30.6.05

Um Ano...







... abresurdamente generoso.
Parabéns!

29.6.05

Acordes Interiores

...
Love is the child of an endless war
Love is an open wound still raw
Love is a shameless banner unfurled
Love's an explosion,
Love is the fire at the end of the world
Love is a violent star
A tide of destruction
Love is an angry scar
The pain of instruction
Love is a violation, a mutilation, capitulation,
Love is annihilation.
I climb this tower inside my head
A spiral stair above my bed
I dream the stairs don't ask me why,
I throw myself into the sky
...

Sting, "Inside"

28.6.05

Clairvoyance

"- Admito que te escondi uma parte da realidade, embora não te haja mentido. Se visse naquela ameixoeira um botão florido e dissesse 'está ali uma ameixa', acaso teria mentido? Nem por sombras, ter-me-ia simplesmente adiantado uma estação à verdade."

Amin Maalouf, Os Jardins da Luz

25.6.05

Lugares...

... improváveis: Guantánamo, Cuba
... difíceis: lagarta em maçã UE
... desejados: a password da mente de quem se ama

22.6.05

Nacionalismos de que gosto:

"I'm the flagpole to your nation"

Sting

Noite Redonda

Hoje à noite, abram bem os olhos num sítio alto e desafogado:
Ela estará no seu máximo esplendor...

21.6.05

Sartre

Nascia há 100 anos um ateu genial e com um mau-feitio terrível.
Condenou-nos à liberdade e deixou-nos uma imensidão de palavras que devem ser lidas.
Deixo aqui só uma (trad. minha...):
Não há nada atrás do corpo. Mas o corpo é inteiramente "psíquico".

em estado de nevoeiro

"(...) Agora já não penso por ninguém; nem sequer me ocupo a procurar palavras. Mais ou menos depressa, uma corrente flui dentro de mim, mas não retenho nada, deixo andar. A maior parte das vezes, como não se prendem as palavras, os meus pensamentos ficam em estado de nevoeiro. Desenham formas vagas e engraçadas, depois imergem, e esqueço-me logo deles
(...)
Começo a pensar que não se pode provar coisa nenhuma. São tudo hipóteses sustentáveis e capazes de explicar os factos: mas vejo distintamente que saem de mim próprio, que são apenas maneiras de unificar conhecimentos."


Jean-Paul Sartre, A Naúsea

a impráticavel resposta de Abu Ali Ibn Sina [a.k.a Avicena]

"Aconteça o que acontecer, nunca esqueças isto: a nossa existência decorre em poucos dias. Ela passa como o vento do deserto. Por isso, enquanto te restar um sopro de vida, há dois dias com que nunca te deverás inquietar: o dia que não veio e aquele que já passou... "


Gilbert Sinoué, Avicena ou o Caminho para Ispahan

20.6.05

Perguntas Inúteis

Se a vida é feita "deste momento que já passou" (Rah), então ela é essencialmente pretérita, sendo o presente uma boa ilusão e o futuro uma presunção.
Ou será tudo presente?

19.6.05

Morreu ontem o vizinho com quem eu falava há dias sobre o tempo quente e a dificuldade em estacionar na rua onde moramos. O seu corpo já muito franzino punha e dispunha cuidadosamente alguns objectos na mala do carro como quem está a tentar arranjar espaço para mais bagagem. Depois da breve conversa, desci a rua e fui à minha vida. Hoje sei que aquela foi a última vez que o vi, conscientemente atarefado num dia-a-dia prestes a expirar.
Imagino naquele canto na mala do carro o espaço necessário para seguir viagem: a alma cabe em qualquer parte.

Cool!

Será que tem chovido e eu não me dei conta? Estaremos oficialmente no grau de humidade desejada? É que, por onde passo, só vejo belas e refrescantes fontes urbanas num jorro alegre, e mais mil pequenos verdes a serem devidamente regados...

