16.4.05

Jorge Vercilo- Tentando fugir ao epíteto de sub-Djavan

Como costuma ser nesse tipo de material, o texto de divulgação distribuído para a imprensa junto com o novo CD de Jorge Vercilo, "Signo de ar" (EMI), é recheado de elogios (...)

Tudo corre dentro do esperado até o pé do texto, onde se encontra a assinatura: Aldir Blanc, um dos nomes mais respeitados da MPB. O estranhamento é inevitável, afinal o público que incensa Blanc é o mesmo que costuma criticar Vercilo como um compositor menor, pasteurizador de estilos, clone de artistas consagrados e por aí vai. Mas Blanc é apenas o mais recente fã nobre da MPB-pop de Vercilo - uma lista que conta com nomes insuspeitos como Ed Motta, Leila Pinheiro, Fernando Brant, Fátima Guedes, Marcos Valle, Celso Fonseca e Ivan Lins.(...)

Depois da consagração popular, Vercilo agora vem conquistando respeito da "inteligência" - como ele gosta de chamar o grupo (imprensa e formadores de opinião) que o critica. Um movimento parecido com o vivido por Paulo Coelho, que nos últimos anos conseguiu uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (sonho impossível anos antes) e tem tido um tratamento melhor por parte de jornalistas que costumavam saúda-lo com ironias e gracinhas.(...)

As alfinetadas nos críticos encontram eco em Aldir Blanc ("... alguns estruturalóides uspianos...") e Ed Motta ("... 'desinformadores de opinião' insistem numa visão estreita e implicante no paralelo Vercilo/Djavan."), autores respectivamente dos textos de divulgação dos CDs "Signo de ar" e "Livre"e Leila Pinheiro, que grava em seu novo CD a canção "Pela ciclovia", a primeira parceria do compositor com Marcos Valle.

(...)
- Admiro Vercilo sobretudo como grande autor de canções lindas, um melodista e harmonizador sensacional. As pessoas têm um preconceito injusto, com essas coisas de sub-Djavan, o que é uma besteira. Talvez fazer sucesso incomode, não sei. Não vejo motivos para ele estar fora da roda mais respeitada da MPB. - diz a cantora.

Além de Valle, Vercilo ganhou nos últimos tempos outros parceiros "inusitados". Um deles é Fátima Guedes, compositora densa gravada por Elis Regina e Nana Caymmi, entre outros. Outro é Fernando Brant, parceiro de Milton Nascimento na clássica "Travessia".


Na realidade acho o som do Vercilo um pouco meloso demais e é talvez por isso que ele tem sido olhado como uma versão adocicada e light do Djavan mais adocicado e light. Mas penso que o problema não é propriamete a musicalidade de Vercilo. Vercilo até é um bom cantor e um bom músico (embora, entre a "nova geração", esteja ainda à alguns quilómetros de um Sérgio Santos ou de um Márcio Faraco). Mas é na escolhida das parcerias (letristas) e no estilo de produção, que a sua música não tem sido potencializada (apesar do enorme sucesso comercial). As letras têm sido maioritariamente variantes da mesma lenga-lenga: "coração", "amor", "sofri" e, etc e tal. Com Fátima Guedes e Fernando Brant só pode melhorar. A sua música ganharia também outra dimensão com um outro nível de produção. Um Rodolfo Stroeter talvez fosse pedir muito, mas ao menos um Ronnie Foster, por exemplo.

2 Comments:

At 6:43 PM, Blogger Christiane de Assis Pacheco said...

O Jorge Vercílio é muito chato. Melodias melosas com rimas pobres. Ele começou fazendo sucesso comprando espaço em rádio. E como qualquer porcaria que toca em rádio faz sucesso, ele também conseguiu. Mas não tem como competir com os grandes músicos brasileiros em termos de qualidade. Por aqui, recebeu o apelido de "Dja-kombi". Não sei se a piada faz sentido em Portugal, mas Kombi é um carro utilitário da Volks-Wagen usado, assim como as Vans, outro tipo de utilitário, no transporte público clandestino. Só que as Vans são mais modernas e confortáveis:-)

 
At 6:48 PM, Blogger Christiane de Assis Pacheco said...

Ah, e quanto ao Paulo Coelho ser da Academia Brasileira de Letras, isso não quer dizer nada. Qualquer bossal com dinheiro e influência que tenha escrito uma linha pode se tornal "imortal". O ex-presidente Sarney é um, o Roberto Marinho, dono das Organizações Globo (nem sei se ele escreveu uma linha sequer) também era. Desse modo, ser da ABL não representou prestígio para o Paulo Coelho. Muitos ainda torcem o nariz para seus best-sellers. Mas a comparação com o Dja-kombi é válida.

 

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