30.11.04

Sampaio cometeu um erro crasso ao não ter feito cinco meses atrás o que anunciou hoje.

Por isso devia ele próprio antecipar a sua saída e d epois das eleições legislativas, convocar eleições presidênciais antecipadas.

É que de tanto hesitar, Sampaio é hoje , ao invês do presidente de todos os portugueses que tanto queria ser, o presidente de nenhum português. Nem da esquerda, nem da direita, nem do centro, que se calhar neste momento não existe.

Ferro deve sentir-se vingado.
Mas nada dirá. Porque é digno.

A gota de água

O que terá feito Sampaio decidir-se assim subitamente de ontem para hoje?
É que estava previsto um novo encontro só na quarta-feira.

Penso que a gota de água terá sido o autismo de Santana Lopes ao não perceber completamente a gravidade da situação e ter feito questão de confirmar que depois da futura reunião com Sampaio viajaria para a Turquia.

Tarde, mas ainda em boas horas. Será? ( dando uma de analista político)

Sampaio toma a decisão que devia ter tomado 4 meses atrás.

Desde o nosso primeiro post que dissemos:

"Com Santana o chão será o limite."
"Sampaio está a deixar-se ficar refém da chantagem de Durão e Santana"

Agora mais á sério, temo duas situações:

1º: A vitimização que Santana vai fazer.

Agora que está finalmente livre da falsa pose de estado, pode patinar nos terrenos onde é mestre: os do populismo.

Os críticas vindas do próprio PSD, vão baixar, porque agora é altura de se" contarem as armas" e poucos quererão ser apelidados de "traidor". E podem crer que Santana vai jogar duro.

Santana vai interpretar magistralmente o papel do cavaleiro solitário e romântico, traido pelas suas mais fieis tropas e pelo seu "rei" (cavaco). Vai insinuar-se a sensibilidade feminina. Com sorte poderá dar um tiro no pé se insistir no discurso do Bébe prematuro maltratado. É que a metáfora é de nítido mal gosto, pior que música pimba (eh pá, mas os portugueses gostam de música pimba!)

2º: Que José Sócrates ainda não esteja preparado.

Que não esteja preparado par governar. Mas se calhar nem sequer está preparado para disputar estas eleições, neste clima.

Se insistir em ser um sofista irónicamente chamado Sócrates, uma espécie de Yang do Yin( Santana) pode ficar em maus lençóis.

Terá de encontrar um discurso que vá para além do PS. Terá de decidir, agora sim, se sensibiliza a esquerda ou sensibiliza o "centrão".

Por enquanto a sua escolha e clara: É um revivalista do Guterrismo.

E estará preparado para governar? Terá equipa? Terá um programa sólido?. Ou será apanhado de surpresa como foi Durão? E se não tiver maioria? Com quem se alia?

Em suma, sobre Sócrates so sei que nada sei.

E o que mais poderá acontecer? Ainda é muito cedo mas...

O PCP vai a eleições em muito má altura. Corre o risco de sofrer não uma erosão mas um
autêntico terramoto.

O BE poderá estar tranquilo. Fui durante os últimos tempos o principal rosto da oposição a Durão e a Santana. Irá capitalizar isto. Mas, espero, que que não aceite fazer parte de qualquer governo com o PS. Assim prometeu Louçã

O PP, ao contrário de que alguns pensam, vai-se aguentar-se, acho eu .É que, ainda que teatral mente, conseguiu cumprir o papel que queria: De elemento de estabilidade na coligação. Os seus ministros são os que saem menos "chamuscados" de toda esta barafunda.

E Manuel Monteiro? Estará preparado enfrentar Portas ou querará, também ele, apenas ser o Yang do Yin (Portas)?


Confissão Gostosa: Não. Não é Morais Sarmento. O ministro que mais fico feliz de vêr pelas costas é Luis Filipe Pereira, Ministro da Doença,.. quer dizer da Saúde e também conhecido como senhor Pereira. [ Uma abraço ao pessoal que sabe do que estou a falar :-)]

29.11.04

Mas "fazer andar para a frente" em que sentido? porquê? "Avançar" rumo ao quê? "Fazer avançar" com rumo a quê? Perguntas sem resposta. Ou antes recomeça-se: "reformar", "modernizar", etc. Ou então " recuperar o atraso" e, se possível "adiantar-se" (...) Alguns arriscam-se até a ser mais precisos: " mais flexibilidade", " mais rentabilidade" (...) É assim que se fala na novilíngua específica da ideologia globalista, esse "sociolecto" transnacional que propus que se baptiza-se movilíngua. No mundo das elites globalistas, ás fórmuilas ocas enchem cabeças mais ou menos vazias. É banhar-se sempre no mesmo rio semântico.

Pierre-André Taguieff
in Resistir ao Para-a-frentismo


"Tudo deve ser tratado com a relativa importância que tem, com a normalidade que exige, com a tranquilidade que importa transmitir aos portugueses", insistiu o ministro de Estado e da Presidência, desvalorizando a saída de Henrique Chaves do Governo e sublinhando que "o país está a andar" e que é necessário "trabalhar".

"Estamos com um Orçamento em discussão na especialidade. Temos um referendo [sobre a Constituição europeia] para analisar. O Parlamento não pára. O país não pára"

Morais Sarmento

Eis pois um exemplo ao microscópico do para-a-frentismo (bougisme) de que fala Pierre-André Taguieff

Ainda Não

O Presidente da República, Jorge Sampaio, chamou o primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, a Belém para avaliar a natureza e a extensão da crise desencadeada pela demissão de um dos homens de confiança do primeiro-ministro, Henrique Chaves

Neste momento, nenhum cenário para o desfecho da crise é excluído, incluindo o da dissolução parlamentar. A demissão de Henrique Chaves - e o teor violento do seu comunicado - vem colocar de novo em cima da mesa presidencial a avaliação das condições de governabilidade e da confiança e autoridade do primeiro-ministro


Humor Abre-Surdo:
-Ó Zezinha não achas que já esta na hora de acabar com isto?
- Ainda não, Jorge. Deixa lá o Pedro brincar mais um bocadinho. ´Tadinho . Sabes bem que ele nasceu prematuro e queixa-se que não tem sido acarinhado.

Amável Cavaqueira

O ex-primeiro-ministro Cavaco Silva advertiu que a situação económica em Portugal "é complicada" e que o país "vai continuar a empobrecer até 2006", afastando-se "cada vez mais" da média da União Europeia.

"Eu não invento números. A Comissão das Comunidades Europeias publicou previsões até 2006 e está lá escrito que Portugal vai continuar a empobrecer até esse ano. Já foi ultrapassado pela Grécia e pela Eslovénia e vai ser ultrapassado pela República Checa"

“já não há tempo para ilusões, passes de mágica e palavreado inconsequente, porque, de outra forma, Portugal corre o risco de descer para a "segunda divisão dos país da Europa em termos de desenvolvimento".


Humor Abre-Surdo : Mas…mas será então que não basta ter Zandingalves como primeiro-ministro?


O pessoal do gabinete de Henrique Chaves foi notificado que teriam de retirar todos os seus pertences e sair até as 15 horas de hoje, para que o "staff" de Rui Gomes da Silva pudesse o ocupar os escritórios (sic notícias)

Humor Abre-Surdo: Papá, papá, agora que o mano Henrique se foi embora, posso ficar com o quarto dele?

28.11.04

Nem tudo Vale

No Bazonga da Kilumba, o Mussele, num post intitulado "camaradas antes, camaradas de sempre?" escreveu:

"O Partido Comunista Português resolveu convidar, entre tantos outros partidos, a FRELIMO e o MPLA. Não sei bem que relações podem ter agora o PCP e estes dois partidos africanos, a não ser a nostalgia e o que resta de negociatas de outros tempos.

Tanto a FRELIMO como o MPLA estão hoje mais próximos da social-democracia europeia e do republicanismo norte-americano do que aquilo que defende o PCP. Portanto, nem sequer percebo essa insistência do PCP em ter tão ilustres convidados.

No cinismo da política, talvez esteja a "pingar" alguma coisa para os comunistas portuguesas".


Apesar concordar em achar ridículo o convite do PCP à Frelimo e sobretudo ao MPLA, acho que este post contém duas ideias erradas e até perigosas:

1º Dizer que o MPLA e a Frelimo estão próximos da Social-Democracia Europeia.

Aonde é que o mussele vê essa proximidade? De qual social democracia? Da Social-Democracia Alemã? Da Social-Democracia dos países nórdicos? Quem dera.Eles (O MPLA) até a podem anunciar, só que das intenções à prática vai uma enorme distância.Nem o PSD português é hoje um partido verdadeiramente social democrata, quanto mais o MPLA. E, sejamos claros, O "PPD/PSD" de Santana ainda está muito longe de se assemelhar ao MPLA (embora aqui e ali....) .

Sobre a Frelimo, vou evitar falar, porque pouco sei. Agora, o MPLA é um partido sem nenhuma ideologia. Pelo menos uma que tenha paralelo na Europa democrática. Se tivessemos que analisar a sua "praxis" política, não seriam sequer neoliberais. Seriam e são Cleptocratas e Autocratas. Ponto final.

2ºPassemos então a segunda ideia com a qual não concordo: A de que motivo para o tal convite do PCP seja a nostalgia de "negociatas" passadas e a esperança que "pingue" alguma coisa para os comunistas.

O Mussele perdoará a minha ignorância, mas a que negociatas passadas se refere? Gostaria de ser elucidado. Até lá tenho difuldade em aceitar a ideia de que o PCP esteja a espera que "pingue" alguma coisa.

Sou muito crítico em relação ao PCP e ao rumo que está a seguir. Concordo com muita coisa tem sido dita sobre o PCP: Que insistem em ser uns "dinossauros" com ideologias e ortodoxias ultrapassadas; Que comportam-se como "avestruzes" enfiando cada vez mais a cabeça na areia; Que terão, interiormente, uma organização com processos que não são verdadeiramente democráticos; Que, de forma provavelmente suicida, recusam fazer uma análise do mundo actual, vivendo em nostalgia permanente.