18.6.05

Coisas Lidas: o Rapazio



Embalo

"Misery colored by the greens and blues in my mother's voice took all the grief out of the words and left me with a conviction that pain was not only endurable, it was sweet."

Toni Morrison, The Bluest Eye

"For when we are women we think back through our mothers."

Virginia Woolf, A Room of One's Own

Presença insuportável

...
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
...

Mário Cesariny

Many Rivers To Cross

"The migrant suspects reality: having experienced several ways of being, he understands their illusory nature. To see things plainly, you have to cross a frontier."

Salman Rushdie, Imaginary Homelands

Aviso: Por motivos de desinfecção, encerramos sábado ,
Centro Comercial Martim Moniz. A administração.

pedaços de uma carta

(...)

1. O Zé Dú, fino jurista, duvida da constitucionalidade de certas normas da Lei Eleitoral. Mas qual constituição, que ninguém cumpre. Mas qual dúvida, numa lei votada pelo partido que ele domina como um joguete.

Mais uma reles jogada para ganhar tempo e atirar as eleições para as calendas (angolanas).

2. Entretanto há hoje a gala Lwini (Fundação da 1ª dama). Convites a 1000 dólares. 10 mil para abancar na mesa do casal presidencial. Presenças esperadas de Figo, Ronaldo, Angelique Kidjo (inocentes). Tudo muito chique, por causas beneficentes, à Americana.

Entretanto o Estado, bem, esse que se ....


Uma notícia boa, Angola tem chances de se apurar para o CAN e Mundial. Mas não sei não, as notícias boas são ariscas.

enviado por MMAX

17.6.05

agridoce


Steven Feld


O Anticunhalismo consequente dos narcisos rádio-tele-web-mediáticos

Hoje, já não há camaradas por Orfeu dos Santos


16.6.05

A ARTE DE ESTIGAR




POR OUTRO LADO
Artes e Cultura


Ondjaki
Nasceu em Luanda em 1977 e começou por dedicar-se à pintura, mas foi na escrita que se tornou conhecido internacionalmente. Tentou estudar cinema em Nova York mas não se deu bem com a grande cidade. Mas continua a interessar-se pelo documentário e está a preparar trabalhos nesta área, nomeadamente um que tem como tema a arte de "estigar".

Com um sentido de humor desarmante e uma imaginaçaoo fantástica, Ondjaki conta nesta entrevista como a guerra civil foi o pano de fundo da sua vida de criança e adolescente, marcada por uma família envolvente. Acaba de sair o volume de contos "E se Amanhã o Medo", onde surgem figuras inesquecíveis como a do homem que se dedicava a tirar dúvidas numa esquina.

ADEUS

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinasem
esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade - in "Os amantes sem dinheiro" (1950)

O anticunhalismo consequente dos narcisos radio-tele-web-mediáticos

Com orgulho e um sorriso nos lábios apregoam ser o pólo contrário.

O que dizer dessa auto-definição pela antítese? Que construtores de ideias são estes que se definem pelo contra valor ? E então se não mais houver o pólo de carga contrária? Implodem ou procuram desesperadamente outra carga contra a qual se possam negativizar?

Claro que é consequente que os narcisos sejam anticomunistas e anticunhalistas. Mas, na sua vaidade, não conseguem deixar de ansiar por momentos como este para poderem regressar ao espaço mediático. Assim se explica a loquacidade incontinente.

Porque, pensadores sérios que são, aparentemente mais não fazem do que deixar esse tão precioso pensamento fluir na onda tele-mediática do momento. E, quando o que está em causa é alguém cuja figura é um verdadeiro desafio para o seu hipertrofiado ego, então não há volta a dar-lhe. Chegam mesmo a dedicar-lhe horas e horas da sua vida, não porque o admirem ou sequer respeitem, também não chegam a odiá-lo ( o que já seria qualquer coisa) , mas porque, no seu delírio megalómano, procuram o desafio que julgam ajustado ao seu intelecto. Chegam ao extremo mau-gosto de empreender exercícios psicanalíticos post-mortem em pleno horário nobre televisivo.

