31.10.05

"milk & honey"

Gold and silver is the autumn
Soft and gentle are her skies
Yes! and No! are the answers
Written in my true love's eyes

Autumn's leaving and winter's coming
I think that I'll be moving on
I've got to leave her and find another
I've got to sing my heart to someone
'Round and 'round the burning circle

All the seasons, one, two and three

Autumn leaves and then the winter
Spring is born and wanders free
Gold and silver burned my autumns

All too soon they'd fade and die
And then there were no others
Milk and honey were their lies




Jackson C. Frank
soundtrack from Vincent Gallo's Brown Bunny motion picture

30.10.05

Alice e os outros

Alice é um nome ficcional para as crianças que um dia desapareceram sem deixar rasto. Mas não é só a dor da ausência dos pais de Alice que impressiona -- em todos os rostos cinzentos e anónimos se lê a perda e o vazio. Quem passa ignora o "Alice: Desapareceu" que Mário estende em vários pontos de uma Lisboa fria e chuvosa. Todos estão encerrados nas suas "Alices". Quem pode (muito poucos), ajuda sendo cúmplice da busca impossível de Mário.
Os predadores e as crianças desaparecidas estão também presentes no filme e da forma mais terrível: na possibilidade de qualquer um dos rostos que as câmaras vão captando ser um deles.

29.10.05

B'LEZA

O B'leza pode fechar dentro em breve! Registo o meu desconsolo enquanto registo o meu protesto na petição. Façam-no também e passem a palavra!


Assinem a petição em:
www.marvirtual.com/bleza

28.10.05

Listen

They come from Mobile. Aiken. From Newport News. From Marietta. From Meridian. And the sound of these places in their mouths make you think of love. When you ask them where they are from, they tilt their heads and say "Mobile" and you think you've been kissed. They say "Aiken" and you see a white butterfly glance off a fence with a torn wing. They say "Nagadoches" and you want to say "Yes, I will". You don't know what these towns are like, but you love what happens to the air when they open their lips and let the names ease out.
Toni Morrison, The Bluest Eye
.Toni Morrison nasceu em Lorain, Ohio. Lorain. Can you say it?

25.10.05

To Rosa

Remain in your seats
Rosa is on her last ride
and freedom's on her mind
Remain seated
Rosa took it to heart
that she had a right:
to be tired
to be a tired woman
to be a tired black woman
to be a tired black american woman
and whoever heard of a spirit being broken?
You may now leave your seats:
if you are sitting on dreams
it is now time to stand up
and be as tall as you can
now is the time to find
the fire within.

Bus to Freedom



Morreu ontem Rosa Parks, aos 92 anos.


23.10.05

Manual de Instruções

"Este lado virado para o inimigo", dizem algumas minas. Mas, não trazem nenhum espelho e a terra tudo aceita.

20.10.05

Quanto é mil anos de amor?

Na sempre difícil distinção entre realidade e ficção, pergunto-me como seríamos se vivêssemos voluntariamente mais perto das narrativas intensas que tantas vezes se desprendem dos nossos dedos...

19.10.05

Lisboa

Hoje, o guineense Kimi Djabaté no B'Leza; dias 21 e 22 o quinteto argentino de Juan Esteban Cuacci com os fabulosos Nélida Miglione e Jorge Ramirez a dançar alguns dos tangos no Teatro Camões; a World Press Photo (ainda) no CCB, o DOCLisboa cheio de bons documentários a 1,5 euros... e eu a viver na província! :(

Aproveitem, seus lisboetas sortudos!

18.10.05

Filmes

Não me consigo esquecer dos dedos de Romain Duris em De Tanto Bater, o Meu Coração Parou: o filme está todo neles: fortes, arrebatados, febris, doridos, cheios de música e de sonhos não cumpridos.

16.10.05

Aviário Global

O que se celebra no Dia Mundial da Alimentação?
-O pão "para as crianças": sem côdea, molinho, quadradinho, refinado e branquinho. Viva o consumidor infantil!
-A Monsanto. Viva o sucesso empresarial!
-As pujantes e variadíssimas indústrias ligadas aos excessos alimentares. Viva o espírito de ajuda!
-As 348.000 variedades de bolachas que nos dão possibilidade de escolha. Viva a liberdade!
-A Engorda que contenta, acalma, adormece, distrai...
Não é lindo o nosso Aviário?

14.10.05

Off

É pena que não possamos ser um pouco mais como o aço, o titânio ou o diamante. Mas, não é mau de todo sermos ossos, sangue e pele. Basta não olharmos para a vida como para um interruptor.

12.10.05

Hermeto na Culturgest

Suou, gritou e, provavelmente, fedeu. Sentiu sede, bebeu vinho e então, tocando, (en)cantou(-nos) mais um pouco.

….

Impossível perceber a criação misteriosa que é a sua alma. Mas a sua música é tão densamente pura como qualquer coisa que nasça da terra ou que batendo asas, paire no céu. Ou então, como uma rede onde se pode dormir, amar e sonhar e acordar bem tonificado para a jornada quotidiana.

Universal. Para ele, como dizia Guinga, tudo é coisa musical: trompete, panela, sintetizador ou o guincho da boneca de borracha. Música que é transparente como a água, fascinante como a lua e emergente como a vida.