O PCP convidou o MPLA e a Frelimo porque está tão desactualizado em relação a esses partidos, como está em relação ao mundo. Só isso.

Especular sobre a honestidade dos seus dirigentes e insinuar que andam de mão estendida a espera dos "petro-dolares" dos milionários do MPLA, acho que é ir longe demais.

Em portugal, do que eu me lembro, e ao contrário do PS, PSD e PP, o PCP tem sido o partido que tem escapado a qualquer suspeita de processos desonestos ou ilícitos por parte de qualquer seu dirigente destacado. A César o que é de César.

O Mussele se sabe alguma coisa que o diga claramente. Até lá o que fez neste post foi simplesmente atirar lama.

27.11.04

História Estranha, por Luis Fernando Veríssimo

Um homem vem caminhando por um parque quando de repente se vê com sete anos de idade. Está com quarenta, quarenta e poucos. De repente dá com ele mesmo chutando uma bola perto de um banco onde está a sua babá fazendo tricó. Não tem a menor dúvida que é ele mesmo. Reconhce a sua própria cara, reconhece o banco e a babá. Tem uma vaga lembrança daquela cena. Um dia ele estava jogando bola no parque quando de repente aproximou-se um homem e...
O homem aproxima-se dele mesmo. Ajoelha-se, põe as mãos nos seus ombros e olha nos seus olhos. Seus olhos se enchem de lágrimas. Sente uma coisa no peito. Que coisa é a vida. Que coisa pior ainda é o tempo. Como eu era inocente. Como os meus olhos eram limpos. O homem tenta dizer alguma coisa, mas não encontra o que dizer. Apenas abraça a si mesmo, longamente. Depois sai caminhando, chorando, sem olhar para trás.
O garoto fica olhando para a sua figura que se afasta. Também se reconheceu. E fica pensando, aborrecido: quando eu tiver quarenta, quarenta e poucos, como eu vou ser sentimental!

25.11.04

- Meu filho, chegou a hora de te contar. Você é adotado.
- Mas como? Eu sou a cara do papai!
- Seu pai também é adotado.

http://fdr.wunderblogs.com/

HOMENAGEM A TODOS OS BÊBADOS E EQUILIBRISTAS


João Bosco e Aldir Blanc recebem Prêmio Shell de Música em festa releta de convidados no palco

Leonardo Lichote - Globo Online: http://oglobo.globo.com/online/cultura/default.asp

RIO - Mantendo a coerência, Aldir Blanc foi genial com as palavras e profundamente sacana na cerimônia de entrega do Prêmio Shell de Música 2004 a ele e João Bosco, realizada nesta terça-feira no Teatro Carlos Gomes:

- Queria agradecer a Shell pelo prêmio. Mas temos interesses em barris diferentes - disse.

Aplausos e Blanc fez uma pausa antes de fechar a idéia:

- A globalização existe desde o coquetel molotov.

A parceria Bosco/Blanc estava resumida ali, naquela brincadeira: a malícia que aparece no violão de um e na poesia do outro, a imagem do coquetel molotov (uma metáfora para a obra nada conformista da dupla), a boemia e a nova ordem mundial abraçadas. A piada do poeta tornava mais claros os motivos pelos quais aqueles dois estavam sendo premiados naquela noite.

Não que precisasse. Depois do desfile das canções assinadas pela dupla ou por cada um com outros parceiros, os tais motivos já eram mais que óbvios. Interpretando as músicas, além de Bosco e Blanc, umas lista de convidados que, por amizade e afinidades musicais, estão intimamente ligados aos dois: Leila Pinheiro, Guinga, Fátima Guedes, Moacyr Luz, Simone e Rildo Hora.

No início da cerimônia, Elis Regina - grande incentivadora da dupla no começo da carreira - foi lembrada no telão, cantando trechos de músicas deles. Depois de receberem o prêmio das mãos de Aldo Castelli, presidente da Shell Brasil, Bosco e Blanc abriram o show, cantando juntos "Mestre sala dos mares". A partir dali, Bosco assumia o comando, com Blanc se instalando com seu tamborim numa mesa de botequim localizada no canto do palco - o que, no fim da noite, rendeu mais uma piada do letrista:

- Diante do que João trabalhou, eu merecer dividir o prêmio com ele...

Bosco realmente trabalhou. Seu violão e seu canto - ambos maravilhosos, essencialmente negros e mineiros - passearam pelo Brasil suburbano e sofisticado que a dupla identificou e, de certa forma, ajudou a construir em sua obra: a mulher que muda de estação no meio do jogo do Flamengo, para o desespero do marido ("Incompatibilidade de gênios"); a saga do menino que virou "imperador dos morros" em "Tiro de misericórdia"; a colagem de "jogo de búzios"/"giro da pomba"/"gol do seu time"/"roda de samba" de "Escadas da Penha"; e o poderoso e sintético manifesto sobre a fome (e a raiva que ela causa), "Ronco da cuíca".

A excelente banda dava à malícia das canções uma roupa de gala, adequada a ocasião. Se soava perfeita e à vontade em canções mais delicadas como "Malabaristas do sinal vermelho" (parceria de Bosco com seu filho, Francisco Bosco) e "Desenho de giz" (de Bosco e Abel Silva), ela assumia alma de samba nos momentos em que o couro comia. O piano de Itamar Assieri incorporava um cavaquinho; o baixo de Ney Conceição, um tantan; a guitarra de Nelson Faria, a cadência do violão; e a bateria de Kiko Freitas, todo um naipe de caixas e tamborins. Os caminhos surpreendentes das baquetas faziam Blanc entortar o pescoço freqüentemente para acompanhá-los, sempre com um sorriso de aprovação.

Leila Pinheiro foi a primeira convidada a entrar no palco. Deu interpretações classudas para "Amigos novos e antigos", especialmente significativa para celebrar aquele encontro no palco, "Desenho de giz" e "Catavento e girassol", com Guinga (música dele com Blanc). Falando com a platéia, a cantora resumiu o sentimento geral naquela noite que formalizava um reencontro - Bosco e Blanc ficaram anos afastados e só se reaproximaram recentemente.

- O melhor desta festa é ver esses dois juntos - disse a cantora.

Sozinho com seu violão, Guinga cantou "Chá de panela" (outra parceria com Blanc) e ressaltou a grandiosidade e a personalidade única de sua música - certamente, o músico merece lugar na fila dos próximos premiados do Shell ( veja a lista completa dos premiados dos anos anteriores ). Fátima Guedes cantou "Saída de emergência" (Bosco, Wally Salomão e Antonio Cícero) e "Resposta ao tempo" (Blanc e Cristóvão Bastos), sublinhando com gestos os versos das canções. Moacyr Luz mostrou o novo clássico "Pra que pedir perdão?", repleta das imagens primorosas de Blanc ("Eu sou rolimã numa ladeira/ Não tenho o vício da ilusão") e o consagrado "Saudades da Guanabara" (Luz, Blanc e Paulo César Pinheiro), que cruza os bairros do Rio em instantâneos que constroem uma espécie de mapa da arquitetura poética do letrista ("Subi São Conrado até o Redentor/ Lá no morro Encantado eu pedi Piedade/ Plantei/ Ramos de Laranjeiras foi meu Juramento").

Ao lado de Bosco, Simone - "morena que canta fazendo feitiço", na apresentação do cantor - cantou "Nação" (Bosco, Blanc e Paulo Emílio) e "Tá lá o corpo estendido no chão". Rildo Hora, produtor dos primeiros discos da dupla homenageada, tocou sua gaita em "Memória da pele" (Bosco e Wally Salomão) e "Corsário".

No fim, Blanc e Bosco fizeram juntos "Linha de passe" e "Kid cavaquinho" e, com todos, a emblemática "O bêbado e a equilibrista" - celebração à esperança perfeita para encerrar a noite.

24.11.04

He´s Santanuts!


-Senhor ministro quais os seus comentários sobre a remodelação no governo?
- Quem? Eu? Minha senhora, o senhor primeiro-ministro faz as remodelações que entender e achar melhor

-Mas não se sente desautorizado?
- Quem? Eu? Oh minha senhora, eu estou aqui para dar o meu melhor para ajudar o senhor primeiro-ministro a fazer o que achar melhor.

- Sente que perdeu poderes?
-Quem? Eu? Minha senhora, o poder, quem o tem todo é o senhor primeiro-ministro. Todos os poderes, são dele. Eu estou aqui, como podia estar ali ou acolá, enfim...onde o senhor primeiro-ministro achar que eu caibo.....quer dizer..... onde puder ficar melhor....quer dizer...onde puder servir.Servi-lo.

- Mas, não pensa que é um reconhecimento de que o seu exercício do cargo de ministro dos assuntos parlamentares não correspondeu às expectativas?
-Quem? Eu?
-[enfadada] sim, o senhor
- Oh minha senhora, eu exerço os cargos sem qualquer expectativa, quem tem expectativas é o senhor primeiro-ministro. Eu, de forma expectante, apenas aguardo instruções do senhor primeiro-ministro

- Está contente em ser o ministro-adjunto do primeiro-ministro?
- Quem? Eu? Oh minha senhora, eu sempre fui adjunto do senhor primeiro-ministro. Penso que é público e notório

- O primeiro-ministro nomeou um secretário de estado adjunto do ministro-adjunto do primeiro-ministro. O senhor, como ministro adjunto, acha que precisa de um secretário de estado adjunto? ou sente que é para o aliviar de algumas funções?
- Quem? Eu? Oh minha senhora, eu preciso do que o senhor primeiro-ministro achar que eu preciso. Se o senhor primeiro-ministro acha que eu preciso de ser aliviado, eu preciso de ser aliviado.