Sempre prefiro a posição de
Pedro Mexia quando escreve “Sempre que morre uma pessoa que manifestamente não apreciávamos (uso um enormíssimo eufemismo), o comum «descanse em paz» é o único comentário decente. Nem barbarismo nem hipocrisia.” Indo depois a sua vida, falando dos assuntos que lhe interessam, que lhe dão prazer, com os quais sonha. Os que, amargurados, já nem têm sonhos contentam-se em ser o anti-sonho.


Quando oiço o que oiço e leio o que leio, vem-me a cabeça as palavras de Lipovetsky: (…) É outra coisa que está em jogo: a possibilidade, e o desejo de expressão, seja qual for a natureza da mensagem, o direito e o prazer narcísico de o indivíduo se exprimir para nada, para si apenas mas veiculado e amplificado por um médium.

Da alto da sua cátedra, oiço-os com arrogância negarem-lhe o seu humanismo, porque, dizem, era um revolucionário. Dá-me vontade de reencontrar as palavras de Thoreau , na sua defesa de John Brown, o herói libertador de escravos:

O navio negreiro cruza o mar carregado de vítimas moribundas; em pleno oceano vem juntar-se-lhe mais carga; a guarnição, um bando de traficantes de escravos (…) relega para os porões asfixiantes quatro milhões de seres humanos, enquanto o político nos quer fazer crer que o único meio decente de libertar as vítimas é a “difusão lenta dos sentimentos de humanidade”, sem recurso à ruptura. Como se os sentimentos de humanidade alguma vez pudessem ser distribuídos comodamente, como quem rega o chão com um regador, para não levantar pó. Que é aquilo que ouço lançar pela borda à fora? São os corpos dos mortos que encontram libertação. É assim que nós difundimos a humanidade e os sentimentos de humanidade.”

Ouço-os imputarem-lhe responsabilidades mil por coisas terríveis. Até lhe vislumbram responsabilidades pela criminosa e sangrenta “descolonização” e posteriores guerras nas ex-colónias.


Como Angolano, rejeito o paternalismo. A responsabilidade do que se seguiu a libertação- e digo "libertação", ao invês de "descolonização", de forma consciente - não é de russos, nem de americanos e nem de portugueses, que já lhes basta a pesada responsabilidade na, não menos sangrenta e crimonosa, colonização. A responsabilidade é sobretudo nossa: Dos que se libertaram (os "descolonizados”, na vossa linguagem). Não queremos mais ser coitadinhos inimputáveis. E só digo “sobretudo nossa” ao invés de “totalmente” porque não quero esquecer as invasões da países vizinhos Zaíre e África do Sul.

O pior é que estas coisas que leio e ouço não resultam de falta de conhecimento. O problema é justamente o contrário: Os "detentores" do "conhecimento" e da "verdade" estão conscientes da reverencia que pulula a sua volta e não hesitam. Em alguns casos é por um mero exercício de estilo e procura de originalidade - Certamente porque desconhecem as palavras do genial músico Ornette Coleman: “não há estilos baseados na liberdade. O estilo é sempre uma prisão” mas intuem, acertadamente que “ o conceito de repetição é o estilo que mais facilmente leva ao sucesso” -.
Noutros casos trata-se da instrumentalização desse conhecimento com um objectivo já mais preocupante: anular pela confusão e pelo ruído. Eis o primeiro passo para o ambicionado revisionismo histórico.

Não me espanta que dentro de poucos anos os nossos filhos aprendam que ele é que foi o grande culpado da ditadura. Porque o ditador não tinha alternativa . O “verdadeiro” perigo era vermelho.

Em tempos de efemeridade, ninguém tem memória. Os que a têm, fazem dela propriedade e acham que todas as metamorfoses históricas são boas de se atirar para cima da mesa. Pode-se dizer o que se quiser, a verdade é relativa. Tudo é pensamento válido e portanto deve ser encorajado como exercício de liberdade de opinião.

