31.8.04

Sanguinários (há um link)

O mesmo grupo sanguinário que assassinou o jornalista italiano Enzo Baldoni, na quinta-feira passada, depois de ter dado 48 horas a Roma para retirar as suas tropas do Iraque, ameaça agora matar dois jornalistas franceses se o governo francês não recuar na aplicação da lei que proíbe o uso do véu islâmico nas escolas e liceus públicos em França.

Tinham que inventar uma razão qualquer uma lhes serve. Não lhes interessa quem são as pessoas, o que representam, apenas vêem religião.

Segundo especialistas (ver link) o auto-designado "Exército Islâmico do Iraque" é um grupo radical que nem sequer é iraquiano, composto essencialmente por islamistas sunitas vindos, na maioria, de países vizinhos do Iraque, e sobretudo da Arábia Saudita. Estes grupos radicais têm um objectivo mais concreto: a constituição de um "bloco ocidental monolítico que seria visto como hostil ao mundo muçulmano", o que lhes facilitaria a sua acção junto dos povos árabes.

Ou seja estes assassinos pretendem incluir todos no mesmo pacote, instalando definitivamente o clima de ódio, propicio a “guerra santa” que pretendem inventar.Aproveitam-se da instabilidade e do caos criado no Iraque para isso.

O tiro saiu-lhes pela culatra pois todo o mundo islâmico os condenou:

O líder palestiniano Yasser Arafat foi o primeiro a condenar
Os governos dos países islâmicos (Egipto, Jordânia) condenaram
Na Arábia Saudita, o secretário-geral da Organização da Conferência Islâmica (OCI), Abdelwahed Belkeziz, afirmou que esta tomada de reféns "é prejudicial ao Islão e aos muçulmanos".
O Comité dos Ulemas muçulmanos condenou o rapto
A televisão Al-Jazeera, pela primeira vez apelou a libertação
vários grupos iraquianos apelaram à libertação, dizendo o óbvio: que a execução dos jornalistas só beneficia "o inimigo ocupante".
E até os “ocidentalmente” designados “grupos terroristas” como o Hezbollah e a Jihad Islâmica, condenaram o rapto.

Está rápida resposta do “mundo islâmico” deve-se muito a dois factos:

1º Os jornalistas em causa eram profissionais especialistas no mundo Árabe e respeitados por isso. O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, disse que se tratavam de “dois homens de boa-vontade que sempre mostraram a sua compreensão do povo árabe e o seu apego ao mundo árabe e muçulmano". Yasser Arafat conhece-os pessoalmente desde o tempo em que eles eram correspondentes em Jerusalém e em Amã.

2º A competência diplomática Francesa, que tudo tem feito para mobilizar os líderes muçulmanos lembrando o que atrás foi dito. Mais um ponto em que o governo francês está a milhas de distância da habitual arrogância americana e da patética arrogância italiana.


Os sanguinários, que perceberam que meteram o pé na argola, por agora alargaram o prazo e deram mais 24 horas.

Sinceramente gostava que o Hezbollah e a Jihad Islâmica além de condenarem, lhes dessem a eles 24 horas. Talvez aí voltassem do buraco de onde saíram, com o rabo entre as pernas.



http://jornal.publico.pt/2004/08/31/Mundo/I01.html

http://dn.sapo.pt/noticia/noticia.asp?CodNoticia=168430&codEdicao=1220&CodAreaNoticia=12






Obviamente podia não ser no Afganistão, mas não pude resistir a esta crueldade humorística......
fbonito

Portas disse que o assunto estava encerrado( ver post anterior). Afinal não está

Lusa:
O Presidente da República vai solicitar ao primeiro-ministro "informação completa" sobre os argumentos utilizados pelo Governo para proibir a entrada do barco da associação holandesa Women on Waves em águas territoriais portuguesas. Apesar da decisão, Jorge Sampaio afastou qualquer discordância com o Executivo nesta matéria.

Numa breve declaração aos jornalistas, antes de entrar para o XII Congresso Internacional de Endocrinologia, que decorre em Lisboa, Jorge Sampaio justificou o seu pedido de informação com o facto de ser comandante supremo das Forças Armadas, porque a decisão do Governo implicou meios da Marinha portuguesa.

Comentário: o Sampaio não gostou, obviamente de ter sido mais uma vez ignorado. Não percebe é que é ignorado porque tem feito por isso. Esta atitude mais uma vez é a fingir, para constar.

Comentário: Como já não tem o durão barroso para, em privado, lhe dar umas palmadinhas no rabo, Portas começou a fazer o que quer, e já está a abusar.

Ele diz que está encerrado

notícia do Público: O ministro da Defesa, Paulo Portas, afirmou hoje que a controvérsia em torno do barco da organização holandesa Women on Waves, que o Governo proibiu de entrar em águas nacionais, está encerrada.

"Do ponto de vista do Estado o assunto está encerrado", afirmou Paulo Portas após a cerimónia de tomada de posse do novo director do Instituto de Defesa Nacional, João Marques de Almeida.

Comentário Abre-Surdo: isto soa-me a :
- eh! menino, aqui quem manda sou eu, não tenho de discutir quem tem razão, a discussão acabou, a casa é minha, se não gostas vai-te embora, se não come e cala.

Comentário Abre-Surdo II: do ponto de vista do estado o assunto está encerrado, diz ele - será que o ministro Portas agora é o estado português? Que eu saiba os orgãos de soberania do estado são o Presidente da republica, o governo, os tribunais e o parlamento. Será que Portas conseguiu sequestrar todos eles, para se sentir o orgão transmissor da voz do estado? Este menino faria orgulhoso Salazar.

Soundbytes patrióticos (link)

Notícia do Público:

O lema da sessão de abertura da convenção do Partido Republicano dos EUA foi "uma nação de coragem". Os primeiros oradores no Madison Square Garden de Nova Iorque recordaram todos o ataque terrorista de 2001 e a resposta do Presidente George W. Bush.

Muitos críticos acusaram os republicanos de quererem "colar-se" à memória do 11 de Setembro, agendando a sua convenção para Nova Iorque numa data muito próxima do terceiro aniversário do ataque terrorista. Os republicanos não têm vergonha de admitir que o 11 de Setembro estará no centro da sua convenção.


Comentário: Como previa, já começaram os soundbytes patrióticos


Alguns puritanos americanos ficaram escandalizados porque a Senhora Kerry disse Shove It.  Posted by Hello


EUA: ainda há "medalhas" em disputa Posted by Hello

O que se pode esperar de John Kerry

Ponto prévio: acho que não há nenhum ponto de comparação entre Kerry e Bush em que este último possa sair vencedor. (excepto, claro em relação a riqueza)

Kerry é um homem e um político sério, que pretende produzir uma discussão elevada e lançar no debate os temas importantes interna e externamente. Tem um passado primeiro de serviço militar cumprido com honra e prestígio e depois, corajosamente um passado de contestação da guerra onde, apesar de ter sido considerado um herói, se sentiu Kerry um peão.

Bush é um homem medíocre que se não fosse o dinheiro do pai não teria chegado nem a presidente da associação de alcoólicos anónimos lá do bairro. Não pretende discutir de forma séria nenhum tema, porque sabe que não é capaz. Nos debates vai recorrer a um “update” dos slogans e frases feitas redutoras que vem usando desde os debates com Al Gore. Bush percebeu nessa altura que grande parte do povo americano estava-se nas tintas para um debate sério. Queria circo e Bush deu-lhes circo e ganhou (na realidade até perdeu, mas o facto é que é o presidente americano)

Kerry, porque é demasiado sério, corre o risco de ter o mesmo destino de Gore.

Porque é mais inteligente, mais humilde e mais perspicaz que Bush, os EUA e o Mundo serão (um pouco) melhores se Kerry ganhar. Mas dito isto, acho que pouco mais podemos esperar. As politicas externas serão um pouco mais dialogantes, um pouco mais flexíveis, (a posição sobre Kioto será provavelmente revista) mas o unilateralismo continuará a existir, como existia nos tempos de Clinton e da Sr.ª Albright, (estão lembrados ou não?). As políticas sociais americanas vão provavelmente melhorar (um pouco) mas não se espere que os Estados Unidos passe de repente a ser o Canadá em termos de direito a cuidados de saúde e educação. Finalmente os grandes interesses económicos encrostados nos alicerces mais profundos da casa branca não serão grandemente contidos.

No fundo comparar Kerry a Bush é comparar uma direita (se preferirem, um centro) mais moderno, moderado e inteligente e com alguma (insuficiente para mim) preocupação social com uma direita radical, arrogante, belicista que não tem nenhum plano de fundo para o povo do seu país.

Comparar a política de Kerry com a de Bush, será mais ou menos como comparar Tony Blair a Margareth Tatcher, ou se preferirem, será como comparar Cavaco ao mostro das 3 cabeças (Leia-se: o governo de Barroso, Santana e Portas).

Dito isto e estando a democracia americana restrita a dois partidos um de direita e outro de centro, espero obviamente, mas sem grande entusiasmo, que Kerry ganhe.


e os taxistas também não Posted by Hello


New York não os quer lá Posted by Hello


vai ser só sorrisos a convenção republicana. Pergunta Abre-Surda: Riem-se porquê? Resposta Abre- Surda : porquê sabem que se vão safar. Posted by Hello

30.8.04


o boneco é simpático: nem trabalho, nem economia Posted by Hello

Mais 1,3 milhões de pobres nos Estados Unidos em 2003 (link)

O Gabinete do Censo dos EUA divulgou que em 2003 havia 35,8 milhões de americanos abaixo do nível de pobreza - um aumento de 12 por cento em relação a 2002. A percentagem de americanos sem acesso ao sistema de saúde aumentou também, em 15 por cento. Os dados do Censo mostram que 12,5 por cento da população dos EUA vive abaixo do limiar de pobreza; este número inclui 12,9 milhões de crianças. Foi o terceiro ano consecutivo em que este número subiu - ou seja, desde que Bush chegou à Casa Branca, todos os anos há mais americanos pobres.

2003 foi também foi o terceiro ano consecutivo em que o número de americanos sem um seguro de saúde aumentou; como não há um sistema de saúde público a nível nacional nos EUA, não ter um seguro pode significar grandes dificuldades no acesso a cuidados médicos.

Comentário: Hoje que começa o circo republicano (após o circo democrata), gostaria de ver Bush falar sobre estes factos, indesmentíveis, publicados por uma agência neutra. Sei no entanto que vou sair defraudado, Bush vai preferir as frases feitas, o levantamento de suspeitas sobre o "heroismo" de kerry, as histórias dos swift boats no vietname e outras palhaçadas semelhantes. Sinceramente, prefiro ver o Tonigh Show. John Stewart, pelo menos têm um sentido de humor mais requintado.


e mesmo no "ABRUPTO" de Pacheco Pereira....

UMA CARA ESTUPIDEZ

Mas que cara estupidez é essa de ter dois barcos de guerra a controlar um pequeno barco, só para fazer figura? Não estou aqui a discutir a decisão de impedir o barco de atracar, que é uma outra questão. Só pergunto se não há outros meios mais baratos e discretos de controlar um barco nas águas internacionais. É que este espavento, (caro, insisto), é uma marca de água do ocupante da Defesa, que envergonha os militares sob sua alçada. Show off.