-[com olhar desafiante] Senhor ministro, qual o primeiro pensamento que lhe vem a cabeça quando acorda de manhã?
- Quem? Eu? Oh minha senhora, depois de falar com o senhor primeir-minis....
-[interrompendo] Não! Logo que acorda, antes mesmo de falar com o primeiro-ministro, o que pensa?
- Eu?.... Quem?..... Penso?..... Antes de falar com o senhor primeiro-ministro?
- SIM. O que pensa?
- uhmmm.... [ reflectindo sobre a questão]:(o que penso.....o que penso.....não tinha pensado nisso....será que eu penso? antes de falar com o senhor primeiro-ministro?.... Humm.... Ah! Já sei): Oh minha senhora, penso em telefonar ao senhor primeiro-ministro.

Posted by Hello
PS- Santana "mexeu" em três ministros. Todos do PSD. Portas ri-se as gargalhadas.

nicotina, perigo público

“Não se fuma aqui”

dizem os ex-fumadores
então não fumadores

respeito é devido aos
que não fumam
por respeito aos que fumam
é que incomoda

o caso vai ao parlamento
e não se fuma em locais públicos
mas fuma-se na rua

eles fumaram até a exaustão
agora ninguém deve fumar
porque incomoda

incomoda aos mortos,
aos não fumadores, que
pelo excesso de tabaco
perderam a vida

Retrospectiva "Internética" sobre o projecto-lei do PCP para suspender investigações e julgamentos pela prática de aborto

Na semana passada soubemos que o PSD considerava viabilizar o projecto-lei do PCP para suspender investigações e julgamentos pela prática de aborto.

Guilherme Silva, o líder parlamentar do PSD, disse à Lusa o seguinte:

Que a atitude assumida pelo PSD não pretende "alterar o quadro-legal de despenalizar o aborto" mas que projecto-lei do PCP procura "dar respostas humanas a um problema", nomeadamente através da suspensão das investigações de casos de prática de abortos e a suspensão de penas. "É um diploma que tem como fim evitar a condenação efectiva das pessoas", sustentou, frisando que, por isso, "o PSD tem margem de abordagem" para estudar e ponderar e "não rejeitar liminarmente" a sua aprovação.

Parece que esta decisão se deveu ao facto de ter recebido, na passada quinta-feira, uma carta assinada por vários deputados da sua bancada sugerindo a viabilização do projecto do referido projecto-lei.

É claro que o PP/CDS não gostou da ideia do projecto de lei e muito menos da posição do seu parceiro maioritário na coligação

Surpreendentemente (pelo menos para mim), Daniel Oliveira no Barnabé também não gostou da ideia e escreve:

(...)Do ponto de vista jurídico, trata-se de uma aberração. Do ponto de vista político, um erro. Um erro, porque dá a quem não quer mudar esta lei a possibilidade de eternizar esta situação. Porque, criando um vazio legal, impede a existência ou de clínicas privadas ou de estabelecimentos públicos que garantam a IVG em segurança. A solução apresentada pelo PCP é a pior possível: porque o facto da lei não ser aplicada não impede a clandestinidade. É apenas a tábua de salvação para o PSD, que assim lava as mãos de uma decisão.(...)

Espero que esta não seja a posição do BE. É que ainda que impeça a existência “de clínicas privadas ou de estabelecimentos públicos que garantam a IVG em segurança"( o que não estou certo que acontecerá), resolve, de forma práctica, a segunda parte do problema que é essas mulheres serem julgadas e humilhadas publicamente. (Sim, Porque isto não é uma causa em abstracto). Por isso acho muito acertadas as palavras de Luís Rainha no Blogue de Esquerda quando escreve:

Sim; é varrer o lixo para longe da vista, sem cuidar do verdadeiro problema. Sim; impede o avanço mais importante, que seria a criação de estruturas clínicas legais. Sim; facilita a vida ao PSD.
Mas também facilia a vida às mulheres (e miúdas) que se vêem em tribunal graças à legislação aberrante, a denúncias nojentas e a autoridades com tempo livre a mais (...) E será que não é isto o mais importante? Quanto a mim, qualquer alívio, por remendado que seja, é bem-vindo. E não me distrai do objectivo real, que é trazer este país para o século XXI e para a companhia de quase todas as nações civilizadas do Mundo
.



Também Vital Moreira, no Causa Nossa escreveu:

(...)Não me parece um erro, porque a proposta consegue o objectivo essencial, que é a de cessar a humilhante sujeição de mulheres a julgamento (e a uma possível condenação a prisão) e elimina o principal fundamento do aborto clandestino, pois é a punição penal que gera a clandestinidade. Além disso, a suspensão ampliaria uma dinâmica social antipunitiva que só poderia ter como epílogo a despenalização.
Defender que mais vale manter as coisas como estão porque de outro modo se perde força política para uma definitiva despenalização e legalização do aborto -- eis o que parece desde logo uma posição assaz cruel para as vítimas da actual situação
(...).


A posição mais fraquinha e tristonha foi, para mim, a de Manuel Monteiro no "frente à frente" ( com João Cravinho) na SIC Notícias ao reiterar, que, muito embora não fosse posição oficial do seu partido, eles não concordava com a iniciativa do projecto-lei porque simplesmente ( e cito de ouvido) “não era uma questão prioritária” e era “demasiado fracturante” . Ou seja gostaria simplesmente de não a ver discutida, varrida para debaixo da mesa melhor dizendo. Será que é para não “acordar” o debate dentro do seu próprio partido? Ou será que é porque não quer "espantar" os votos que acredita poder ir "pescar" noutros rios?

PS: Só que, "quando a esmola é demais, o pobre desconfia” ,parecia "bom demais para ser verdade" É que o PSD e CDS inviabilizam agendamento a curto prazo do projecto dos comunistas sobre o aborto . Mulheres continuarão a ser julgadas. pelo menos, durante mais dois anos. Percebe-se. Depois do que foi o seu congresso, o PSD este tem receio de mandar mais achas para a fogueira na sua relação com o PP. Não é difícil percebermos que Portas , por entre sessões de bronze em solário e esbranquiçamento de dentes incisivos, já tenho feito saber que jamais admitirá tal afronta.

23.11.04

carbon train

I’m leaving
I’m leaving in a train without wheels
Nor rails

Yes, I’m the pilot
Travelling by myself
Not heading nor east or west
Not north nor south

No poles

I’m heading towards the horizon
The thin red line
In the end of the journey it will get blue
As the stars shall stand beside my soul
Shining in the coolest dark

The passengers gathered in the station
But in the end all gave up the delusion
None of them came along

Fear beat them
On the run for the moon




by
Willie Mays

É isto Crítica Musical???

No blogue de esquerda o Luís Rainha, “denuncia” e bem, o seguinte texto de Vanda de Sá sobre a “Piano Sonata Nº.2 ( concord mass)” de Charles Ives:

«Escrita entre 1911-1912 a “Sonata Concord” para piano é obra de peso na exigência musical, sendo que a questão se põe ao nível de um “virtuosismo” na linha de Beethoven, no que se refere a problematização da matéria musical sem concessão a limitações no quadro de uma tradição de técnica e gramática instrumental, mas sim o compromisso com a ética de criação (questão demasiado vasta e apenas enunciada). Está em causa afinal um “modernismo” (“avant ou après la lettre”) que surge não por investidura mas sim por compromisso com a liberdade e a fidelidade individual, e é certo que Beethoven se constitui como desafio estrutural.»

(Este texto abre a crítica do disco do expresso do sábado passado)

Sobre este “naco" de texto, não posso deixar de me perguntar qual a sua função? Duvido que tenha alguma.

Com este texto, a quem se queria dirigir a senhora Vanda de Sá? Ao público leigo? Aos músicos? Aos experts?

Quanto ao público leigo, não me parece, pois é suposto que, quando um crítico/divulgador de música, escreve para o público leigo, tenha algumas preocupações. No mínimo (1) situar o artista e a sua obra no contexto do espaço e tempo em que viveu;(2) fazer perceber as correntes estéticas e filosóficas dessa época (3) enquadrar a obra em causa no património do seu autor, ou seja: em que fase da sua evolução artística é que o artista em causa compôs a obra em causa. (4) finalmente explicar porque essa obra é “importante" ou" significativa”, o que tem que a distingue, quais os seus alicerces (obras de onde tenha obtido influência) e porque foi, (se é que foi) de alguma forma percursora.

Quanto a este texto ter como destinatários, músicos, também tenho sérias dúvidas. Na realidade não há aqui, garanto-vos, nem sequer um termo que seja, de exclusivo léxico musical. A análise musical começa quase sempre por ser feita sobre três planos, na medida em que seja possível isola-los: Melodia, Harmonia, Ritmo. Não há referências a essas nem a outras caracteristicas "de facto estructurais" da obra. Por exemplo convinha falar da influência da Bitonalidade e da Pantonalidade em Charles Ives (isso se o texto se dirigisse a músicos, claro)

O texto será então para experts ? Só se for para experts como Vanda de Sá.

Não há aqui nenhuma ambição comunicacional, nenhuma ambição pedagógica. São textos destes que fazem com que as pessoas, quase que intimidadas, fujam da música erudita. P. É uma pseudo crítica, para pseudo intelectuais e pseudo críticos de música.

Qualquer pessoa perceberá muito mais sobre Charles Ives e a Concord Sonata de for a uma vulgar enciclopédia. Mas perceberá mais ainda se ouvir um dedicado pianista falar sobre ela.

Há excepções, existem logicamente críticos muito bons, mas infelizmente textos como o de Vanda de Sá proliferam por aí. Essa a razão pela qual, cada vez mais, prefiro ouvir os músicos (e gente envolvida na criação musical: produtores, compositores, arranjistas) falarem de música. Com eles é mais fácil aprender.

Na grande maioria dos casos os músicos, aqueles que fazem música, são muito mais simples e didácticos ao falarem daquilo que gostam. Vibram e conseguem transmitir essa paixão.

22.11.04

Muito para além do "habitual" disco de tributo....


