuti, no domínio do saxofone

Um abraço, Sacha.


Já agora, e não sai um comentário ao concerto do Caetano Veloso?

 
At 7:49 PM, Anonymous Anonymous said...

MEC is back.

http://miguelestevescardoso-mec....c.blogspot.com/

 
At 7:49 PM, Blogger ex-MEC said...

This comment has been removed by a blog administrator.

 
At 7:50 PM, Anonymous Anonymous said...

http://miguelestevescardoso-mec.blogspot.com/

 

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