UMA PERIGOSA ESTUPIDEZ

As revistas feitas pela Polícia Marítima a um barco português só se justificam caso haja séria suspeita de que este esteja envolvido numa actividade criminosa. Não se fazem revistas a um barco (ou a um carro, ou seja lá o que for) para intimidar as pessoas que lá vão. As forças armadas portuguesas não podem ser usadas para acções de intimidação contra cidadãos que não estão a violar nenhuma lei, mesmo que não se concorde com as suas acções e opiniões. As forças armadas portuguesas não podem ser usadas para servir de cobertura a encenações políticas. O Presidente da República é posto directamente em causa se não fizer ou disser nada.

Que os radicais “fracturantes” das organizações do Bloco de Esquerda trouxessem cá o barco para organizarem uma operação de propaganda usando a “causa” do aborto, vá que não vá, estão no seu papel. (...)

Agora que o governo português resolva actuar como um espelho do Bloco, como um grupo radical de sentido contrário, com todos os tiques do radicalismo ideológico, com a agravante de abusar dos meios do Estado, é que coloca uma questão muito mais grave do que o folclore do barco(...)



Na "causa nossa", texto de vital moreira: Soberania nacional !?

Invocar razões de "soberania nacional" para proibir a entrada do barco da organização holandesa Women on Waves nas águas territorias nacionais é perfeitamente ridículo. Um diletante secretário de Estado dos Assuntos do Mar veio proclamar retoricamente que «nós somos um país soberano» (o que soou «nó-chomos um paí-chuberano» na sua super-afectada dicção lisboeta), mas não se deu ao trabalho de explicar em que é que o inerme barco ameaçava a dita soberania. Será que todos os estrangeiros suspeitos de praticarem ou se proporem praticar actos alegadamente ilegais em território nacional ameaçam a "soberania nacional"?! A eventual prática de actos ilícitos é uma questão de polícia e de tribunais, não de forças armadas.
Esta parceria governamental Santana-Portas não tardou em fazer das suas!

Inserido por VM 30.8.04

Programa do XVI Governo Constitucional para a Área da Cultura:

“Só mulheres e homens cultos, capazes de compreensão e conhecimento crítico da realidade, podem exercer, de uma forma responsável, os seus direitos e assumir, plenamente, a sua cidadania.”

E então o Santana e o Portas?

29.8.04

Humor Abre-Surdo: Eu não percebo como é que em Portugal só o Zé Maria se quer suicidar.

O jornalismo e a ignorância

O público, através da sua versão on-line, publicou duas vezes o mesmo disparate:

Tanto no artigo “Proibição do barco da Women On Waves: organizações vão apresentar queixa contra Portugal” (28-08-04) como no Artigo “Barco da Women On Waves está fundeado ao largo da Figueira da Foz” (29-08-04) faz referência a presença no tal navio de uma pílula abortiva RU-486 que identifica como sendo o misoprostol, disponível em Portugal sob o nome citotec.

Na realidade o RU-486 (o RU é uma abreviatura do laboratório que desenvolveu o fármaco) é o mifepristone, pertencente a classe dos antiprogestinicos, enquanto que o misoprostol é um análogo da prostaglandina F. Sendo que, embora ambos se possam considerar fármacos capazes de induzir o trabalho de parto ou o aborto, são completamente diferentes e inclusivamente, em França, têm sido usados em simultâneo, pelas características complementares que têm. Só que no caso do misoprostol, há outras aplicações. Para quem quiser confirmar basta fazer uma pesquisa pelo www.pubmed.com.

Este erro poderá, aparentemente, não ter grande significado para os leigos. Usei-o no entanto para ilustrar o facto de que mais de 50% das notícias que leio sobre ciências biomédicas estarem, se não totalmente erradas, pelo menos parcialmente incorrectas

A pergunta que faço é como posso confiar no público para me dar informação correcta nas matérias de que sou leigo se relativamente as matérias de que percebo um pouquinho frequentemente detecto erros?

O problema é que nos outros “jornais nacionais de referência” o panorama não é melhor

Compositor Edu Lobo deve sair da UTI na proxima semana - 27/08/2004

Edu Lobo, um dos maiores compositores brasileiros vivos, foi internado a 23 do corrrente após uma homorragia cerebral por ruptura de um aneurisma. Foi operado e está em recuperação

Esperemos que corra tudo bem.

Da ciência ao inefável

Blade Runner é sem dúvida um filme excelente, não só pela sua originalidade, mas principalmente pelas questões que levanta. Mais do que um filme de ficção, é para mim um filme que levanta questões filosóficas curiosas: como seríamos, o que faríamos, se soubéssemos a hora em que morreríamos.
Apesar das pessoas se referirem muito no 2001: Uma Odisseia no Espaço à questão da dialéctica homem-máquina . O que me ficou, e que guardo em mim, é o enorme silêncio do filme: a presença do inefável na humanidade.


Assim Habito
Horácio

Cientistas Elegem "Blade Runner" Melhor Filme De Ficção Da História

O clássico Blade Runner - O Caçador de Andróides, do diretor britânico Ridley Scott, foi eleito o melhor filme de ficção científica de todos os tempos por 60 dos mais importantes cientistas do mundo, consultados pelo jornal britânico "The Guardian".

Em sua edição de quinta-feira, o "The Guardian" publica os resultados da pesquisa feita com renomados cientistas, entre eles o biólogo britânico Richard Dawkins e o psicólogo canadense Steven Pinker.

Em "Blade Runner", filme produzido em 1982, um policial aposentado, interpretado por Harrison Ford, persegue andróides assassinos, chamados de "replicantes", em uma Los Angeles do futuro.

"Blade Runner é o melhor filme já feito", opinou Stephen Minger, biologista especialista em células-tronco do King's College London. "Estava à frente de seu tempo, e a premissa da história --o que é ser humano e quem somos nós, de onde viemos-- é uma das questões mais antigas da humanidade", afirmou.

Chris Frith, do Instituto de Neurociência Cognitiva na University College, em Londres, declarou ter ficado impressionado pelo modo como o longa-metragem usou a ciência como parte integral de sua narrativa. O teste de Voight-Kampff, por exemplo, é usado pela polícia no filme para diferenciar andróides de humanos. "O teste de Voight-Kampff não está muito distante das coisas que os profissionais de neurociência cognitiva estão fazendo atualmente", disse Frith.

O filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, ficou em segundo lugar, seguido de Guerra nas Estrelas e O Império Contra-ataca, os dois primeiros episódios produzidos da trilogia de Star Wars, dirigida por George Lucas.

Alien - O Oitavo Passageiro, O Exterminador do Futuro e Matrix também estão entre os dez melhores filmes escolhidos pelos pesquisadores.

Além disso, os cientistas elegeram o americano de origem russa Isaac Asimov como seu autor preferido em ficção por sua trilogia O Homem Bicentenário, A Fundação e a Terra e Eu, Robô. Este último acaba de ser adaptado para o cinema.

"Diferentemente de muitos escritores de ficção científica, Asimov soube como explicar a ciência e foi um grande divulgador da verdadeira ciência", declarou ao jornal Mark Brake, professor de ciências da Universidade Glamorgan.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u46954.shtml

Retrato instantâneo do País visível

Eis o retrato do país que se têm:
-Um presidente que acha que é a rainha da Inglaterra,
-Um Primeiro-Ministro impreparado em quem ninguém votou, mas que, segundo o Primeiro-Ministro anterior é uma mistura (que se espera profícua) de Zandinga com Gabriel Alves,
-Um Procurador-Geral da Republica que se devia investigar a si próprio ou então demitir-se ou ser demitido,
-Um Ministro da Defesa que sonha com um submarino para poder defender Portugal afundando navios de instituições perigosíssimas como a...Women on Waves
-Um Governo que precisa de 4 ministros (defesa, saúde, obras públicas e administração interna) para .... violar as leis comunitárias da comunidade a que pertence.

Ah! E já me esquecia de "grandes figuras" do pensamento político nacional com Alberto João "EstaTudoGrossoOuQuê? Jardim, recordista no numero de eleições vencidas e campeão de danças e discursos carnavalescos e José "citações" Sócrates, o “mui culto” futuro Sec.Geral do maior partido da oposição e (in)consequentemente candidato a Primeiro-Ministro.

Tristeza.


Humor Abre-Surdo: Portas não gosta de Women...on Waves, Santana normalmente prefere Women on high heels

desculpem lá a piada....não consegui evitar

Ridículo II

Ainda sobre a decisão de impedir a entrada do Navio da organização Women on Wave de entrar nas aguas nacionais vou reter-me as palavras de António Marinho, jurista de Coimbra e candidato a Bastonário da Ordem dos Advogados nas declarações que prestou a agência Lusa:

Uma "prepotência à maneira do doutor Salazar".
“O Executivo não pode ultrapassar a legislação comunitária, pelo que a organização holandesa tem "todas as condições para contestar a medida".
"Isto é um acto de força. Quando não se tem a força do Direito, tem-se o direito da força"
“Nem a Irlanda nem a Polónia impediram a entrada do barco” porque sabem que "Sobre a vontade política dos governantes deve prevalecer o Direito e, neste caso, o direito comunitário", pelo que a decisão governamental viola a lei e serve apenas para cobrir Portugal, o Governo e os portugueses de ridículo”

Ridículo

A chegada do barco da organização Women on Waves, está a ser acompanhada, segundo o ministro dos Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva, pelo Primeiro- ministro e pelos ministros da Defesa, Administração Interna, Saúde e Obras Públicas.

Cinco. Cinco ministros são necessários para "responder" ao assunto da chegada da "Women on Waves". Uma Palhaçada. Ou como diria uma amigo do Abre-Surdo: Paz a mais.

A verdade de nada, por Ruben de Carvalho

Ainda sobre a "Visionária" entrevista de Santana, vale a pena ler a verdade de nada, por Ruben de Carvalho no DN.

Nova acessora de imagem de Santana mostra “trabalho”

Três mil euros mensais sempre é dinheiro, por isso a nova Acessora de Imagem tinha de começar a mostrar trabalho.

Sabendo que não foi só para fazer um “update” da imagem de galã que Santana a contratou, a acessora resolveu que deveria transmitir uma imagem de um homem tranquilo, culto e ponderado, enfim o que se espera de um estadista. Assim lá aparece o Santana, primeiro a ler o Le Monde, depois sentado num banco de pedra, lê no jardim um livro grosso e finalmente, na pagina 37, uma resma de papelada".

A entrevistadora, Áurea Sampaio, também não se poupa nas “ajudinhas” e escreve logo na introdução “De fato azul escuro, camisa e gravata ton sur ton azul, parece cansado e mais magro. Mas é, sem dúvida, um homem mais calmo que, ao longo de quase três horas, vai respondendo, sem evasivas, a todas as questões”. Será que Áurea ainda espera fazer “uma perninha” como Acessora de Comunicação do Primeiro-Ministro antes do final da legislatura?