Ninguém conseguiu resistir. Ali, na Cultugest, o que se passou foi muito mais que um concerto. Foi um convite irrecusável a viajar pelas origens do nosso fascínio pelo som. E não será esse fascínio muito mais ancestral, primitivo e essencial que o do fogo?

Em duas horas atravessamos várias épocas históricas, várias culturas, várias paisagens. Tudo misturado em doses indecifráveis que por alguma razão parecem tão lógicas, como se nunca tivesse havido separação, como se tudo fosse uma contínua espiral, como se fosse a coisa mais óbvia, mais natural.

A sua música, muitas vezes, sem uma absoluta separação entre composição e improvisação, contém sofisticadas harmonias, mas estas apenas são dissonantes pela mesma razão que os rios têm afluentes, cascatas e trajectos sinuosos mas nunca deixam de chegar ao mar. Será possível tanta sabedoria ser endossada com tamanha simplicidade? Existe coisa mais poderosa que isto?

Simplicidade, sim. Sem pretensiosas teorizações, sem pseudo vanguardismos. Mas também sem falsas modéstias. Esse homem, poderíamos dizer, é a música transformada em carne. O som tranformado em osso. Hermeto paira numa outra dimensão e é ele que de alguma forma faz o "link" entre Bach e Luís Gonzaga, entre Miles Davis e Jackson do Pandeiro, entre Jobim e Kituxi. Este homem, dizem, só podia ser brasileiro.

E Eu, desculpem lá, mas não pude deixar de sair de lá sentindo-me feliz e mesmo abençoado. Perdoem-me se é heresia, mas desconfio que mais intenso que isto só mesmo se Miles ressuscitasse para um derradeiro improviso.

"tips for performers"

Tips for performers: Playing cards have the top half upside-down to help cheaters. There are a finite number of jokes in the universe. Singing is a trick to get people to listen to music for longer than they'd do ordinarily. There's no music in space. People will pay to watch people make sounds. Everything on stage should be larger than in the real life.

Life on Earth: Scientists have invented a love drug, but it only works on bugs. Animals like earthquaques, tornadoes and volcanic activity.
Nuclear weapons can wipe out life on Earth, if used properly. Cats like houses better than people. Dolphins find people amusing, but they don't want to talk to them.
People look ridiculous when they're on ecstasy. Schools are for training people how to listen to other people. Body odor is the window to the soul. Sound's worth money.

Living with other people:
Violence on Tv only affects children whose parents act like Tv personalities. Table manners are for people who have nothing better to do.
Civilization is a religion. Civilized people walk funny. There's always a party going on somewhere. People will remember you better if you always wear the same outfit.

The Space people: Space people read our mail. The Space people think that Tv news programs are comedies, and that soap operas are news. The Space people will contact us when they can make money buy doing so. The Space people think factories are musical instruments. They sing along with them. Each song lasts from 8 a.m. to 5 p.m. No music on weekends.

Money: People will do odd things if you give them money. When everything's worth money, then money's worth nothing. If you keep money on your shoe, then people will know which bills are yours. If you crumple your money into little balls, it will never stick together. The best way to touch money is by the edges. U.S. money is the worst looking money in the world.

World travel:
Passport pictures are what people really look like. Rich people will travel great distances to look at poor people. Toast is the national dish of Australia.
People never travel to look at landscapes. People'd rather watch things than eat. Looking at postcards is better than looking at the real thing. Looking up's as scary as looking down.

In the future: In the future, women will have breats all over. In the future, it will be a relief to find a place without culture. In the future, plates of food will have names and titles. In the future, we will all driving standing up. In the future love will be taught on Tv and by listening to pop songs.

Work:
Crime is a job. Sex is a job. Growing up is a job. School is a job. Going to parties is a job. Religion is a job. Being creative is a job.

Growing up:
Drugs affect only children the opposite way they affect adults. Adults think with their mouths open.


from the 1984 Talking Heads live album "Stop Making Sense"
David Byrne - 1984

7.10.05

Desculpem, mas

ter como grande desejo "ser feliz" é o pior refrão-pimba do mundo. Era preciso saber desejar, ou sair do mundo enlouquecendo agradavelmente. Ou então (lembrou-me hoje um post no arukutipa) deixar-se ir na epifania do rosto, de todos os rostos, de que falava Emmanuel Levinas. Mas, Levinas desdenhava a dança, como poderia então falar do rosto?
É melhor voltar aos insectos imortalizados no âmbar, aos acordes de "Sutukun" da Orchestra Baobab, ao sol que chama a visitar a manhã, aos rostos pequenos e grandes que ouvem o ritmo e não têm medo de errar o passo.

5.10.05

Especialistas

Estes senhores são "Specialist in All Styles" mas há um que eles dominam mesmo bem: le Bonheur...
A Orchestra Baobab (com Ibrahim Ferrer e Youssou N'Dour em "Specialist in All Styles")

3.10.05

41-5

Hoje tolda-se a luz e não é pelo eclipse que passa indiferente, mas sim por um tempo que parou: já não se cumpre nem se festeja a entrada dele no mundo. Era hoje, 3 de Outubro.

2.10.05

A cor do tempo

O âmbar é a resina secular que percorre troncos e terra, encerrando num mel permanente tudo o que toca.

1.10.05

10 am

O sol da manhã já queima e não deixa outra hipótese: vou ver o azul e enganar os olhos na calma imensa...