12.6.05

(....)E continuando a chamar os bois pelos nomes, importa que não insinuemos que foram jovens negros, de origem africana que fizeram o arrastão de Carcavelos, porque quem defendeu os incautos banhistas também foram polícias maduros e negros, de origem africana. A questão não está no subentendido racista, porque os putos da Damaia não são de Bissau, de Luanda ou do Maputo, são portugueses bem portugueses deste Portugal, educados pela televisão portuguesa, pela escola portuguesa, pelos jornais portugueses, pelos políticos portugueses e que constituem uma excelente demonstração como estamos a falhar como povo, incapaz de gerar uma comunidade de coisas que se amam, uma comunidade de significações partilhadas.

(....)que os polícias estabeleçam a ordem, que os tribunais cumpram a sua missão e que as televisões mostrem que os criminosos que por aí andam são de todas as cores, de todas as classes sociais, de todos os bairros.


in Sobre o Tempo que Passa

1 Comments:

At 9:40 PM, Blogger E-clair said...

Ninguém culpa ou desconfia dos "irmãos-epidérmicos" do Manuel-criminoso se o Manuel for "branco"...Tem direito a nome e existência demarcada. É "mesmo" português!
Muita gente acha que em bairros problemáticos só vive quem merece e quem quer-- há "covas da moura" porque "quem se assemelha, junta-se"... Temo que o "arrastão" mais não venha do que confirmar o enredo do "arrastão racial" que vemos acontecer todos os dias.
Quanto aos criminosos de boas falas, pele branca e alto estatuto social... esses são até respeitados e "safam-se sempre"...
Vem-me à cabeça um verso de Ruben Blades "si tú no usas la cabeza, otro por tí la va usar".

 

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