Dentre os mais pacientes cientistas, aqueles que estiverem interessados em estudar o espécime que ocupa o topo da cadeia alimentar dos animais políticos portugueses poderá faze-lo clicando no título.

26.8.04

formas automáticas

Eles jamais dizem não!
Jamais pedem perdão

Bebem, comem
Cospem e seguem
Sem não!
Sem fim

Sobre a areia branca
Sob o céu, sob o sol
Seguem sem um senão
Atropelam doentes e sãos
Sem não!

Para onde vão
Em vão penso que vão!
Não há quem diga não!

Então que sigam em vão
Que eu digo não!
Não vou, nem sigo

Vão, que eu digo não!


por Willie Mays

O Teletransporte Deixou De Ser Ficção Científica, Para Se Tornar Real.

A primeira experiência aconteceu recentemente em Viena, na Áustria, fora do ambiente de laboratório. Cientistas austríacos do Instituto de Física Experimental de Viena conseguiram teletransportar certas propriedades físicas de partículas de luz de um lado do Rio Danúbio para outras partículas a 600 metros de distância, na outra margem do rio.

Os cientistas conseguiram transportar informação quântica por cabos de fibra de vidro de 800metros de comprimento, cruzando transversalmente um canal do rio Danúbio e cobrindo uma distância de 600 metros em linha recta. A experiência dos investigadores, liderados pelo professor catedrático Anton Zeilinger, obteve um novo recorde de teletransporte de fotões cruzados fora do laboratório. O que aconteceu não foi a passagem dos fotões de um lado para o outro do rio, mas sim o teletransporte do estado quântico de um para outro, ou seja, como se o comportamento de uma pessoa passasse instantaneamente para outra. Os mesmos investigadores já haviam realizado antes o feito, mas em laboratório, tornando agora real e pela primeira vez o teletransporte quântico, sujeito a flutuações de temperatura, assim como a outros factores ambientais.

A experiência, segundo Zeilinger, baseia-se no fenómeno dos “fotões cruzados ”, descrito por Albert Einstein como o “efeito fantasmagórico à distância ”. Este não é mais que um efeito de mecânica quântica que não é comparável com nenhum fenómeno do mundo de dimensões correntes, dado que os dois fotões associados, enviados em direcções opostas, permanecem ligados entre si. Depois de determinada a polarização de um dos fotões, pode contar-se que o outro tenha a mesma polarização, mesmo estando afastado do primeiro.
A transferência do estado quântico exacto de uma partícula para outra leva os cientistas a dar um novo passo no transporte de matéria, apesar de não ser ainda claro até onde se pode ir com esta experiência, uma vez que, do ponto de vista teórico, é possível abranger uma distância de vários quilómetros desde que se consiga renovar o cruzamento de fotões, demonstrado agora por Zeilinger e a sua equipa. Por ser um terreno novo ainda, os cientistas estão a sondar os seus limites. Mesmo assim, ainda não se sabe até que ponto será possível um dia transportar objectos como acontece nos filmes de ficção científica do género da série “Star Trek ”. Os fotões cruzados têm já aplicações na criptografia, de forma a defendê-la de qualquer intercepção e sendo possível a sua aplicação na comunicação entre computadores quânticos, que não existe ainda.


Uma Experiência Fantástica

Carlos Fiolhais, professor catedrático da Universidade de Coimbra, manifestou-se sobre a experiência, considerando-a fantástica, uma vez que nem mesmo o prémio Nobel Albert Einstein acreditava nesta experiência, considerando-a algo impossível. Afinal, até os grandes sábios se enganam. Fiolhais considera que esta experiência pode mesmo levar o seu colega Zeilinger a receber um prémio Nobel. O cientista português afirma
que ainda é cedo para um cenário do tipo da série “Star Trek ”, mas adianta que “o princípio já aqui está, pois não se faz o teletransporte com matéria, mas sim com luz ”.


À Prova de Intercepção.

No futuro espera-se que esta técnica permita o transporte de informações totalmente à prova de intercepções e escutas, para além de outras aplicações.
“Demonstramos o teletransporte quântico a grande distância e com alta fidelidade sob condições reais fora de um laboratório ”, afirmam os investigadores no seu estudo, publicado na semana passada na revista Nature' .Em Abril passado a equipa já havia realizado uma transferência bancária com criptografia quântica, baseada no teletransporte quântico.Rupert Ursin, da Universidade de Veneza, co-autor da experiência no Danúbio afirmou que havia muitos que “acreditavam que os sensíveis estados quânticos não podiam ser transferidos sob condições reais ”.


Fotões Cruzados

Os estudos baseiam-se no fenómeno dos fotões cruzados, descrito por Einstein. Consiste num efeito de mecânica quântica segundo o qual dois fotões emparelhados e enviados em direcções opostas mantêm comunicação entre si. Se for determinada a polarização de um deles, o outrovai comportar-se da mesma forma.
Para os cientistas, o transporte de pessoas e objectos não parece possível, mas o teletransporte quântico pode vir a ter um papel importante no futuro das telecomunicações.


Teletransporte de Pessoas

Consiste no deslocamento de uma pessoa, objecto ou partículas de um lugar para outro, transpondo a barreira do tempo-dimensão-espaço. Apesar dos cientistas imaginarem como teletransportar pessoas, parece mesmo ser difícil concretizar essa experiência. Na realidade o que viaja pelo espaço são as informações sobre o comportamento das partículas que formam um átomo do corpo humano. O teletransporte de humanos parece que vai permanecer um privilégio das personagens das séries de ficção científica, já que os cientistas são cépticos quanto à possibilidade de desmaterializar uma pessoa num lugar e rematerializá-la noutro.
O domínio do teletransporte de átomos é a peça que faltava para tornar real a teoria da computação quântica, que promete converter os computadores actuais em carroças. Transferir o estado quântico de uma partícula para outra, como revela a experiência dos investigadores austríacos, é o mesmo que transmitir dados entre dois pontos. O teletransporte poderá vir a substituir os microprocessadores actuais que operam por transmissão eléctrica. O objectivo é tornar os computadores milhões de vezes mais rápidos.
Estes computadores permitiriam analisar sistemas complexos e concluir de forma rápida os cálculos que hoje demoram dias. Uma das aplicações é no conhecimento das moléculas de ADN, sistemas extremamente complexos. Os resultados poderiam ser utilizados, por exemplo, no campo da engenharia genética e medicina.
Outra das aplicações seria a transmissão de dados cem por cento segura. Por exemplo, ao enviar o número do cartão de crédito pela Internet, os dados seriam teletransportados directamente para o destino, sem possibilidade de intercepção das informações, como já referido. O teletransporte é uma grande conquista tecnológica, que vem abrir novos caminhos e descobertas.

Fonte: http://www.cienciapt.net/

“usually what happens with me if I’m affected by something, by anyone, I take it and I absorb it and it goes to my own world.”

LYLA de Avishi Cohen Posted by Hello


O último álbum de Avishai Cohen é excelente, vale mesmo a pena ouvir. Avishai aparece novamente como baixista, pianista, vocalista, compositor e produtor, mas desta vez ,e pela primeira vez, pela editora Razdaz label.

“Perhaps more significant, the album encapsulates a host of influences and instrumentations, providing a panoramic snapshot of Cohen's emerging oeuvre.” JazzTime- America´s Jazz Magazine

“A big talent, but searching for a path.” Guardian

Aqui vai um pequeno historial do percurso deste grande Baixista e compositor:
Born and raised in Israel, Avishai Cohen has often combined Middle Eastern and Israeli music with both electric and acoustic jazz. Cohen began studying the piano at age 11 and was 14 when he became interested in jazz. After playing piano in a high school jazz band, Cohen switched to the electric bass and soon fell in love with the music of Jaco Pastorius. Cohen was 16 when he enrolled in the Music & Arts High School in Jerusalem, and as a young adult, he played a few local gigs in Jerusalem before being drafted into the Israeli army. When Cohen's two years in the military ended, he was able to concentrate on jazz once again and decided to try the acoustic bass, which became his main instrument for much of the 1990s. In 1992, Cohen moved to New York without having any real connections there, and ended up paying the rent doing moving and construction work. But after making some connections in the New York jazz scene, Cohen went on to play live gigs with such notables as Ravi Coltrane, Wynton Marsalis, Joshua Redman, Paquito D'Rivera, Roy Hargrove, and Leon Parker. One of his most fruitful associations was with Panamanian pianist Danilo Perez, who employed him on his 1996 session, Panamonk. After coming to the attention of Chick Corea and his longtime business partner, Ron Moss, Cohen was signed to their Stretch label and recorded his first album, Adama, in 1997. The following year, Corea hired Cohen to play in his newly created acoustic outfit, Origin. Colors was released in mid-2000. ~ Alex Henderson.

Entrevista com Avishai Cohen:
http://www.allaboutjazz.com/php/article.php?id=561

Assim Habito
Horácio

25.8.04

Notícias de Luanda # 2: Exposição fotográfica

Segundo o site AngolaPress, duzentas-e-cinquenta fotografias, que retratam a trajectória de José Eduardo dos Santos (JES), estão expostas desde a tarde de hoje, na sede do Governo da Província de Luanda. A referida exposição foi promovida pelo Comité Provincial de Luanda do MPLA, no quadro das actividades alusivas ao 62º aniversário de JES. A mostra referencia a sua participação na luta de libertação, os tempos de estudante bolseiro em Baku (Azebaijão), onde viria a formar-se em engenharia de petróleos, bem como momentos de laser por exemplo como integrante do então agrupamento musical "Nzaji", de que foi um dos esteios.

Comentário Abre-Surdo: Essas fotos são um pouco antigas, faltam evidentemente as outras 250 fotografias, ilustrando os outros e mais recentes "talentos" presidenciais. Alguém as tem?

Notícias de Luanda : Voto de encorajamento

Notícia da AngolaPress: A Selecção paralímpica angolana recebeu hoje um voto de encorajamento da Assembleia Nacional, pelo Presidente da mesma, Roberto de Almeida.

Comentário Abre-Surdo: Tendo em conta o estado do país e a gravidade das suas deficiências, talvez devesse ser ao contrário: os paralímpicos darem um voto de encorajamento à Assembleia Nacional.

Os iraquianos não contam II

Tomei conhecimento, através de um “post” de Vital Moreira (VM) no blog “causa nossa” intitulado "Os iraquianos não contam", de que o jornal Expresso, no fim-de-semana passado trazia a noticia de havia mais gente a morrer nas auto-estradas portuguesas do que na guerra do Iraque. Para piorar percebe-se, pelo desenvolvimento da notícia, que o numero de iraquianos mortos não foi contabilizado na “estatística” da comparação, apenas os soldados americanos e aliados que morreram.

Fiz, através de um e-mail um comentário para VM. para quem quiser ler o título é o link

24.8.04

Vale a pena Ler : Os iraquianos não contam, por Vital Moreira (no bloq causa nossa)

Há muito que o expresso deixou para mim de ser a referência que em tempos foi. Mas isto é horrível, uma vergonha, como é que a radacção do Expresso sai-se como uma notícia deste genero. E o "visionário" Arquitecto Saraiva? aprovou a notícia?