Purple - Celebrating Jimi Hendrix - Nguyên Lê :

Line Up:
Nguyên Lê- guitars, guitar-synth
Michel Alibo- electric bass
Terri Lyne Carrington - drums & vocals


guests:
Aïda Khann & Corin Curschellas - vocals / Meshell Ndegeocello - electric bass
Karim Ziad - gumbri & north african percussions / Bojan Zulfikarpasic - acoustic piano & Fender Rhodes piano

Tracks:
1 1983... (A Merman I Should Turn To Be) 2 Manic Depression 3 Are You Experienced 4 Purple Haze 5 Burning of the Midnight Lamp 6 If 6 Was 9
7 Voodoo Child (slight return) 8 South Saturn Delta 9 Up From The Skies 10 Third Stone From The Sun

Music by Jimi Hendrix, arranged and produced by Nguyên Lê.
Recorded in May 2002 at Studio Davout, Paris by Jean Loup Morette. Posted by Hello

Jazzificando Hendrix II: Nguyên Lê "Purple- Celebrating Jimi Hendrix"

"It's an old story. I already had a group in 1993 in France with whom I played Hendrix's music. The idea was to handle the whole thing somewhat like standards, giving the melodies, which I worship, my own voice. The band consisted of singer Corin Curschellas, drummer Steve Argüellas and bassist Richard Bona, who was still living in France at that time. We played together for three years.

"I wanted to take a look at the music on another level, from the perspective of jazz, but also, for instance, in a piece that I could envision women singing, or develop into ethnic versions of the songs. The arrangements should always have a relationship to the original at one or more points, but otherwise, they should stand on their own. For instance, that's how "Voodoo Child", which its appeal to trance and magic, evolved. Through Karim Ziad I had the connection to Gnawa music from the Maghreb region of North Africa. The music has a repetitive ritualistic foundation with elements of rapture and ecstasy similar to Voodoo. It's music through which you can be projected into another dimension, be another being with a different voice and identity."

For this CD Lê looked for compositions that he could personally relate to, pieces that could be approached from different angles. Lê defines his musical position immediately at the beginning of the CD with "1983", a mixture of free, noise, and simplemelody. "Manic Depression" is one of the few Hendrix pieces in ¾ time. Lê transforms it into an African feel over a modified 12/8 time with a characteristic meandering song form and text translated into Malian Bambara. "Up From The Skies" should sound Californian-smooth on the surface. At the same time it is one of Hendrix's jazziest compositions, and is completely re-harmonized for this arrangement. "Purple Haze" plays with the funk idom, works like dance music, but remains irritating, since ist 15/8 time is missing a beat for that even feeling.

"Most of the time my projects have a ethnological music background. For instance, with the Vietnamese stories it was important to get the co-operation of living artists from the region such as singer Huong Thanh. In the case of Hendrix I was working with a part of Afro-American culture.

Terri Lyne was the most important counterpart in the sense that she is a symbol of that world. She has the neccessary jazz background and a close relationship to Hendrix's songs. And she not only plays fantastically, she sings from her inside-out as a woman, and for me this was an important added dimension."
Alongside drummer Terri Lyne Carrington, bassist Michel Alibo expanded the core trio, which then recorded all the tracks. Everything else was added later, according to the tonal colouring needed. There is Corin Curschellas, the white voice with its characteristic theatrical style, and Aïda Khann, her African counterpart, with a stylistic spectrum ranging from soul to Mali. The pianist Bojan Zulficarpasic brings the East European, and percussionist Karim Ziad the North African elements into play. And finally, Me'Shell Ndege Ocello appears as special guest from New York to add her funky-soul bass tone to the overall sound structure.

And so Nguyên Lê assembles his Hendrix hommage as multi-faceted culture-puzzle in a way that both the original meaning of the compositions and the contemporary sound images of today would be given full justice. Purple is a bow to genius, without kowtowing.

fonte: ACT

coisas Lidas, pra Ouvir: Carla Bley; Gilad Atzmon

Pelo Jazz e Arredores, fiquei a saber que: Durante toda esta semana,a Jazz on 3 (BBC Radio 3) difunde dois concertos gravados no recente London Jazz Festival: na primeira parte da emissão, a pianista norte-americana Carla Bley com o quarteto Lost Chords e na segunda parte, o israelita Gilad Atzmon, de quem já aqui falamos, com o seu Orient House Ensemble.

Coisas Lidas, pra Ouvir: Jazzificando Hendrix

No AiFai, fiquei a saber do disco "jimi´s colors" do pianista de jazz francês, Francis Lockwood (será que tem alguma coisa haver com Didier Lockwood?) em tributo a música de Jimi Hendrix.

1 ano de Causa Nossa

Um dos meus blogs preferidos faz hoje um ano. Desde que comecei a andar neste mundo Blogueiro (por volta de fevereiro deste ano) que a Causa é um espaço do visita quase diária.
No "causa nossa" encontro não só opiniões com que me identifico, mas também o aprofundamento de várias questões sobre as quais não tinha/não tenho opinião ( pelo menos uma devidamente fundamentada). Apesar disso, várias vezes, não me coibi de, por E-mail, "chatear" os da Causa ( sobretudo VM ) com os meus comentários.

Parabéns aos da Causa .

21.11.04

um grande disco de world jazz, um manifesto político


Gilad Atzmon & the Orient House Ensemble - EXILE- (enja records, 2003)

Raised as a secular Israeli Jew in Jerusalem, Gilad Atzmon witnessed the daily sufferings of Palestinians and spent 20 years trying to resolve for himself the tensions of his background. Finally disillusioned, he moved away from Israel and went to England to study philosophy. Yet when he met Asaf Sirkis, a drummer from his homeland, Atzmon recovered an interest in playing the music of the Middle East, North Africa and Eastern Europe that had been in the back of his mind for years. He founded the Orient House Ensemble in London and started re-defining his own roots in the light of political reality. He now regards himself as a devoted political artist

On his new album, "Exile," he and his colleagues (featuring the moving voices of Reem Kelani and Dhafer Youssef) try to tell the story of Palestine, a country that was stormed by radical Zionists in the 20th century. Asking himself how the Jewish people – who themselves have suffered so much for so long – can inflict so much pain on the Other, Atzmon takes up Israeli traditional and nationalistic melodies and turns them around deliberately. For instance, "Al-Quds" is an Arabic interpretation of an Israeli tune that became the anthem of the ’67 War. A cross cultural statement with a political twist.

JAZZ ALBUM OF THE YEAR (BBC Music Awards, Juli 2003)
fonte: enja

This album is made by musicians who live in exile. For some of us it is a deliberate choice, others are unwelcome in their home land. (....)

(...)A few of the tunes on the album are built over the ruins of Jewish traditional songs and Isreali nationalistc melodies (...) - Al-Quds, Ouz, Jenin.

The decision to make use of Jewish and Israeli tunes was very deliberate. Jewish history is an endless story of persecution, agony and anguish. Zionism draws it´s force from the vivid fantasy of return. I would like to raise two simples questions: How is it that people who have suffered so much and for so long can inflict so much pain on the Other? How can Zionists, who are motivated by a genuine desire to return be so blind when it comes to the very similar Palestinian desire?

This album is a call for attention to the palestinian suffering. It is a prayer fot the world to acknowledgethe Palestinian essential right of return.