Francis Obikwelu: tranquilo, simpático e humilde Posted by Hello

Obikwelu e os jornalistas televisivos

A maneira como os jornalistas televisivos portugueses têm feito as reportagens sobre o Obikwelu é um espelho do patético da mesquinhez que anda por aí. O que interessa é sentirmo-nos também vencedores com o sucesso dos outros. E não basta que esse outro homenageie a bandeira nacional, prestigie o desporto nacional. Não. É preciso mostrar que somos mesmo bons, tanto que tivemos visão para aproveitar um “desgraçado” que estava “magrinho” trabalhava nas “obras” e sentia-se muito sozinho e triste. É preciso mostrar “ a mãe adoptiva portuguesa” (querem maior simbolismo do que esse?) o “Pai adoptivo português” etc., etc. A mensagem subliminar é mais ou menos esta: Foi Portugal, Nação generosa, visionária e grandiosa que foi arrancar Obikwelu de um destino cruel e leva-lo ao colo até ao podium dos jogos olímpicos de Atenas.

Ora se eu não eu estou enganado parece-me que foi Francis Obikwelu e o(s) seu(s) treinado(res) que, através de considerável talento, abnegado trabalho e grande motivação, levaram a bandeira portuguesa ao podium e não ao contrário.

Os portugueses podem e devem sentir-se felizes com o resultado de Obikwelu, por ter sido um português (orgulhoso por sinal) a alcança-lo. Só isso. Ponto Final.

Obikwelu e os jornalistas ciumentos

O Obikwelu parece ser um indivíduo simpático e humilde. Por isso mesmo, além de ser português e nigeriano, gostei de vê-lo intrometer-se no meio dos três atletas americanos, qual deles o mais arrogante.Mas é preciso não só ser-se muito simpático mas ter muita paciência para aturar os jornalistas portugueses que mais pareciam uma namorada adolescente ciumenta
a perguntar de quem ele gostava mais se de Portugal ou da Nigéria:
- ainda gosta da Nigéria?
- Não, eu só pensa em Portugal
- De certeza? Não pensas nem um bocadinho na Nigéria?
- Não, Portugal querida, eu amar-te muito, eu só pensa em ti, já forget Nigéria
- Espero bem que sim, essa Nigéria só te fez sofrer, eu é que te dou amor e carinho, por isso pensa só em mim, sim?
- Sim, Claro
- Mas de certeza que já a esqueceste, olha que eu sei que essa Nigéria é uma negra linda
- Eu já não querer saber de Nigéria. Zangado com Nigéria
- Mas amas-me mesmo ou estás só a vingar-te da Nigéria?

Enfim, as vezes, nada como uma namorada ciumenta para destruir um amor.

23.8.04

A Professora Bonifácio e o José Manuel “dos paradigmas”

A 15 de Agosto “O Público” “presenteou-nos” com um artigo da Profa. Fátima Bonifácio que mais parecia uma sessão de psicoterapia. A Professora confessava as suas frustrações, mas talvez para se sentir melhor consigo mesma, generalizava-as a todos os professores universitários. A Profa. está frustrada e cansada, mas será que é só da tarefa hercúlea de ensinar a uma “massa de alunos acéfalos” como ela diz? Parece-me que não. O sinal mais nítido de cansaço de um professor é quando ele deixa de ter interrogações, porque isso significa que deixou de pensar e então já não ensina, debita. No artigo em causa não há uma interrogação, uma dúvida, apenas uma certeza: “a culpa é dos alunos, são uns preguiçosos e não querem aprender, apenas passar”. Esta “verdade” deve ser tremendamente reconfortante para a Profa. Bonifácio só que aquilo que a Profa. acusa os alunos – de que “que raramente levantam uma dúvida pertinente” -é exactamente o que ela faz.

A Profa. Bonifácio manifesta um nítido desprezo pela maioria dos mais interessantes conceitos pedagógicos. Por isso, sou capaz de apostar que, na sua carreira docente de 25 anos, nunca tirou um curso, nunca fez um estágio nunca foi a um congresso de pedagogia. Aliás, cheguei a ouvir um professor universitário dizer que pedagogia é para os professores do ensino primário e secundário. Mas para Profa. Fátima Bonifácio, nem para esses serve. A pedagogia devia ser atirada ao lixo. Pelo menos em Portugal onde, diz ela, “convenci-me ultimamente de que o panorama não melhoraria significativamente nem que os programas e os professores fossem todos excelentes”

Mais triste é que José Manuel Fernandes (JMF), que, sendo mais jovem, não tem a desculpa que ensina há 25 anos, venha apoiar Fátima Bonifácio. É outro que está cheio de certezas e não é capaz de colocar uma interrogação. O seu artigo “Mudar Paradigmas” pode-se resumir a “ a Professora Bonifácio diz, eu concordo”. Depois bastou juntar a palavra “paradigmas” no título e vir escrever que “Sem mudar os nossos paradigmas culturais dominantes, de nada servirá dar mais dinheiro à Educação: será dinheiro desperdiçado” o que corresponde mais ou menos ao “Injectou-se mais dinheiro no "sistema", promoveu-se a modernização pedagógica, reformularam-se os programas e refizeram-se os manuais. Reformas e dinheiro de nada serviram” da Profa. Apenas me interrogo sobre quais terão sido as matérias que JMF leu, além do artigo de Fátima Bonifácio, para sentir-se com conhecimento para concordar ou discordar da Professora?

No dia seguinte (18 de Agosto), como que embriagado pela descoberta da tão pomposa palavra “paradigmas”, eis que JMF volta à carga, com outro artigo intitulado “esquerda e realismo” onde, sobre o socialismo tem esta pérola: “Há pois que mudar de paradigmas e desafiar ideias feitas, algumas das quais se escondem por detrás de um palavreado bonito mas que é, no fundo, contraditório”. Se o palavreado de uns é contraditório, o de JMF é vazio. Desafiar ideias feitas é coisa que JMF há larguíssimo tempo não faz, se é que alguma vez fez

No seu artigo “esquerda e realismo ” JMF, depois de nos enfaticamente comunicar que leu um livro com 1000 paginas divididas por dois volumes - A Esquerda Europeia Ocidental no Século XX", de Donald Sassoon – acha que tem já conhecimento e legitimidade para enunciar, dar conselhos e emitir opiniões sobre os "paradigmas" socialismo. Mas, como diria A professora Fátima Bonifácio, JMF “limita-se a tirar apontamentos nas aulas". A aula neste caso é o livro. O pior é que o livro que JMF escolheu para ler, foi escolhido partindo do seu próprio preconceito, para ter matéria de que falar. JMF leu a contracapa e percebeu que tinha ali matéria para confirmar-se a si mesmo e as suas ideias. Podia assim sentir-se mais seguro e aproveitou a ocasião. Nada de muito difícil, que o obrigasse a pôr em causa as suas convicções.

Será que após ler Donald Sassoom, JMF foi ler Noam Chomsky ou Pierre-André Taguieff, François Chesnais? Não. Claro que não, esses são do “outro campo”, e comenta-los sem à partida se concordar com eles é muito mais difícil e exige vontade de estudar, fazer os “trabalhos de casa”. Talvez JMF ache que é melhor deixar isso para Pacheco Pereira que é “o melhor aluno da turma”.

Sobre fuga aos trabalhos de casa já sabemos a opinião da Professora Bonifácio por isso dou comigo a imaginar que nota daria a Profa. Fátima Bonifácio ao “cábula” JMF, se este fosse seu aluno.

O mais hilariante é que JMF avisa, em jeito de ameaça, que voltará ao tema. Preparemo-nos pois.

Entrevista a Daniel Oliveira

Uma entrevista curiosa.

22.8.04


Noturno Copacabana - novo álbum de Guinga é uma preciosidade Posted by Hello

Novo Album de Guinga - Noturno Copacabana

A motivação para ter dado hoje um pulo à fnac foi o novo álbum do Paulo Flores (com arranjos de Jaques Morelenbaum) de que o camba Victor Hugo tão bem falou. No meio da confusão habitual não encontrei o dito cujo, mas encontrei uma preciosidade (ainda por cima era o único): o último álbum de Guinga. Chama-se Noturno (assim mesmo sem “c”) Copacabana. São 14 temas originais com novos letristas parceiros, como Simone Guimarães, Francisco Bosco, Luís Felipe Gama e Mauro Aguiar. O álbum conta com a participação das vozes de Fátima Guedes e Leila Pinheiro no disco e com reputados instrumentistas como Jorge Hélder (baixo), Carlos Malta (flauta), Armando Marçal (percussão) e Nailor “Proveta” (saxes e clarinetes). Os letristas foram escolhidos a dedo e as letras lembram muito as letras do Aldir Blanc (a mesma pena leve, a mesma "malandragem soturna") sobretudo as letras de Simone Guimarães. Como o título diz a sonoridade é meio nocturna mas os arranjos são impecáveis e Guinga está inspiradíssimo. Em resumo: Um álbum (como diria Caetano) totalmente demais. Quanto ao Paulo Flores? Fica para a próxima

Então e o Sudão?


As notícias do momento são os jogos olímpicos e a "pancadaria" em Najaf (apenas interessante porque há americanos e europeus a morrer). Depois segue-se a pre-campanha e a campanha eleitoral nos EUA. O Sudão? é uma notícia com pouca audiência, talvez lá pro Natal se fale disso Posted by Hello

Noticias da Madeira

A "causa nossa" dá-nos notícias da madeira onde se denunciam, pela voz de Vicente Jorge Silva as tropelias e delírios do inenarrável João Jardim.

Sobre esta "figura impar" da política portuguesa ja aqui disse o que pensava. disse e repito.
http://abre-surdo.blogspot.com/2004/07/mais-uma-jardinagem-de-alberto-joo.html

Abre-Surdo com nova Estética

Estávamos com alguns problemas com as funcionalidades do "Template" anterior, de forma que decidimos muda-lo pêlo que o Abre-Surdo surge com uma nova "estética". Provavelmente será uma mudança temporária, até fazermos um "template" mais personalizado" e sem perder de vista a questão da funcionalidade.

21.8.04

Acerca da questão da "angolanidade" (comentário ao texto do Fernando )

Caro Fernando,

Começo por te dizer que recuso-me normalmente, até pela minha formação, a falar em raça. Quando muito poderemos falar em origens geográficas ancestrais: caucasianos, asiáticos, sub-sarianos, etc.

Vivemos numa época em que quase diariamente somos confrontados com as consequências dos nacionalismos exacerbados, que rapidamente se traduzem em xenofobia e em violência. Quase todos os conflitos a decorrerem neste momento no mundo têm sempre presente (juntamente com a causa religiosa e politica) uma causa nacionalista ou étnica (Kosovo, Sudão, Uganda, Palestina, etc.).

Pelo exposto no paragrafo anterior, digo-te Fernando, que várias vezes me senti espantado e decepcionado com a forma inconsciente como alguns dos compatriotas nossos, estudantes universitários cá, são capazes de fazer comentários depreciativos meramente baseados na questão da cor da pele. Não se apercebem que estão a emitir um preconceito rácico, semelhante em tudo ao preconceito de que muitos deles (de nós) já foram (fomos) vítimas.

A questão dos “angolanos genuínos” “verdadeiramente angolanos” ou qualquer outro tipo de designação semelhante, sempre foi para mim uma questão vazia, daquelas que nem vale muito a pena discutir. Porquê?:

Primeiro porque Angola, como tu bem disseste, foi uma “invenção”. Genuínos apenas podiam ser os territórios do “Reino do Congo” dos “Tchokwe”, dos “Ovimbundos” dos "N´Ganguelas", Etc . Querem os que defendem a distinção entre angolanos genuínos e de segunda) voltar a esse desenho geográfico? Parece-me que não.

Consequentemente e em segundo lugar, sempre vi essa questão como um disfarce para uma vil segregação “rácica”. Assim Eu seria menos angolano que Tu Fernando, por ter a pele mais clara e mesmo assim, Eu angolano de segunda, seria mais que alguém como o Horácio porque a este, simplesmente ser-lhe-ia retirada a nacionalidade porque ele é “branco” (caucasiano como prefiro dizer). Saberão os nossos compatriotas que os nazis faziam algo muito semelhante?

Esquecem-se, muitos dos angolanos que trazem essa questão, que até a bandeira sobre a qual se juntam para congeminar tamanho ultraje, foi conquistada a base de muito sangue derramado que não escorreu apenas de peles negras. Basta que nos lembremos de quem se sentava ao lado de Agostinho Neto e logo ai temos muitas respostas.

Uma das coisas que mais me orgulha na nossa luta de independência foi de que ela (pelo menos a do MPLA) não ter pressupostos rácicos, nem étnicos, mas sim uma concepção profundamente moderna do que devia ser uma nação. (O fracasso da teoria à prática fica para outro post).

Quanto ao que reclamam por haver quem queira adquirir a nacionalidade angolana para obter supostos benefícios financeiros, que se vão queixar ao “nosso desgoverno governante” pois é deste e do seu compadrio, conivência e corrupção que está dependente esta e quase todas as outras questões do país.

Triste é que para alguns angolanos conceitos como a Pan–Africanismo, Unidade Africana, Lusofonia, Igualdade, Fraternidade e Camaradagem não passem de palavras vazias. É desses compatriotas que me sinto distante, irremediavelmente muito mais distante do que de um português, nigeriano, venezuelano ou finlandês que compartilhe comigo alguns destes conceitos.

Quanto a importância que poderia ter para o desenvolvimento de Angola e para todos os angolanos uma imigração criteriosa e de qualidade, estou completamente de acordo contigo.

Quanto a mim, que sou angolano e português (ou será antes português e angolano?) e que se pudesse seria também brasileiro e cabo-verdiano, aqui estarei para ver que país querem os angolanos (ou pelos menos uma parte deles, que até corresponde a uma elite) construir.

Kandando.

Teu camba Sacha, que sonha ser cidadão de um mundo solidário, igualitário e melhor.

Onde começa a Nacionalidade Angolana???

Nota Pévia: A escrita deste texto foi-me suscitada pela resposta ao mail, com o mesmo título, enviado pelo amigo Luís Neto onde ele questiona o conceito de "nacionalidade angolana" e o modo menos transparente como ele entende que alguns cidadãos, principalmente portugueses, têm se tornado cidadãos angolanos.

No final do texto , há um ícone que permite inserir comentários (comments). São bem vindos!


Penso que, mais do que as nossas opiniões e sentimentos pessoais ou dos ditos grupos etnico-sócio-económicos clássicos em Angola, numa questão tão relevante para uma nação como é a questão da nacionalidade, as leis devem ser a bitola. Na obtenção da nacionalidade estão implícitos direitos e deveres indissociáveis do pleno exercício da cidadania como, por exemplo, votar, concorrer a cargos políticos, representar a Nação - aqui o pensamento foge-me para o nosso mais recente patrício Pierre Falcone - o direito à Terra, o direito às riquezas naturais, etc, etc,.

Os historiadores que escreveram a nossa História, dizem que o Reino de Angola foi formado em 1559 (http://imigrantes.no.sapo.pt/page2angola.html) na sequência da visão conquistadora do primeiro português chegado ao Zaire (em 1484), ou seja, já havia Angola? Já havia angolanos? Talvez tenha interesse a discussão......
Depois de 1484 até hoje, todos sabemos, uns melhor e outros pior, o que se passou e o que se tem passado.....

Por razões históricas e em termos puramente racionais e não emotivos, é-me bastante fácil compreender o número significativo de angolanos que adquiriram, têm adquirido e irão continuar a adquirir a nacionalidade portuguesa e vice-versa. Entre eles, acho interessante que quase nunca há abdicação da outra nacionalidade e que quase sempre, na companhia dos compatriotas originais, se diga mal da nova Pátria (Nação).

Os casos dos originalmente angolanos (desde que Angola existe ou desde que Angola é independente?!) adquirindo a nacionalidade portuguesa, durante muitos anos e, após a conquista da nossa independência, foram os mais conhecidos e, bem no início, chegava a haver um certo secretismo da assumpção da vontade e da aquisição da nacionalidade portuguesa por aqueles angolanos que, por motivos consanguíneos ou outros sentiam afinidades com os portugueses e não tanto com Portugal (penso eu) porque esta, enquanto lugar físico-geográfico, apesar de tudo, continuava-lhes distante dos olhos e, quase sempre, do coração.
Muitos diziam e dizem que, além da consanguinidade, sentiram-se também defraudados com a projecto de condução da Angola Independente. Entretanto, hoje sabe-se que o projecto de condução da Angola Independente conseguiu defraudar também as expectativas de uma vida digna para muitos outros angolanos-sem-luso-ascendências a quem já ouvi serem designados de verdadeiros angolanos ou, numa versão talvez mais geneticista, de angolanos genuínos.
Uma particularidade consequente da histórica mistura de povos em Angola é o facto de, hoje, além dos ditos genuínos, termos também, mestiços (e até pessoas de raça branca) que pensam, falam, agem e vivem como ovimbundus, como kimbundos, como kikongos, etc, etc. Ser "visivelmente" mestiço (ter pele clara) em Angola é uma condição suficiente (embora todos saibamos que não é uma condição verdadeiramente necessária) para que se "identifique" um angolano-com-luso-ascendências (não sei se o termo luso-descendente prolifera em Angola). Como repurificar isto?. Pergunto aos defensores (que sei que os há) do regresso da régua e do esquadro (qual Tordesilhas!) para os povos angolanos.

O fenómeno, com visibilidade, de originalmente portugueses a adquirir a nacionalidade angolana tem sido diagnosticado mais recentemente e, frequentemente, entendido com um sentido pejorativo quase unânime até entre os angolanos ditos genuínos e os com-luso-ascendências (alguns já com dupla e até tripla-nacionalidade).
Esses Tugas (aqui, também pode-se ler pulas[1]) só querem o nosso kumbú[2] e por isso agora dizem que são mwangolês[3] !!!!
Dito assim, qualquer pessoa que tenha nascido e crescido num país minimamente organizado poderá, eventualmente, não ver (ou perceber à primeira) qualquer relação do tipo causa-efeito entre ser angolano e ter bué[4] de kumbú. Pois é......
Acontece que a Angola Independente e actual é um país que está "desenhado" e governado (??!) de tal forma que, grosso modo - e todos pensamos, dizemos e comentamos -, nele (País) podem prosperar e ser cidadãos bem sucedidos financeiramente (em Angola é mais doloroso ouvir a máxima: o dinheiro não é tudo!), em primeiro lugar os poderosos de todas as raças e origens (detentores do poder, sobretudo, político) seguidos pelos estrangeiros não-africanos e pelos angolanos e estrangeiros que, em todos aspectos, mais se pareçam com estes últimos.

Vivo em Portugal há cerca de 14 anos e, para mim, não se verifica nada de parecido por aqui, isto é, é possível pensar que um angolano se torna português para, em Portugal, facilitar o acesso ao emprego (tá difícil !), aos benefícios sociais e melhorar a qualidade de vida sua família (esteja cá ou em Angola), mas nunca para enriquecer facilmente!! Acho que a governação aqui não permite!
Por outro lado, posso até imaginar, mas não sei qual o real sentimento de um português aldeão e anónimo ou mais urbano como, por exemplo, o Paulo Portas, quando lida com o seu colega de partido de sotaque e origem goesa, Narana Coissorô (reconhecido, entre a classe, como bom parlamentar e docente), ou que lhe irá passar pela cabeça se o Francis Obikwelo (que se tem mostrado satisfeito pela opção que fez de ser português) ganhar uma medalha nos jogos olímpicos de Atenas. O mundo também pode ser complexo!

Eu sou só angolano. Ainda. Como, de alguns anos a esta parte, tenho reconhecido em mim uma certa incapacidade (as vezes, frustrante) de, ao contrário de outros, amar cega e loucamente a Pátria, neste momento não me sinto capaz de fazer juras de que morrerei apenas angolano nos papéis. Aliás, creio mesmo que, nos dias que correm, não é muito fácil para qualquer pessoa de qualquer nacionalidade afirmar tal coisa com uma convicção inabalável. Tenho como exemplo, entre outros, a recente aceitação, por respeito, deferência e reconhecimento mútuo que o originariamente alemão treinador de futebol, Otto Rehhagel, fez da oferecida nacionalidade grega depois dos seus feitos relevantes em prol dos cidadãos gregos.

Por defeito de formação e de profissão tenho o gosto em lidar com números. Também há os factos. Isto porque o que direi de seguida pode parecer cru e cruel; Se se pensar que Angola é país com mais de 1 milhão de metros quadrados, com uma população de cerca de 11 milhões de habitantes, os mesmos que tem Portugal (país, em tamanho, 14 vezes menor que Angola) que não é um país sobrepovoado, facilmente se conclui que Angola é um país sub povoado.
A Alemanha para renascer das cinzas do pós 2ª Guerra Mundial precisou de mão de obra (de baixa, média e alta qualificação) "importada" o que, depois de algumas gerações deu origem a alemães de várias origens. Os Estados Unidos da América são uma grande nação porque, melhor que todos, sabe absorver pessoas valorosas de qualquer origem: Entre os brasileiros é comum ouvir-se daqueles com origem italiana, japonesa, alemã, nigeriana (o Gilberto Gil muitas vezes retrata-se como um descendente dos yorubas) e outras, referências orgulhosas às suas outras metades do seu brasileirismo. A África do sul, a grande nação próspera e organizada no continente Africano, devido a qualidade e lucidez do seu poder político tem tentado manter elevados padrões de qualidade para uma sociedade construída sob uma estrutura de matriz cultural de origens xossa, zulu, indiana, portuguesa, holandesa, inglesa, etc, etc sob a nova bandeira da África do Sul.
No nosso caso, para termos, em quantidade e qualidade, uma massa populacional crítica e produtiva ao nível daquelas grandes nações, ou começamos já a partir deste segundo a reproduzir-mo-nos a velocidade dos coelhos (e mesmo assim não sei se vamos a tempo) ou então teremos que receber outras gentes que se empenhem, conosco, na reconstrução de Angola e que sintam este esforço como um bem que seja comum a eles e seus filhos, com todos os direitos e deveres. Isto só é possível se sentimental e legalmente (juridicamente) se sentirem angolanos, isto é, adquirindo o direito a nacionalidade.