19.11.04

sintético

Eu sou surdo
Tu és absurdo
Ele é cego

Eu sou mudo
Tu és incógnito
Ele é vão

Eu inculto
Tu, terra
Ele lacónico

Sintético

Eu desisto
Tu insistes
Ele não perdoa

Vou-me embora



por Willie Mays

"o problema dos PALOP" - Miguel Esteves Cardoso

"O problema ancestral de Portugal e das nossas relações externas é que país algum gosta tanto de nós como gostamos dele. Este facto é especialmente evidente nas ex-colónias que, regra geral, não vão muito à bola connosco, e, quando vão, dão-nos com os pés. Como é que - ao mesmo tempo - podemos manter os laços históricos, salvar a honra e não perder muito dinheiro?
Os ingleses têm a Commonwealth. E nós? Nós temos os PALOP. Os ingleses têm uma palavra bonita que exprime a ideia de riqueza comum. Nós temos os PALOP. Supostamente é a sigla de «países africanos de expressão oficial portuguesa». Distinguem-se assim mais facilmente dos PALOP (países americanos de expressão oficial portuguesa) e dos PALOP (países asiáticos de expressão oficial portuguesa). É isso que temos, sim. Os PALOP.
O que é PALOP? «PALOP» parece que faz um império a cair redondo no chão. Corresponde ao Plop! britânico. «PALOP» parece o nome de uma firma de cerração de madeira de um senhor Paulo Lopes. Não soa bem. Commonwealth podia ser a marca das peúgas fofinhas aos losangos. PALOP, em contrapartida, não chega aos calcanhares de Maconde. «Os Palop», na discordância entre o plural do artigo e a singularidade da sigla parece português africano - «É os PALOP, pá!»
Se os ingleses, os espanhóis e Franceses seguissem o nosso grande exemplo, o mundo pós-colonial poderia dividir-se em Palopes, Palóis, Palofes, e Paloés. Poderiam organizar-se torneios de futebol, com Palóis contra Palofes. Parecem nomes da malta: «Ó Palói - não queres ir a casa do Palop?» De qualquer modo, algo não corre bem na língua onde se podem compreender frases como «Se não fosse o Prec, não haveria palops». Se eu fosse moçambicano, levaria a mal que me chamassem cidadão de um palop. É um nome palerma. É um nome lorpa. «Palop» é meio palerma e meio lorpa. Ainda é pior que «província ultramarina». O pior é que o maior palop de todos, em termos de palermice, é Portugal.
O nosso governo fez bem em cortar relações com a Guiné-Bissau, um palop que está em vias de promoção a palof, já que lhes dá mais jeito exprimirem-se na língua de Proust. A República Popular da Guiné-Bissau, apesar de palop, é um país que nos é um pouco estranho. Dá a impressão que gostam pouco de nós. Se calhar têm razão, mas não faz mal. Sempre foi o drama dos portugueses gostarem mais dos estrangeiros do que os estrangeiros dos portugueses. Gostamos mais dos brasileiros do que eles de nós. Gostamos imenso dos ingleses e eles não gostam assim tanto de nós. Gostamos de muitos países que nem nos conhecem quanto mais gostar de nós. E gostamos muito da Guiné-Bissau. (Se eu fosse da Guiné-Bissau também não gostaria dos portugueses. Mas, como não sou, não gosto da Guiné-Bissau.)
No entanto, esperamos sempre que toda a gente goste imenso de nós, sem fazer nada para que gostem de nós, excepto gostar deles. Não fazemos nada para que os guineenses continuem a querer falar português, mas ficamos magoados quando eles dizem que, se calhar, dava-lhes mais jeito passar para o francês.
A tragédia dos portugueses é só esta: pensar que o coração chega. Isto sem fazer esforço - o obséquio - de tentar chegar ao coração do outro. O nosso racismo, por exemplo, pode ser o menos violento dos racismos coloniais europeus, mas não deixa de ser racismo. Nós gostamos dos pretos - como os ingleses ou franceses não gostam -, mas gostamos de cima para baixo, um bocado como um patrão de bom coração pode gostar sinceramente de um criado. Achamos que eles são preguiçosos, engraçados, diferentes. Gostamos deles assim.
Sentimo-nos superiores. E ninguém gosta que se goste assim de alguém. A tragédia é que se pode gostar assim de alguém - mas o outro, assim, não pode gostar de nós.
Para respeitarmos as nossas ex-colónias temos de fazer o favor de achá-las países estrangeiros. O facto de serem estrangeiros não impede que sejam muito amigos. Com quem é quem é que nos damos melhor? Com os italianos da Itália ou com os guineenses da Guiné-Bissau? Os amigos escolhem-se e nós temos de escolher os nossos. Porque é que havemos de ser amigos de quem não gosta de nós, só porque vivemos uns tempos com eles ou porque falamos a mesma língua? Se uma ex-colónia nos dá para trás constantemente, a atitude correcta, não-paternalista, não-complexada, não racista é dizer «Ai não gostas? Então come menos». Portugal tem irmãos a mais e amigos a menos. Os amigos escolhem-se e amizade pratica-se. Não basta amar à distância. É preciso a proximidade, a presença, a prática.
Se temos de explorar as ex-colónias, exploremo-las sem preconceitos, como os países nossos amigos e aliados nos exploram a nós. O pior é que os portugueses querem investir em Angola ou em Moçambique, não porque isso interesse como investimento, mas porque sentem que têm o dever histórico de o fazer. Do mesmo modo ficamos zangados que eles, países pobres, queiram sacar-nos tudo que puderem. Que mal é que isso tem? Se eu fosse guineense, provavelmente acharia que os portugueses tinham uma dívida histórica, em dinheiro e sangue, para comigo, e enganá-los-ia quanto pudesse.
Há uma dramática falta de normalidade. O que é normal é que dois países tentem tirar a maior vantagem possível um do outro. O que é normal é que as relações históricas entre os países se baseiem, logo à partida, em relações comerciais. Portugal, ao insistir em ter relações económicas com as ex-colónias, a todo o custo, só está a investir na desconfiança e na inimizade, porque ninguém acredita na caridade pura e simples. E, se acredita, não acredita de bom grado. A ganância portuguesa em perder dinheiro, perder tempo e dignidade parece altamente suspeita aos olhos dos palopes...
"excerto do livro "Os meus problemas" de Miguel Esteves Cardoso

18.11.04

À propósito de Pernambuco e dos "Mestre Ambrósio"

O “Barnabé” Rui Tavares presta uma excelente homenagem a Pernambuco e aos Mestre Ambrósio. Chama-lhe Louvor Apocalíptico.

Ao Lê-lo, lembrei-me desta letra de uma das minhas músicas preferidas de Lenine.

Leão do norte

Sou o coração do folclore nordestino
Eu sou Mateus e Bastião do Boi Bumbá
Sou o boneco do Mestre Vitalino
Dançando uma ciranda em Itamaracá
Eu sou um verso de Carlos Pena Filho
Num frevo de Capibe
Ao som da orquestra armorial
Sou Capibaribe
Num livro de João Cabral

Sou mamulengo de São Bento do Una
Vindo no baque solto de Maracatu
Eu sou um auto de Ariano Suassuna
No meio da Feira de Caruaru
Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta
Levando a flor da lira
Pra nova Jerusalém
Sou Luis Gonzaga
E vou dando um cheiro em meu bem

Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte

Sou Macambira de Joaquim Cardoso
Banda de Pife no meio do Canavial
Na noite dos tambores silenciosos
Sou a calunga revelando o Carnaval
Sou a folia que desce lá de Olinda
O homem da meia-noite ,
Eu vou puxando esse cordão
Sou jangadeiro na festa de Jaboatão

Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte

Letra de Paulo César Pinheiro, (música de Lenine)


PS - sobre António Nóbrega, outro musico pernambucano que eu adoro, eis aqui um post antigo

17.11.04


ComDurezza baby! Posted by Hello


A Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) concluiu que as declarações do ministro dos Assuntos Parlamentares sobre os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI constituem "uma tentativa de pressão ilegítima" sobre a Media Capital e colidem com a "independência dos órgãos de comunicação social".

E agora sr.Ministro?
Vá lá, seja um bom "Santanuts". Não se demita, nem por nada. Santana precisa de ter no (des)governo alguém que, por ele, leve "pancada".

PS- Ainda se está a espera de perceber o que de facto se passou, para que José Rodrigues dos Santos se demitisse. A capital avança aqui com algumas razões. Um reflexão mais abrangente é feita por Vicente Jorge Silva, no "Causa Nossa"


Posted by Hello

Coisas Lidas:Santana é bom, por Nicolau Santos

Hoje, no dia em que se discutiu no parlamento o orçamento de estado, vale a pena ler o artigo de Nicolau Santos no Expresso



Música Jazz e Afins- A minha editora preferida

Cada disco que lançam é uma obra de arte à parte.
Talvez tenha tido sorte, mas quando compro um disco do seu catálogo, nunca me sai mal a compra. É sempre musica para ouvir e reouvir. Vários estilos, várias fusões entre Jazz, música improvisada e de vanguarda e músicas e folclores do mundo. Sempre e só a mesma grande qualidade.

Para que fique registado:

A minha editora de Jazz preferida não é esta (que até é fixe)
nem esta( que é boa),
nem esta (que também não é má),
nem esta (que é muito boa)
tampouco esta (que tem coisas interessantes) ,
nem esta (que é óptima),
nem esta outra ( que é excelente)
muito menos esta (que é a mais fraquinha)

A minha preferida, a que produz a "Luz-Som dos meus ouvidos" é esta editora


Um disco simplesmente fabuloso.

"Inundated with jobs, the musicians finally found the time to once again get together in December 1999 in Oslo's Rainbow Studio. It would be a meeting full of exceptional jazz energy. Even more than the first time(nota: Swedish Folk Modern, ACT 1997) , they would rely on the force of reduction. Moods would be suggested, left open. Melodies worked out in simple clarity. Delicate variations supplemented and amplified both the original and traditional motifs of the central musical im- pressions. Layers of Light is an affair of the hearts of two artists who went back to their roots. That makes their music truthful, direct, and authentic in a wondrous way" Posted by Hello in ACT

16.11.04

Serão estes soldados, Homens?

Um soldado americano assassinou um homem iraquiano que se encontrava, no chão, ferido.

Isto só é notícia porque desta vez há imagens. E elas são impressionantemente claras.

Não fiquei espantado. Acredito que nesta, como noutras guerras, actos destes aconteçam muitas, muitas vezes vezes. Só diz o contrário quem é ingénuo ou é cínico.

Em Abu Ghraib, os actos perpetrados foram muito mais vis porque foram à frio, perversamente organizados, visando torturar, humilhar e, pior, obter prazer.

No filme de Michael Moore, Farenheit 9/11, as imagens dos soldados americanos nos tangues de guerra, em plena acção, ouvindo, com os altifalantes, em alta berraria uma musica com o refrão “let them bodies burn” impressionou-me muito mais. A sua imaturidade, a sua forma infantil de sublimar o próprio horror da guerra, como se estivessem a jogar um vídeo game, tudo isso me deixou muito mais nauseado.

É claro que isto poderia acontecer independentemente da nacionalidade dos soldados intervenientes. É verdade que, assim como em relação aos resistentes islâmicos, não devemos confundir a arvore com a floresta. Só que o exército americano é composto por voluntários. O marine em causa é um profissional. Só está nesta guerra porque quer, enquanto quiser. Não tem desculpa.



Condolleezza Rice chega finalmente onde sempre quis estar. (ComDurezza, Please!)

"With Secretary of State Colin Powell headed for the door, it's not surprising that President Bush has tapped Condoleezza Rice as his replacement. After all, Bush and Rice enjoy an unusually close relationship. That became apparent earlier this year at a Washington dinner party when Rice, who is not married, made a revealing slip of the tongue: She was reportedly overheard saying, "As I was telling my husb—" before abruptly stopping herself. She continued: "As I was telling President Bush.".... paging Dr.Freud....
by Daniel Kurtzman




Posted by Hello

Parabéns ao pessoal do Bazonga

O Bazonga da Kilumba está entre os 10 finalistas ao prémio BOB (Best of Blogs) de melhor Blog na categoria de inovação, pelo Deutsche Welle International Weblog Awards 2004.

Coisas Lidas:"O ministro-empresário Álvaro Barreto", por José Antonio Lima

Só hoje li o comentário "certeiro" de José Antonio Lima, as incríveis declarações do Ministro Álvaro Barreto em entrevista à renascença.