Acho que é tão grande a nossa empreitada que só os ditos genuínos e os luso-descendentes não serão suficientes.

Voltando a questão puramente legal (jurídica), numa pesquisa na Internet foi-me possível dar conta que existe uma lei portuguesa actualizada disponível para quem quiser:
Lei da nacionalidade portuguesa:
http://www.verbojuridico.net/legisl/outros/nacionalidade.html
Alteração à Lei da Nacionalidade Portuguesa, 2004:
http://www.portolegal.com/Nacionalidade2004.htm

No caso angolano não encontrei nada on-line com o formato de Lei.
Parece-me que tudo irá passar pela implementação da nova Constituição.
Tanto quanto pude me aperceber, nas minhas pesquisas on-line sobre a actualidade em Angola, o processo de revisão constitucuional, neste momento, está num impasse por desacordos entre o MPLA e os partidos da oposição (todos).
O MPLA, que imagino que seja o partido mais militado em Angola tem, no seu site: http://www2.ebonet.net/MPLA/, no Projecto de Constituição, no Artigo 18.º a seguinte visão sobre a questão:

Artigo 18º. (Nacionalidade)
1. A nacionalidade angolana pode ser originária ou adquirida.
2. É cidadão angolano de origem, o filho de pai ou de mãe de nacionalidade angolana, nascido em Angola ou no estrangeiro.
3. Presume-se cidadão angolano de origem, o recém-nascido exposto em território angolano.
4. Os requisitos de atribuição, aquisição, perda e reaquisição da nacionalidade angolana são determinados por lei.
5. Nenhum cidadão angolano pode ser privado da nacionalidade originária

Mas no site: http://www.dhnet.org.br/direitos/cplp/angola/PrincipiosFund.html referente aos Princípios Fundamentais a ter em Conta na Elaboração da Futura Constituição de Angola, no ponto 15.º, fica a idéia de que, em Angola, os conceitos sobre nacionalidade ainda não estão bem definidos.


[1] Calão muito utilizado entre os angolanos para se referirem às pessoas de raça branca.
[2] Dinheiro.
[3] O mesmo que angolano. Não estou certo mas parece-me que origem da palavra é kimbundu.
[4] Muito.

20.8.04


Vale a pena ouvir Boi akih
Monica Akihary (vocal)
Niels Brouwer (guitar)
Sandip Bhattacharya (tabla,frame drum)
Ernst Reijseger (cello)
http://www.enjarecords.com/cd.php?nr=ENJ-9472 Posted by Hello

Faça uma pausa com KitKat

…Anteontem o telejornal da RTP 1 “noticiou”, na sua abertura, a pausa de Luís Figo. Nada que me surpreenda, infelizmente. Mas ao ver, no dia seguinte, na primeira página do jornal Público o destaque dado a esta, bem como os comentários feitos pelo seu director, José Manuel Fernandes (JMF), fiquei estupefacto.
Será que o director do jornal Público anda a seguir o “paradigma”, palavra que lhe tem sido querida nos seus comentários acerca da educação, dos telejornais generalistas?
Será que o grande drama dos portugueses, e do mundo, é a pausa de Luís Figo?
Caro José Manuel Fernandes, faça uma pausa…

Obs: O Abre-Surdo oferece-lhe o KitKat

Assim Habito
Horácio

18.8.04

Uma gravação Secreta, exclusivo do BDE

No Bloque de esquerda, encontrei esta maravilha, que o ABre-Surdo presta aqui homenagem


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fbonito


Para David, um dos nossos mais fieis visitantes, em jeito de provocação ( o “boneco” é do Quino) Posted by Hello

ilegal

Foge o sentido à lógica
Foge no momento, na hora
Exacta como a palavra

E o sal nas lágrimas
Pouco salgado, húmido
De alegria

Alegria, alegria
Velloso, latino
Lindo, espectáculo

Fogem-me as palavras
Restam emoções
Doces, salgadas

Coração, emoção
Vida enquanto palpita
Mais um amor e beijo
Húmido, salgado e alegria

Veloz

ao Caetano Velloso, veloz


por Willie Mays

O eterno 1 de Abril

Desde que Santana Lopes galgou a montanha do poder, amparado pelo messias José, e ao som da batuta do solitário Jorge que nos enclausurou a todos numa sala de espera antes do espectáculo começar, que acordo todos os dias com a estranha sensação se não estaremos a viver em Portugal um eterno 1 abril. Sufragamos? Não. Mas sofreremos.

Segundo o jornal público: “uma das mais recentes contratações para o gabinete do primeiro-ministro é a ex-relações públicas da revista "Lux", Marta Guimarães, que irá tratar das questões de imagem de Pedro Santana Lopes.
De acordo com nota do gabinete do primeiro-ministro, Marta Guimarães é licenciada em marketing, tem uma pós-graduação em gestão de marketing pela Universidade Católica e até ao momento era relações públicas das edições do grupo Media Capital, a que pertence a revista "Lux". Irá integrar o gabinete de comunicação em São Bento, assim como Margarida Bon de Sousa, ex-jornalista do "Diário de Notícias", e Ana Carreteiro, antiga jornalista e ex-assessora de imprensa do ex-secretário de Estado da Administração Local.
Segundo fonte governamental, Marta Guimarães terá a seu cargo as questões de imagem de Santana Lopes. O gabinete do primeiro-ministro garante que terá as mesmas funções que as restantes pessoas que compõem a assessoria de comunicação. Segundo a tabela de remunerações dos adjuntos do gabinete do primeiro-ministro, Marta Guimarães receberá quase 3000 euros líquidos.”

Hoje é Sexta? Será que estive a ler o Inimigo público?

Assim Habito.
Horácio.

Humor Abre-Surdo: Filosofia de Jogo

Segundo Eduardo Prado Coelho, o novo treinador do Porto, Victor Fernandez é licenciado em Literatura e Filosofia. Está-se mesmo a ver como vai ser a palestra antes dos jogos:
- Nosotros tenemos que hugar, como dizia, Nietsche, para além del bien e del mal.
- Como dizia quem? pergunta o Carlos Alberto
- O Nistelrooy - responde o Jorge Costa – o mister chamou o Nistelrooy pelo diminutivo, são amigos carago!

Aliás, desconfio que Jorge costa lá para meio da época comece a queixar-se de enxaquecas causadas por dificuldade em perceber a filosofia de jogo do treinador. Pudera, é mesmo filosofia.

17.8.04

Amanhã levantamo-nos cedo

Pecaminoso se torna o caminho da escrita que, fadada ao fracasso, ousa em traduzir a vida em palavras: O que diz um beijo? O que diz o sol ao deitar-se? Qual o sabor de uma nuvem ? Qual o cheiro da saudade? Qual a cor do devir? Qual o som da eternidade?
Pouco importa para quem escreve falar de essência, quando é a estética quem ordena —quando é a musicalidade que enche o olhar. O que me traz aqui, o que leva a escrever? Não faz sentido, pelo menos um, que a razão o saiba. A semântica da estética não está em ser a questão, mas a resposta.
As nossas vivências são como uma doce cortesã que nos inicia, e nos incita, por vezes até em sonhos nos excita, para vida; sem ela nada seriamos. Elas são as lentes do nosso olhar. No Abre-Surdo procuramos partilha-las.

Ah, tanto se escreve para adormecer o olhar!

Mas esta sonolência nasceu antes da madrugada. Antes do sol raiar, já o homem, ávido da verdade, havia escoltado os seus segredos para as margens do silêncio.

(H)Á sombra de uma palmeira um homem medita sobre os destinos da humanidade.
Um pouco de sombra não nos faz nada mal. Habitemos.
E qual o pecado da escrita? Ousar.

- Acorda Horácio, já são horas! Amanhã levantamo-nos cedo.

Assim Habito
Horácio.

Ernesto/Horacio

Ernesto (Horacio) "o cosmonauta filosófico" já faz parte deste Abre-Surdo. Bem vindo. Que partilhes conosco as tuas "metafísicas infinitas" em muitos e variados posts. Kandando.

16.8.04


Hugo Chavez Posted by Hello

Hugo Chavez

Quem lesse o publico ou ouvisse o noticiário da sic e da tvi ficaria com a impressão que Hugo Chavez é um ditador, um líder populista, que se mantém no poder pela força da intimidação e que perpetrou uma gigantesca fraude eleitoral. Já sabemos como funcionam os “média” por cá.

A realidade é bem diferente: Chavez foi a eleições duas vezes e ganhou-as. A meio do segundo mandato sofreu uma tentativa de golpe de estado, cujos responsáveis foram amnistiados pelo próprio Chavez. Esses mesmos golpistas, estiveram desde então até agora a conspirar para tirar Chavez do poder. Lembraram-se finalmente de recorrer a um instrumento que sendo democrático precisava da aceitação do próprio Chavez: o referendo. Chavez, corajosamente e mais uma vez concedeu-lhes. Agora que perderam ( Chavez ganhou com 58%) vêm dizer que houve fraude. Fraude? Fez-me lembrar Angola em 92, quando Savimbi disse que tinha havido fraude e que, se houvesse repetição das eleições e ele não ganhasse, era fraude também, e assim por diante, enquanto não ganhasse.

O referendo na Venezuela teve supervisão de várias instituições incluído o centro de Jimmy Cárter, estando o próprio presente. Nenhum deles fala em fraude. Além disso, o referendo foi realizado por votação electrónica, o que obviamente dificulta muito mais qualquer deturpação e torna muito mais exactos os números.

Chavez tem tido, nos últimos 2/3 anos, contra si toda a imprensa venezuelana, o que não espanta, ela é controlada pelos detentores das grandes empresas e das grandes fortunas, ou seja os mesmos que, antidemocraticamente, e com o apoio da CIA, conspiraram para retirá-lo do poder.

E quem apoia Chavez? Aqueles que pouco têm, os assalariados, os desfavorecidos, os que nasceram e viviam esquecidos.

Hugo Chavez é um líder da esquerda bolivariana venezuelana e representa para o povo venezuelano, a esperança e o sonho de uma vida melhor, com mais igualdade e mais justiça. O mesmo que representava Salvador Allende para o povo Chileno. Ou, ainda que de maneira diferente, o que representa Lula para os brasileiros.

O problema é que a história do sec XX ensina-nos que os líderes sul-americanos que pretenderam, tão-somente, introduzir reformas que trouxessem uma melhoria da vida das populações, acabam normalmente depostos e assassinados. É o que tenho medo que aconteça a Chavez.