Para quem ainda não leu, aqui fica o Link

Santana e o "Astral" (verdadeiramente confiemos)

O primeiro-ministro disse no congresso do "seu" PPD-PSD : "Eu quero que o país vá subindo no seu astral!"

Sobre esta brilhante tirada (mais uma!) de Santana Lopes , José Vitor Malheiros escreve no Publico de Hoje:

(...)Outro primeiro-ministro poderia ter falado de brio, de projecto, de ânimo, de sonho, de ambição, de futuro, de trabalho, de empenhamento, de desafio, mas Santana sabe falar ao povo na sua própria língua e saiu o astral!

(..)Mas não se pense que saiu por acaso. O astral presta-se mais à banha da cobra do que o projecto e até do que o sonho, porque o astral não depende nem do trabalho (lagarto, lagarto), nem do desejo, nem sequer de nós. Só depende dos astros, dos deuses, dos alinhamentos siderais, dessa coisa etérea que é a coisa nenhuma. Nem é preciso querer, astral é astral, acontece à gente sem a gente querer. Além de que o astral é sentimental ("Me liga!"), tem a ver com destino, com coisas escritas nos céus com pozinho de estrelas e não exige nenhum mas nenhum esforço. Astrau é assim mesmo! Como se faz para melhorar o astral? Incríveu! Você não sabe? Relaxe! Nada melhor para o astrau! Não sabe como? Beba uma caipirinha. Duas! (...)

(...)Depois do astral já percebemos porque é que a palavra de ordem do primeiro dia do congresso era "verdade" e a do segundo dia "confiança". É que, quando se prega a verdade, o povo pode ficar com ideia de que tem direito a alguma coisa e até pode começar a fazer perguntas, mas com a confiança não há riscos. Confie! Não pergunte, não diga, não duvide! Suba o astral! Relaxe. Deixe tudo na mão do PSLPSDPP. Beba mais uma caipirinha. Me liga!

No Diário Económico, João Paulo Guerra também afina pelo mesmo diapasão e escreve:

(...)Portanto, o reino de Santana Lopes é desta terra mas a sua ambição é sideral. Ou seja, o projecto é do domínio do fantástico e do oculto, povoado por miragens e sombras e o primeiro-ministro escolheu para si o papel o papel de vidente, possesso ou hipnótico.

Talvez por isso mesmo, a hipnose começou pelo esmagamento da única voz crítica que se ergueu no Congresso –que mereceu a resposta explícita e sem direito a tréplica do presidente e de um dos vices – e pela diabolização das liberdades de imprensa e de expressão.(...)

(...) Dez revoluções da terra em torno do sol constituem o projecto de poder para fazer “subir o astral” do país. Vã glória, pura jactância. Claro que a terra e o país vão seguir o seu percurso astral, independentemente dos políticos. E estes é que vão “caindo, caindo, caindo, caindo sempre, e sempre, ininterruptamente, na razão directa dos quadrados dos tempos” (António Gedeão, Poema para Galileu).

Comentário Abre-Surdo:Mas qual é o espanto? Então os senhores não sabiam, ou estavam esquecidos que, segundo o anterior primeiro-ministro, Portugal tem hoje como chefe de governo, uma, curiosa e original, mistura de Zandinga com Gabriel Alves? Espantoso é não ter havido metáforas futebolisticas. Mas não perdemos por esperar.





14.11.04

Que louco animal…..

Um professor de zoologia explicava aos alunos como é que o pombo que dá cambalhotas descende do pombo bravo. Dizia ele que, durante muito séculos, a fantasia do criador havia elegido para a reprodução indivíduos que possuíam essa insólita qualidade. Deste modo pôde vir ao mundo o estranho animal, assanhado a dar cambalhotas a ponto de se matar.
“Oh! Que infâmia” disse um dos alunos
“Não é infâmia” observou o professor, “É a vida. A selecção entre humanos, também ela, é hoje feita de tal maneira que não são os melhores quem sobrevive, mas os que melhor sabem cabriolar. Se as coisas continuarem assim, sabe-se lá que louco animal resultará daí.”

Ítalo Svevo.

13.11.04


Sem comentários. Dedicado a Pacheco Pereira e Vasco Graça Moura, pelo "gozo" especial que tiveram em vê-lo Ganhar. (quem quiser confirmar todo o video, para ter a certeza, tem-lo em baixo no post de willie mays entitulado "fuck you all") Posted by Hello

Completamente de Acordo

Com Miguel Sousa Tavares quando escreve:

O que verá, então, a direita europeia neste Presidente americano que justifique tamanha satisfação? Os célebres "valores morais", não vejo que outra coisa. O tal factor que, segundo as sondagens, terá sido o principal desequilibrador dos votos a favor de Bush. Será isso então que justifica o entusiasmo com que, por exemplo, Vasco Graça Moura exulta com a vitória de Bush "contra a Europa do politicamente correcto, contra a esquerda em geral... enfim, e isto dá-me um certo gozo interior, contra o dr. Mário Soares".

Gozo? Politicamente correcto? Mas será que cabe no índex maldito do politicamente correcto coisas como ser-se contra a criminalização do aborto e a pena de morte, ou ser-se a favor da separação entre o Estado e a religião, da diferenciação entre a taxa de imposto para ricos e para pobres, do direito à educação, à saúde e à assistência social para todos, independentemente das suas possibilidades financeiras? É que são estes, caso não tenham reparado, alguns dos "valores" que a direita cristã americana impôs nesta eleição.

Alguns comentadores de direita têm insistido em ver no desfecho das eleições americanas uma batalha por valores que a esquerda perdeu - o que lhes serve de argumento para exclamar, cheios de "gozo", que os valores da "velha esquerda" estão mortos e, enquanto não forem revistos, só a conduzirão às derrotas, hoje nos Estados Unidos, amanhã na Europa. Têm razão na análise, mas a lição que pretendem extrair é simplesmente amoral. Houve, de facto, uma batalha por valores nestas eleições americanas, e os valores emergentes da nova direita derrotaram os valores da velha esquerda. Mas ainda bem que houve essa batalha, que a esquerda preferiu o risco da separação das águas do que a tentação de se adaptar aos ventos hoje dominantes. Ainda bem que houve essa clarificação, mesmo que ela tenha deixado a América profundamente dividida ao meio, em termos que preocupam até os próprios vencedores. Mil vezes perder uma eleição do que perder a razão.

Ler o artigo completo de Miguel Sousa Tavares

12.11.04

Duplo-Pensar

Na civilização descrita por George Orwell no seu “1984”, as instituições tem designações que correspondem exactamente ao contrário do que fazem. Assim, o ministério da paz, faz a guerra, o ministério do amor, instiga o ódio, o ministério da verdade, inventa mentiras.

Lembrei-me de “1984” ao ver Santana Lopes, discursar no congresso do PSD, à frente de um enorme cartaz onde se pode ler “VERDADE”.

Se Santana anda a inspirar-se em George Orwell não me espantava que o próximo slogan do "seu" PPD/PSD fosse “ignorância é força.”

11.11.04

11 de Novembro.

Hoje, neste 11 de novembro da morte de Arafat, Angola faz 29 anos de indepêndencia( já estou a ouvir, da Républica Checa, o meu amigo Mário a corrigir-me: indepedência não! libertação).

Sobre Arafat, talvez seja melhor falarmos mais tarde, quando a "poeira" sentar.

Quanto a Angola, desculpem-me mas não vejo grandes razões para comemorações.

Lembrei-me de uma coisa que escrevi há dois anos, aquando da morte de Savimbi, que, numa analogia com o filme "O bom, o mau e o vilão" de sergio leone, terminava mais ou menos assim:

"Agora que o "Vilão" se foi, esperemos que o "Mau" saíba, também ele, sair de cena. Estamos cansados dele e da sua falange de incompetentes e cleptomaníacos, desconhecedores do significado da palavra patriotismo. É chegado o tempo de a sociedade civíl angolana se reinventar como o "Bom" para que o filme possa finalmente acabar bem."

Parece que continua actual, pois o "actor em causa" ainda não se apercebeu ou não se quer aperceber que é ele "o mau da fita". A sociedade lá vai tentando dar-lhe sinais....mas ele faz ouvidos de mercador ( de mercenário seria o termo mais apropriado)

Aos compatriotas que acreditam na ideia de uma Angola melhor e que insistem, com as suas ideias, com o seu talento e com o seu honesto trabalho, em remar contra a maré, dando, da melhor forma que podem, o seu contributo, a esses e só a esses, um kandando de encorajamento.

PS- Estou esperançoso de ler uma análise do Fbonito. Ainda que seja curta. Que dizes F.?

10.11.04

São nacles senhor, são nacles.

Esta semana tem sido pródiga em notícias sobre os problemas e conflitos nos hospitais.

No hospital Fernando da Fonseca (amadora /Sintra) houve greve. Antes, na segunda feira, no Hospital São Bernardo, Setúbal, vários médicos incluindo directores de serviço, concentraram-se à entrada do hospital e na presença da comunicação social, traçaram um “quadro geral” pouco optimista relativamente a situação do hospital: o desinvestimento, o abandono, o ambiente de conflito (quase aberto) entre directores de serviço e administração.

Tudo isto lembrou-me uma ocorrência, que, penso, será ilustrativa das “dificuldades” destes "novos" administradores destes "velhos" hospitais, agora travestidos nestas "novas" SA´s.

A história, que é recente, é a seguinte:

Certo dia, uma senhora assistente ou secretária (não me recordo) de uma outra senhora, administradora, contactou os responsáveis da enfermaria do serviço hospitalar X, do hospital Y, porque este requisitava muitos "nacles".

Inicialmente, as pessoas que cuidavam destes assuntos no respectivo serviço, não perceberam o que era isso dos “nacles”. Mas a senhora insistia e queria saber porquê razão eram sempre nacles de 9% que eram gastos, já que havia no aprovisionamento vários nacles de 4,5% que eram muito menos usados e, dizia, a srªa Administradora fulana de tal interrogava-se se a enfermaria do serviço não poderia passar a usar dois nacles de 4,5% ao invés de um de 9%. Assim podia-se reduzir a compra de nacles de 9 %.

Só após a referência aos 9%, é que o pessoal da enfermaria percebeu finalmente o que eram os tais nacles: eram os balões de soro fisiológico ( NaCl e a respectiva diluição era o que a dupla de senhoras lia no rótulo). Lá se explicou, em termos simples, à srª assistente da srªa administradora que as balões de soro contendo cloreto de sódio, obedeciam a diferentes “diluições”, que era isso que significavam as percentagens, que juntar dois balões de soro com NaCl a 4,5% apenas vai dar dois litros de soro com cloreto de sódio a 4,5%. Que o soro que tem 9% de NaCl é que é o isotónico e que isto significa que tem aproximadamente a mesma tonicidade (osmolaridade) do “soro humano” e por esta razão é muito mais usado. Que o outro, o de 4,5% é hipotónico e tem indicações muito mais limitadas, por isso se gastava menos.

Não sei se a srªa assistente da srªa administradora percebeu e se retransmitiu o que foi dito. Mas de certeza que a srª Administradora continua a estudar, com base nos seus "modernos" conhecimentos de gestão, novas formas de poder poupar dinheiro. Daqui há uns tempos, talvez haja novos desenvolvimentos.

Em Portugal existem cursos de especialização e pós-graduação em administração hospitalar. Só que, ao que parece, não são uma exigência para administrar um hospital. Entretanto, estes vão sendo administrados com a mesma “creatividade gestora” com que se administram os correios ou uma fábrica de sapatos. É que, dizem eles, “são tudo empresas”, assim sendo só há que seguir “modelos modernos de gestão”.

nobody loves me because i'm sad

Hello!
I’m Sad.

Nobody loves me because I’m Sad
You see, I’m Sad but I’m not always sad

I’m neither always smiling nor happy
But I’m not mad. Please, don’t think I am
I’m just Sad

I’m happy when it rains
And I like all the colours of the rainbow
And I like you

I guess I’m just like anyone else
I’ve got plans to my life too
I’ve got wishes. Best wishes

I’ll build my garden on the top of my building



by Willie Mays

a late case of aggression on a beach of blue uniform sharks wearing shades

This is the case between a blind police officer and a very young child.



The police officer: so, what exactly is your age?

The young child: I’m twelve, Sir.

... the police officer goes straight to the point...

The police officer: and what is your gender young child, can you tell me?

The young child: mmm... I’m naked, Sir...

The police officer: what does it matter? Who the hell cares ‘bout it?!

The young child: can’t you listen to my voice, Sir?

The police officer: Just turn around, now!
I don’t want you to face it...

The young child: Sir, please...

The police officer pushed it in.
... And so was the case.

...

For what then everybody got to know; the case took place on an empty beach, where bathing wasn’t allowed, for there was the danger of one been attacked by a shark. There was to many sharks in those waters during all season.

The kid used to catch crabs on that beach, until that day. The day he got attacked, not by a shark, but by a police officer.



p.s. in fact, the police officer wasn’t blind. He was wearing shades and it seems that police officers get blind when they are wearing shades, and that’s a pity.




by Willie Mays

9.11.04

Depois de Trabalhar, Noite de Azar

Hoje, pelas piores razões, experimentei o comboio da fertagus.

Depois de 12 horas de trabalho no serviço de urgência, as nove da noite, saí do hospital, apenas para notar que não tinha comigo a chave do carro e, pior aínda, que o próprio carro tinha desaparecido. A equipa, chefes, colegas e pessoal do hospital, ainda levantaram a hipótese de ele apenas ter sido rebocado. Mas não....Eu não tinha a chave comigo e isso era significativo.

Sinceramente, do meus gestos, hoje de manhã quando o estacionei, apenas me lembro de dar duas( !) moedas de 50 cêntimos ao "arrumador". Lembro claramente deste pormenor: não era uma moeda de um euro, mas duas de 50 cêntimos. Será que com a preocupação de "agraciar" o jovem "simpático" que gesticulava insistemente, me esqueci da chave dentro do carro? Pior aínda, na fechadura? Não me lembro. Apenas me lembro das duas moedas.

Levado por um colega lá fui apresentar queixa à polícia. Primeiro, pareceram hesitantes: era eu o dono do carro? de certeza? podia provar? tinha os documentos? tinha bilhete de identidade? Achei melhor contar-lhes a história. A partir daí foram compreensivos. Os carros patrulha foram notificados no melhor estilo " Tango, daqui fala Charlie", com a matricula a ser divulgada com efusivos "tereeees", "dois", "traço", "tereeés","quatrrro", "traço" ,"Otelo","zorro". Otelo? Mas matrícula termina em HZ, pensei...se calhar ouvi mal, se calhar terá dito "Hotel". A seguir o chefe aproveitou logo para ensinar ao subalterno como se preenche a "papelada". Pareciam maravilhados com o computador. A determinada altura perguntaram-me o preço do carro. Não fazia a mínima ideia. O carro é de 1997, há tabelas que indicam o preço com base no ano de fabrico, cilindrada, etc. Não deveria a polícia ter uma tabela dessas? Diga um valor qualquer, sugeriu o chefe. É só pra o juíz poder atribuir a pena, explicou. Confesso-vos que não fiquei arrepiado e, após assinar oito papeis: quatro a descreverem a queixa, mais quatro a confirmar que eu tinha feito a queixa conforme constava nos outros quatro papeis, fui-me embora a pensar no que ainda tinha pela frente: É que eram dez da noite e eu tinha deixado no carro as chaves de casa.

O colega deixou-me na estação de comboios. Depois de 20 minutos de comboio, cheguei a estação mais próxima de minha casa, mas, incrivelmente, nenhum dos muitos autocarros que param na estação, passavam lá perto. Todos seguiam direcções que dela se afastavam. Taxis? Nem vê-los. Resolvi ir a pé, mas estava por minha conta e risco pois o caminho, o único caminho, era uma estrada, uma espécie de viaduto, cheia de nós e ligações e sem passeios.

15 minutos a pé, 23h15, chego a casa, quer dizer, ao prédio. Toco para o vizinho. Explico-lhe a situação: sou o seu vizinho...o meu carro foi roubado... nele estavam as chaves de casa. E daí?, pergunta-me ele. Sem saber se deveria sentir-me humilhado ou fazer um cálculo aproximado do QI do meu vizinho, esclareci: Preciso que me abra a porta cá de baixo.

Subo, toco-lhe a campainha, explico-lhe tudo de novo, com muita, muita calma. Peço-lhe, quase suplicando: posso pular da sua cozinha para a minha? É que acho que deixei a janela aberta. Não me conseguiu dizer não.

Pendurado no para-peito do prédio, no 3º andar, agarrado as cordas da roupa, tentando abrir a janela, ainda ouço o meu vizinho dizer: veja lá se cai.

Abri a janela e pulei. Estava em casa. Seguro. Não mais! NO MÁS. Não havia mais nenhum azar que me pudesse acontecer. Erro. Enquanto escrevia este meu drama, a pulseira do relógio cedeu e rasgou-se. O melhor é hoje não cozinhar, não ligar a televisão, desligar o computador e ir dormir.

Fui sortudo, podia ter sido pior, diria, convictamente, um pessimista: O carro podia ter sido roubado comigo lá dentro, a polícia podia ter-me confundido com um criminoso, podia ter tido que esperar 2 horas pelo comboio, podia ter sido atropelado no caminho a pé para casa, o vizinho podia não estar ou decidir não acreditar em mim, a janela por onde entrei podia estar fechada,e pior aínda, podia ter caído do 3º andar do prédio . Sim, podia ter sido pior. Para mim, apenas foi o meu dia... quer dizer, a minha noite de azar.

Notícia do "Público": Intel apresenta novos processadores Itanium 2

A Intel apresentou hoje os novos processadores Itanium 2, baseados na nova arquitectura EPIC (Explicit Parallel Instruction Computing), com tecnologia de 64 bits e vocacionados para grandes servidores empresariais.

O Itanium 2 surgirá com velocidades de 1,6 GigaHertz (GHz) e 9 megabites (Mb) ou 6 Mb de memória cache (memória utilizada como área de armazenamento temporário) L3 (de nível 3), a 1,5 GHz e 4 Mb de cache L3, a 1,6GHz e 3Mb de cache L3, estando previsto um processador Itanium 2 de baixo consumo, a 1,3ghZ e com 3 Mb de cache L3.

Antonino Albarran, responsável da Intel na Península Ibérica, revelou ainda previsões que apontam que na segunda metade de 2005 surja uma nova versão do Itanium, com o nome de código Montecito e será o primeiro processador dual-core, que funciona como se tivesse dois processadores virtuais. O Montecito, que conterá 1,5 mil milhões de transístores, deverá apresentar uma performance pelo menos 50 por cento superior à do Itanium 2 a 1,6 GHz com 9 Mb de memória cache.Adiantou que ainda em 2005 está previsto que a tecnologia dual-core seja introduzida nos processadores Xeon (para servidores mais pequenos), Pentium IV (para computadores pessoais) e Centrino (para portáteis).

A Intel lembra que o Itanium 2 está já a ser utilizado pela agência espacial norte-americana (NASA) num dos mais rápidos supercomputadores do mundo, o sistema SGI Altix, que tem 10240 processadores Itanium 2 correndo o sistema operativo Linux.

fonte: Público

7.11.04

Aldir Blanc

Aldir Blanc é compositor carioca…É poeta da vida, do amor da cidade;
É aquele que sabe como ninguém, retratar o facto e o sonho; Traduz a malícia a graça e a malandragem; Se sabe de ginga, sabe de samba no pé; Estamos falando do ourives do palavreado; Estamos falando de poesia verdadeira…Todo o mundo é carioca, mas Aldir Blanc é carioca mesmo…. É Dorival Caymmi quem está falando….