15.8.04

s.o.s. vida e sabedoria

Seria bom se a morte chegasse sem o recurso ao suicídio; antes da velhice ou antes da exaustão. O grande problema é que a velhice não é senão exaustão e tem como único escape a morte. Assim podemos definir a vida como a grande corrida – às vezes lenta – para a morte.

Vivemos sem um único fim ou objectivo. A vida, se for objectiva, o seu objecto é a morte. A natureza é vida e tem fim. O fim da natureza, aliás como não podia deixar de ser é também a morte. Andamos às voltas para um único fim só desconhecido pelas crianças muito pequenas. Atenção que a finalidade das minhas palavras é exactamente a objectividade da vida, que existindo, é a morte.

Não é aqui objecto a morte, mas a vida. Ao que se resume afinal a vida? Aos dias, ao tempo, aos anos, à sorte, à chuva, às lágrimas?

Faz tudo parte, são tudo consequências.

Há um sem número de nós que vive a vida como se não houvesse uma consequência, consequência que existe e é óbvia.

A gravidade existe para todos os seres vivos; na terra, no ar, no cosmos. A gravidade não é mais do que a vida, pelo que a falta de gravidade só pode ser a morte. Os astronautas experimentam continuamente a falta de gravidade – a morte. Têm muito que contar aos homens.

Quando estamos exaustos permanecemos boquiabertos, respiramos boquiabertos e isso não pelo que se segue, não por cansaço, mas por pura exaustão. Os pulmões fartos do oxigénio que experimentam por toda a vida vão cedendo e o que se segue, enfim, é a cova.

No fim, o sangue já não circula com a fluidez com que circula à nascença do corpo. Os pulmões cedem, cede o cérebro, o corpo e toda força. Resta a morte.

Durante todo o percurso, durante toda a vida, o mais importante é a ignorância; ser ignorante. São cada vez menos os que escapam à ignorância. Aumenta assim o número de suicídios, colectivos ou não.
O fim da ignorância é o início de uma corrida sem fim, sem norte.

13.8.04

tenho um piercing no cérebro

Sempre quis ter um piercing, mas nunca soube em que parte do corpo. Já os havia visto em quase todo lado, digo, em quase todas as partes do corpo ou dos corpos, sem nunca ter percebido bem porquê. E atordoava-me quando pensava que podia doer sem fim.

Procurei obter a maior quantidade de informação possível em relação aos piercings; efeitos primários e secundários. Conversei com especialistas, analistas, adeptos, críticos e viciados. De cada um deles obtive uma opinião, uma explicação, uma razão para o facto do uso do piercing e a sua localização específica no corpo.

As razões que as pessoas me apresentavam para os locais (no corpo) onde escolhiam fazer os piercings não me pareciam lógicas, em certos casos não faziam mesmo sentido algum, tal como o que os motivava ao uso dos piercings. As minhas dúvidas foram aumentando. Perdi o sono e o apetite, pela ansiedade crescente e indecisão sobre em que parte do corpo colocar o meu piercing.

Perguntei a uma rapariga por que usava piercings, ao que ela respondeu: “eu sou um piercing”; houve quem dissesse: “pergunta ao piercing”; e houve quem não soubesse por que usava.

Começou-me a parecer que as pessoas não queriam saber por que usavam os piercings ou por que os haviam de usar, pelo que os locais escolhidos e o número de piercings no corpo eram meramente acidentais. Seria então o piercing casual ou acidental?

Havia certamente um problema comigo. Qual seria o problema; eu, o piercing ou lugar onde o havia de aplicar?

Coloquei-o na fonte... Tenho um piercing no cérebro.


Bush, um homem sincero, com políticas pró-emprego:
«"Our enemies are innovative and resourceful, and so are we," George Bush told an audience of military brass and Pentagon chiefs. "They never stop thinking about new ways to harm our country and our people, and neither do we."»
 Posted by Hello

12.8.04

eco

Da minha janela vejo a rua
Vejo o mundo

Na rua me encontro e me perco
Com o véu que me esconde a face
Do mundo que fujo

Das vozes que oiço
Das gentes que vejo
E do mal que sinto

Na rua vivo
E respiro o ar límpido
De outrora

E volto recluso
Para o fundo do quarto
Da janela que vejo a rua
Do quarto onde durmo

Onde respiro e sonho
O mundo ridículo
Com mendigos e políticos
Famintos, doidos e absurdos


por Willie Mays


fahrenheit 9/11 Posted by Hello

Fahrenheit 9/11: Miguel Portas no DN

Outro texto, mais curto, mas não menos interessante do qual destaco as seguintes passagens com que concordo inteiramente:

"Em momento algum Moore se proclamou observador distante do seu objecto. Pelo contrário, sustenta uma tese e tudo o que lá está tem esse objectivo - provar que Bush júnior é a pior coisa que ocorreu ao seu país e ao mundo nas últimas décadas. Isto pode ser bem ou mal feito. No caso de Michael Moore, é muito bem feito."

"Não percebo porque se acusa o documentário de ser um «panfleto». Claro que é. E depois? Não se encontra a História das Artes repleta de espantosos panfletos? Pois aqui está mais um, que conduz os espectadores, através da paleta das emoções, a uma nova luz sobre imagens que, na sua maioria, já teriam visto noutros contextos. A virtude desta obra não é a novidade dos materiais, mas o modo como eles permitem aos norte-americanos confrontarem-se com uma verdade radicalmente distinta da oficial."

"Novo é que tal surja, em tempo real, em fita e não em livro. E que milhões e milhões queiram entender o elo que liga o sofrimento da norte-americana que perdeu o seu filho no Iraque e a mulher que, na sua terra, desesperada pela perda dos seus, conclama Deus à vingança. Os anti-Moore acham que isto é uma vil exploração de sentimentos. Eu, pelo contrário, afirmo que a Humanidade nasce sempre que resgata os sentimentos expropriados por um criminoso que lançou o mundo na guerra."





Fahrenheit 9/11: http://www.nybooks.com/articles/17315

A respeito do Filme Fahrenheit 9/11 de Michael Moore tenho lido muitas e diferentes opiniões. Em jeito de inicio de debate, fica aqui uma das mais interessantes. É um pouco extensa mas vale a pena.


11.8.04


Misericórdia para Angola, morreu o nosso Henrique Abranches. Só agora soube, quando passei pelo site da angop, o mestre morreu no domingo.

Sobre a colina de Calamboloca:

Eram contratados, eram homens mortos
duas horas antes da morte os matar,
sobre a colina de Calamboloca

Subiam a ladeira devagar,
passo atrás de passo,
sem sonhos nem vontades.
Com eles apenas a obstinação do silêncio.
E nós a contemplar
e nós a ver passar
os sete mortos, sem expressão na face,
naquela tarde rubra, tarde fria,
sobre a colina de Calamboloca

Não sei como contar-te irmão, aquela tarde
e a nossa paixão de contemplar
os jovens que trepavam a ladeira.
Não sei o que dizer-te irmão, daquelas faces
olhando para o tempo sem pensar
sem descanso, nem dor, nem conteúdo,
obstinado em silenciar...
E nós a ver
fazendo tudo para não olhar.
E nós a reparar que eram homens mortos
duas horas antes da morte os matar
sobre a colina de Calamboloca.

Uniram-se em forma de sete irmãos
e deram-se as mãos,
e gastaram a vida até ao fim
a silenciar...
E de mãos dadas caíram na terra
sobre a colina de Calamboloca.

Nasceram flores de pétalas vermelhas
entre as raízes da grande mafumeira.
Agora pesa um silêncio grosso
como o silêncio de coágulos de sangue
sobre a colina de Calamboloca...

Apenas o lesto animal das moitas
trauteia uma canção inesquecível
e a brisa roladora de mistérios
murmura um queixume mais profundo
sobre a colina de Calamboloca...
Henrique Abranches
Luanda, Fevereiro de 1961

 Posted by Hello


Novo Disco de Monica Salmaso: Depois dos Excelentes "Afro-Sambas", "Trampolim" ( para mim o melhor de todos) e "Voadeira", Monica Salmaso, que actuou o ano passado na Culturgest, tem novo disco, saiu em Maio e chama-se IAIÁ. Pena que ainda não tenha chegado cá. Posted by Hello

10.8.04


Itamar Assumpção:"não me toquem nessa dor/ ela é tudo que me sobra/ sofrer vai ser a minha última obra".
 Posted by Hello

9.8.04

a moeda no fundo do poço

Ser artista não vale
Tenho sede
E o poço tem sede

Pinto na rua
Escrevo nas paredes
E cuspo no chão

E ser artista não vale
No vale em que vivo
Vale da morte

Não vale quando escrevo
Quando pinto
Bebo e como a minha saliva


por Willie Mays

6.8.04


Quer dançar comigo????
fbonito

21 GRAMAS( 1) NA “BOCA” O ZÉ PEQUENO: SE EU SOUBESSE CRITICAR CINEMA

21 GRAMAS([1]) NA “BOCA” O ZÉ PEQUENO: SE EU SOUBESSE CRITICAR CINEMA

Em Portugal, a crítica de cinema (não toda!) que costumo ler é, na maior parte das vezes, semi-indecifrável, excessivamente técnica e, não raras vezes, transmite um estado sentimental completamente oposto ao que se tem depois de visto o filme. O mesmo se passa quando leio alguma da crítica musical – aqui, um parêntesis para dizer que no caso do jazz, penso que a quase totalidade dos críticos são seres verdadeiramente extra-terráqueos, cujas opiniões (pelo menos, as escritas) assemelham-se a informação codificada (qual Matrix!) a pensar, apenas, em como alcançar ou arrasar os seus co-planetários – e a crítica de outras formas de expressão dita artística que, para mim, já por si, não são de simples apreensão. Mas não sou capaz de condenar a massa (classe) crítica. Na forma, faz falta e no conteúdo é, ainda e felizmente, diversa. Pessoalmente, não é uma condicionante. Apesar do que leio e ouço, gosto de ver filmes (não tanto de ir ao Cinema), de ir ver (e ouvir) música e também gosto de ir ver do resto um pouco, nem que seja para poder ter opinião. Gosto de poder ter opinião.
Como dizia no início, tudo isto passa-se essencialmente com a crítica em Portugal que é a que, felizmente, tenho a oportunidade de acompanhar assiduamente. Leio umas coisas online de outras paragens mas não me sito capaz de dizer se no resto do mundo também é assim.

21 Gramas na “Boca” do Zé Pequeno é a minha síntese fraseada para invadir-vos com os dois filmes que mais me marcaram neste ano que ainda corre. 21 Gramas e Cidade de Deus. O primeiro é um filme feito em 2003 e o segundo em 2002. Não vou “criticá-los” mas, apenas, dizer porque os elejo.
Em 21 Gramas, além da “arrumação” empolgante que o realizador Alejandro Iñárritu (o mesmo de Amor Cão) dá ao modo de contar a história, fiquei, mais uma vez, K.O. com o desempenho do Sean Penn na linha consistente do que de muito bom eu já o tivera visto fazer em Dead Man Walking (1995), I Am Sam (2001) e, também em 2003, em Mystic River. Para mim, um grande actor!!
Cidade de Deus de Fernando Meirelles, para mim, foi e tem sido (acho que já o revi, pelo menos, 5 vezes!) uma viagem! Sim, uma viagem à minha adolescente juventude, ao meu bairro de crescimento e arredores. Não se assustem! Não falo da violência. Daquela violência do filme. Cidade de Deus pode ser considerado um filme violento sobre a violência mas é bastante mais do que isso.
Na minha zona (bairro e arredores), ao contrário das turmas do Zé Pequeno e do Cenoura, os gregos(
[2]) usavam talhos([3]) e não armas tipo R15 com visão nocturna, podiam ser liambeiros([4]) mas não traficantes de drogas, podiam gamar uma quitandeira([5]) na praça mas não aterrorizar a cidade pra lá da zona mas, e sobretudo está aqui a razão da minha viagem, eram, igualmente, uma espécie de heróis temidos, respeitados e, umas vezes, queridos. Mas eram heróis de barro pois quase todos acabavam de um modo, mais ou menos, tragicómico. Lembro-me do Barata Stim, grego temidíssimo, rapaz de grandes façanhas-tipo-mitológicas (contava-se que determinada vez, em apuros com a polícia e durante uma fuga, chegou a ser visto desaparecer diante de uma parede e aparecer no lado oposto – qual David Coperfield e a Muralha da China! - mas que, entretanto, morreu caído baleado por guardas da ODP([6]), perto da Comissão do Bairro, depois de uma perseguição desde a praça do Tunga N’Gó onde ele furtara, veja-se só, um pé de um par de sambas([7]).
Em determinada parte do filme identifiquei-me, também, com o Busca-Pé quando tentava evitar, a todo custo o Zé Pequeno porque, no meu bairro, vivi, entre os meus 11 e 13 anos (não estou absolutamente certo), uma época de um terror físico-psicológico protagonizado pela presença quase constante de um nosso grego chamado Cerezo. O Cerezo sabia que a minha mãe trabalhava na ENSUL, UEE(
[8]) e, partindo deste dado, engendrou o seu plano alimentar. Com o seu aspecto (um indisfarçável talho/corte na face) sinistro, um olhar de quem fala pouco com a boca e com o seu talho/instrumento transportado sempre meio à mostra, fixo à cintura elástica do calção, descaído para o lado da nádega direita, conseguiu convencer-me que sempre que nos encontrássemos era minha obrigação ir à casa buscar uma lataria([9]) para ele porque tinha que ser! E, também por “acordo” com ele, nunca disse nada à minha kota. Imaginem os caminhos e trajectórias que eu tinha que inventar quando visse, de longe, o Cerezo, antes que ele me visse. Por causa de ter que inventar uma volta de segurança, cheguei a levar cerca 30 minutos para atingir uma distância de menos de 100 metros. Deve ser um record negativo.....e a Cidade de Deus traz-me todas essas memórias.
Se eu fosse crítico de cinema estaria constantemente desempregado.....



[1] No filme de título homónimo, 21 gramas é relativo ao peso (ou masssa) que se diz que perdemos no instante em que morremos. Aqui, aproveitei a expressão para a gramagem de cocaína….nem sei se 21 gramas é muito ou pouco - http://www.psicologia.com.pt/instrumentos/drogas/ver_ficha.php?cod=cocaina
[2] Termo que, em Luanda, significa o mesmo que delinquente
[3] Navalhas, Canivetes
[4] Consumidores viciados em liamba (maconha,canabis)
[5] Vendedora (?!)
[6] Organização de Defesa Popular. Parece-me que já não existe
[7] Chinelos de borracha com uma tira central, altamente cobiçados em Luanda, trazidos pelos moambeiros nos voos Rio-Luanda
[8] Empresa de Supermercados de Luanda, Unidade Económica Estatal. Não sei se ainda existe
[9] Quase tudo que pode imaginar enlatado: atum, sardinha, feijão, fruta em calda, hamburger (era o preferido dele), etc, etc...

5.8.04


o que andará a fazer Antonio Ole? Posted by Hello

4.8.04

TOM ZÉ NA PRIMEIRA PESSOA

Tom Zé, hoje, está na moda. Tem apresentações lotadas, viaja o mundo, é uma unanimidade. Está lançando disco novo, um livro composto de letras de músicas, artigos e de uma longa entrevista, mais um DVD com o show Jogos de Armar. Nem sempre foi assim. Durante seu ostracismo entre o início dos anos 70 e o fim dos 80, depois de ser colocado para a lateral pelos tropicalistas e resignar-se com a perda da vaga na cena luminosa do movimento, conviveu com vaias, depressões, falta de dinheiro e com a ausência de ouvidos para escutarem sua voz. Só voltou a ter imagem e som depois de ser descoberto por David Byrne e ganhar a legitimação por críticos americanos e europeus. Na entrevista abaixo, ele fala do novo disco, Cantando a Imprensa, no qual debruça-se com irreverência sobre questões atuais, e passa a limpo o passado........

http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT629313-1655-1,00.html

Festival de Musicas do Mundo de Sines: Balanço do que vi

O festival acabou no sábado, e estando ainda com o coração cheio de nostalgia e por isso incapaz de fazer uma análise mais profunda e objectiva, fica aqui uma curta:

David Murray e Pharoah Sanders: sabedoria de velhos mestres vestida de novos sons
Tom Zé: Cerebral, arrojado, desafiante. Segredo: nunca menosprezar nada do que diz, canta ou faz.
Roquia Traoré: Alegria, misticismo e encanto. Mais uma voz unica do Mali
Roberto Rodriguez: el brujo de la percussion. Misturou "son" cubano com musica Klezmer. Mas podia ter feito o que quisesse, tudo iria sair e saber bem. Sim, porque o som tem sabor.
Femi Kuti: Energia pura, big-bang sonoro, impróprio para cardíacos. Reencarna Fela, seu pai, é um guerreiro, um professor, um príncipe.

os dias de recluso no castelo de Sisnes

Na última semana estive no festival de músicos do mundo, no sudoeste de Portugal, em Sisnes Alentejo. Vi músicos, músicas e almas híbridas. Senti o sol na alma, contemplei o mar e o horizonte. Ouvi artistas falarem e assisti aos seus espectáculos.

Em Sisnes conheci gente nova, vivi momentos únicos e senti-me fresco, mas não mais fresco que a música que ecoou por três singulares dias pelas paredes do castelo e muito menos que o indicador direito do Vasco da Gama que indica o horizonte como sendo o caminho a seguir, sinónimo de busca e aventuras.

Melhor mesmo só novas aventuras; mais música e o que me fica na memória dos dias em Sisnes.

o sisne branco do sul

Os dias repetem-se para quem vive os dias
Para quem vive as noites, as noites se repetem
Assim são os momentos e as horas

Os nomes são os mesmos
As pessoas as mesmas
Os momentos os mesmos

A diferença está na América e em África
Se calhar no sul ou no sul

Faço parte do sul, mas encontro-me no norte
Encontro-me na diferença e na falta de norte
No poste de luz que luz amarelo, à noite

Sou o único turista, o viajante azul
O que se revela e que não se assimila
De pele chocolate e dióxido de carbono
De fumo amarelo com pulmões amarelos

Três dias e um sintoma
Cansaço e chega
O tempo não me chega
Não me vale a casa

Mais vida para as plantas
Mais verde e mais Mandelas
Mais versos e palavras sem fim

Mais formas automáticas
Três únicos dias
E o fenómeno inexplicável da lua
No último dia

por Willie Mays

2.8.04

88 HORAS DES(RE)CONECTADO OU DES(RE)LIGADO

É, obviamente, bem provável que, para alguns de vós, a sensação que aqui tentarei transmitir já terá sido experimentada. Os demais compreender-me-ão igualmente se disser que, como muitos, quase-quotidianamente costumo ser uma espécie de media-adicto viciado no consumo, desde as primeiras horas da manhã, da rádio, de rádios e jornais online, mailboxes, links, motores de busca, sites e quase tudo o resto que ainda puderem imaginar relativo as NTC e, mais à noite, mesmo depois da atenção à TV dividida com outros afazeres (muitas vezes, ainda as coisas da net) costumo adormecer ao som (!) dela – a TV -.

Mas durante as 88 horas consecutivas findas por volta das às 23:00h de ontem – Domingo 1 de Agosto de 2004 – estive completamente desconectado (ou desligado, se preferirem!) desta realidade quase-diária e, em contraponto, estive conectado de novo com algumas experiências que, desde que estou em Portugal, têm sido (com a intensidade e a qualidade destas) significativamente escassas.
Com pessoas super-interessantes que me foram apresentadas e das quais já me sinto um novíssimo kamba, e com velhos amigos vivi pequenos-grandes instantes, indelevelmente marcantes, que, acima de tudo, deram-me a possibilidade de “revisitar” coisas simples como o mar (a praia, a água e o sol), a música no seu estado mais embriagante: o concerto vivido ao vivo -, o sentimento de libertação do relógio e suas horas, a leitura sem hora marcada, o bom-papo, enfim……

Hoje, ao voltar a vida costumeira e ao ver e ouvir alguns dos media e apesar de não ter descortinado a ocorrência de algum daqueles factos bombásticos – salvo seja o facto de terem morrido mais de 300 pessoas no Paraguai (que infelizmente, sentido à esta distância, será FACTO por não mais de alguns dias!), tive, então, esta estranha sensação de ter sido ultrapassado pelos acontecimentos que me habituara a acompanhar online e, algumas vezes, a arriscar antevê-los de modo até bastante certeiro.
Os heróis capazes de ter lido até este ponto poderão estar perguntando qual o interesse destas linhas. Para alguns, nenhum. Para mim valeu bastante a riqueza da experiência e o ensinamento de que, apesar de, nos dias que correm, quase todos termos que estar obrigatoriamente conectados por sermos (ou estarmos – no inglês, é tudo to be) grandemente dependentes das Novas Tecnologias da Comunicação (e das, agora, Velhas?!) nos afazeres e ócios diários, na aquisição e manutenção da qualidade/qualidade da nossa informação – apesar de aparentemente assim ter que ser, dizia - ficou-me o ensinamento que, às vezes, também é preciso desconectar completamente nem que seja apenas para carregar baterias.

DENTRO DO CONTEXTO: Visões Sobre As Novas Tecnologias por Holgonsi Soares Gonçalves Siqueira : http://www.angelfire.com/sk/holgonsi/tecnologia.html

FORA DO CONTEXTO: O velho ditado diz: Quem sai aos seus não degenera
Mas se alguém não acredita no ditado deve ouvir (se possível, ver!) o Femi Kuti. Esse ndengue de 42 anos (com a sua banda) é uma força da natureza que, para o bem ou para o mal, arrasa com qualquer um de nós!
Outros mais entendidos dirão melhor e mais detalhadamente o que se passou por lá (claro que houve outros espectáculos muito bons) mas esta é a “fotografia” pessoal que trago do Festival de Músicas o Mundo, Sines 2004.