Dorival Caymmi (introdução do álbum “Aldir Blanc 50 anos”).

Sobre "O mestre sala dos mares", por Aldir Blanc

Fui apresentado ao compositor João Bosco por um amigo comum, Pedro Lourenço, na época estudioso de literatura, arte, etc. Pedro havia feito pesquisas sobre a vida de João Cândido e a Revolta da Chibata. Na mesma época, o MAU (Movimento Artístico Universitário) foi muito influenciado pelo cineasta Cláudio Tolomei, já falecido. Tolomei tinha um projeto de fazer um curta com João Cândido. Formamos uma espécie de quarteto (Bosco, Cláudio, Pedro e eu) estudando e conversando sobre a importância gigantesca da Revolta da Chibata e da figura histórica de João Cândido para a cultura brasileira. Baseados no conhecimento que Pedro e Cláudio tinham do assunto e no livro, um marco, de Edmar Morel, Bosco e eu resolvemos partir para uma estrutura de samba-enredo clássico, que pudesse inclusive ser confundido com os outros sambas-enredos do ano - o que realmente aconteceu e nos emocionou muito. As pessoas ouviam "O Mestre-Sala dos Mares" e perguntavam: "esse samba é de escola mesmo?". Tivemos diversos problemas com a censura. Ouvimos ameaças veladas de que o CENIMAR não toleraria loas a um marinheiro que quebrou a hierarquia e matou oficiais, etc. Fomos várias vezes censurados, apesar das mudanças que fazíamos, tentando não mutilar o que considerávamos as idéias principais da letra. Minha última ida ao Departamento de Censura, então funcionando no Palácio do Catete, me marcou profundamente. Um sujeito, bancando o durão, ficou meio que dando esporro, mãos na cintura, eu sentado numa cadeira e ele de pé, com a coronha da arma no coldre a uns três centímetros do meu nariz. Aí, um outro, bancando o 'bonzinho', disse mais ou menos o seguinte: - Vocês não estão entendendo... estão trocando palavras como revolta, sangue, etc., e não é aí que a coisa tá pegando... Eu, claro, perguntei educadamente se ele poderia me esclarecer melhor. E, como se tivesse levado um telefone nos tímpanos, ouvi, estarrecido a resposta, em voz mais baixa, gutural, cheia de mistério, como quem dá uma dica perigosa: - O problema é essa história de "NEGRO, NEGRO, NEGRO..." Eu havia sido atropelado, não pelas piadinhas tipo tiziu, pudim de asfalto, etc., mas pelo panzer do racismo nazi-ideológico OFICIAL. Decidimos dar uma espécie de saculejo surrealista na letra para confundir, metemos baleias, polacas, regatas e trocamos o título para o poético e resplandecente "O MESTRE-SALA DOS MARES", saindo da insistência dos títulos com Almirante Negro, Navegante Negro, etc. O artifício funcionou bem e a música fez um grande sucesso nas vozes de Elis Regina e João Bosco. Tem até hoje dezenas de regravações e foi tema do enredo "Um herói, uma canção, um enredo - Noite do Navegante Negro", da Escola de Samba União da Ilha, em 1985. Orgulho-me de, por causa deste samba, ter recebido a Medalha Pedro Ernesto, com João Bosco e o próprio Edmar Morel - infelizmente também já falecido - na presença dos filhos de João Cândido.”

Aldir Blanc
Fonte: Boteco virtual do Samba e do Choro

Notícia do "Público" II: Governo francês diz que estado de Arafat é grave mas estável

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Notícia do "Público": Coimbra: Câmara oferece Internet sem fios em dois parques da cidade

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"fuck you all!"

no link que se segue vai um video do reeleito presidente dos E.U.A., após a reeleição. para ver basta fazer um pequeno download.
não comento.

4.11.04

MORREU YASSER ARAFAT (1929 - 2004) ????

INTERNACIONAL
Quinta, 4 de Novembro de 2004 16:39 h



• MÉDIO ORIENTE
Israel anuncia morte de Arafat, PM palestino nega.
O presidente da Autoridade Palestina, hospitalizado há vários dias em Paris, foi considerado clinicamente morto, esta quinta-feira à tarde, noticiou o Canal Dois israelita e a rádio militar de Israel. O primeiro-ministro palestino nega a informação.

3.11.04

Elogio a NY: We shall overcome

Nova Iorque, mesmo depois do que sofreu com o 11 de Setembro, não se deixou intimidar pelo terrorismo e por isso não cedeu ao discurso do medo, não escolheu a demagogia, e não aceitou a defesa da restrição das liberdades individuais. Votou em Kerry.

A América que existe na Nova Iorque de Woody Allen e Spike Lee, que existe nas peças da Broadway e nos clubes de jazz, que existe na Berklee College of Music e na Blue Note Records, que existe na confusão e azáfama de negócios, empreendimentos e ideias frescas que existe no convívio por vezes turbulento mas continuado de várias culturas e religiões, na que existe no espírito académico e de amor à ciência de Bóston, no Massachusetts e ainda na que existe na mega industria de cinema e no espírito de “free will” da Los Angeles, na Califórnia (que até tem o “exterminador” como governador), essa é a América que preenche o meu imaginário. Essa é a América que quis dizer basta de Bush.
A América dos grandes ranchos, com homens com chapéu à Cowboy, ou das cidades construídas por donos de grandes empresas de petróleo , ou a América das cidadezinhas religiosas, ou a América das cidades racistas, essas Américas nada me dizem.

2.11.04

Demasiada Clareza Cega. (carta a Pacheco Pereira)

Pacheco Pereira no post "para que fique claro" escreveu o seguinte:
"Se fosse americano, votaria Bush. Fica dito, até porque é muito possível que ganhe Kerry. Não vale a pena somar muitas explicações ao que tenho vindo a dizer nos últimos anos. Kerry trará confusão e hesitação numa política de guerra que não sobrevive sem determinação. No dia seguinte, os assassinos da Al Qaida e do Baas começarão a retirar as lições e a jogar tudo por tudo no terror. Bush trará excessos e erros, como no passado, mas manterá o rumo numa política que é a única que hoje defronta o terrorismo apocalíptico na sua essência. "
Não consigo entender como é que Pacheco Pereira, um homem inteligente e culto, um homem de letras, que em princípio terá uma natureza mais reflexiva do que intempestiva, consegue escrever o que escreveu. Conseguiria entender o não apoio a Kerry. O que não percebo é o apoio a Bush

Pacheco diz que se fosse americano votava em Bush porque é preciso determinação para que esta política de guerra sobreviva. Mas caro JPP, um homem de letras como o senhor, deverá concordar que a melhor determinação é aquela que nasce não só da reflexão e do conhecimento mas também da flexibilidade e da grandeza de espírito. Nenhum atributo pelo qual Bush será lembrado. Bush não é determinado é sim obstinado e não tem nem nunca terá grandiosidade para reconhecer um erro.

Aquilo que Pacheco Pereira chama de erros e excessos são no mínimo cem mil mortos ( artigo- Mortality before and after the 2003 invasion of Iraq: cluster sample survey– da revista Lancet Medical Journal) ,que não são números, mas pessoas como eu e você. Cem mil por causa de uma mentira. Cem mil por causa de muitos negócios.

Sempre tomei JPP por um homem desprendido de arrogância intelectual. Mas parece-me que com este post, também mostra ter dificuldade em aceitar que errou nas suas teses anteriores e tenta seguir obstinadamente em frente. Só assim consigo perceber que não apoie Santana Lopes e apoie Bush. (são ambos pessoas impreparadas para os lugares que ocupam e demasiado permeáveis a forças e influências perigosas. Bush foi alias inventado por essas forças)

O mundo está melhor, mais seguro depois da invasão do Iraque? Duvido que a sua honestidade intelectual lhe permita responder que sim.

Pacheco Pereira fala da necessidade de vencer o terrorismo apocalíptico. Será que não se apercebe que para o comum cidadão iraquiano ou do mundo arábe, terrorismo apocalíptico é exactamente o que anda a fazer o sr.Bush. Ou será que a JPP isto não lhe interessa porque se trata de ou “nós” ou “eles”? Explique-me por favor.

Bush é tão perigoso e capaz das piores atrocidades quanto Bin Laden. Mas, pelo diferença de poder que um e outro representam, a verdadeira democracia está muito mais ameaçada pelo primeiro do que pelo segundo.
Independentemente de quem ganhar as eleições, regozijo-me pelo facto de que a gigantesca maioria dos intelectuais americanos de todas as áreas do conhecimento humano, (das ciências puras e básicas, passando pelas letras, até as artes) e que representam aquilo que a humanidade tem de melhor, não concordarem com Pacheco Pereira.
Mas se calhar, e será outra justificação, Pacheco Pereira tem um gosto especial em estar contra a corrente, contra o senso comum, contra o politicamente correcto. Só que as vezes- só algumas vezes- o senso comum e o bom senso coincidem. De qualquer forma, Pacheco Pereira deveria ter cuidado com toda essa clareza, essa luminosidade, pois corre o risco de cegar.
Sacha Joffre

Causa Aberta: as minhas causas

Um dos meus blogs preferidos, o "causa nossa" terá o seu primeiroaniversário no dia 22 de novembro. Até lá, quem quiser poderá mandar um mail a dizer quais são as suas causas.
Fiz isso mesmo e, as minhas foram publicadas aqui


1.11.04

"Unspeakable" de Bill Frisell

Para quem estiver a precisar de uma boa dica auditiva, o Horacio faz aqui e também aqui um excelente "review" sobre o último disco de Bill Frisell.

Quanto a mim, digo apenas uma coisa nada original: Bill Frisell é de tal maneira importante na reinvenção da linguagem da guitarra eléctrica que há quem defenda que se pode dividir, em termos estéticos, a história dessa mesma linguagem, em 4 nomes : Charlie Christian, Wes Montgomery, Jimmy Hendrix e Bill Frisell. Significativo não?