Assim, normalizando e anulando tudo o que sobressai, talvez possamos todos viver melhor com a memória da nossa mediocridade colectiva.

Podemos igualar torturador e torturado e dizer que a justiça só não veio punir o torturador porque o torturado era de facto muito, muito feio. É tudo uma questão de perspectiva. Afinal, aquilo que se chamava de tortura, era tão-somente uma cirurgia plástica.

Prefiro ficar com Thoreau:

Ainda que não aproveis os seus métodos e os seus princípios, tereis de reconhecer-lhe a grandeza da alma. (…).
Quando um homem defronta serenamente a condenação e a vingança do género humano e, de corpo inteiro se levanta acima delas (…) ele não precisa do vosso respeito.

14.6.05


A.Cunhal - Desenhos da Prisão

três sobre dois

O poema de Eugénio de Andrade dedicado a Vasco Gonçalves

O poema de Pablo Neruda dedicado a Álvaro Cunhal

O texto de Jorge Amado, escrito em 1953, sobre Álvaro Cunhal

13.6.05

Álvaro Cunhal (1913- 2005)



(....)Contrariando a visão do "materialismo histórico" acerca do pequeno papel dos indivíduos na história, poucos influenciaram tanto os anais do século passado em Portugal, tanto pela acção como pelo pensamento, não somente no campo político (a luta contra a ditadura, a revolução portuguesa) mas também no campo literário, artístico e cultural .

(...) a sua gesta pessoal de revolucionário (clandestinidade, prisões, exílio) perdurará seguramente como imagem de uma das grandes figuras que o movimento comunista deixa para a história.


VM no Causa Nossa


Ainda sabemos cantar,
só a nossa voz é que mudou:
somos agora mais lentos,
mais amargos,
e um novo gesto é igual ao que passou.

Um verso já não é a maravilha,
um corpo já não é a plenitude.

- Eugénio de Andrade-

Eugénio de Andrade, 1923-2005

O Sal da Língua

Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém -- mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar.
Para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
Que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.

Eugénio de Andrade

12.6.05


Journal, John Parnell

(....)E continuando a chamar os bois pelos nomes, importa que não insinuemos que foram jovens negros, de origem africana que fizeram o arrastão de Carcavelos, porque quem defendeu os incautos banhistas também foram polícias maduros e negros, de origem africana. A questão não está no subentendido racista, porque os putos da Damaia não são de Bissau, de Luanda ou do Maputo, são portugueses bem portugueses deste Portugal, educados pela televisão portuguesa, pela escola portuguesa, pelos jornais portugueses, pelos políticos portugueses e que constituem uma excelente demonstração como estamos a falhar como povo, incapaz de gerar uma comunidade de coisas que se amam, uma comunidade de significações partilhadas.

(....)que os polícias estabeleçam a ordem, que os tribunais cumpram a sua missão e que as televisões mostrem que os criminosos que por aí andam são de todas as cores, de todas as classes sociais, de todos os bairros.


in Sobre o Tempo que Passa

11.6.05

Micrótomizando(*) totalitarismos.

Todas as formas de totalitarismo são iguais?
Devo eu ter temer da mesma forma, todos os totalitarismos?
Será que estas perguntas não têm importância?
Eu é que sou ingénuo?

Insisto:
Será que os que advogam a igualdade totalitária entre os homens são comparáveis aos defendem a supremacia totalitária da sua "raça" e "estirpe"?

Sim, a palavra totalitarismo assusta-me. Acções totalitaristas assustam-me ainda mais. Mas confesso que não consigo temer da mesma forma totalitaristas hegemonistas e totalitaristas igualitários. Temo os dois, mas não com a mesma intensidade.

Hoje em dia, quando os fazedores contemporâneos da história passada pretendem fazer equivaler os símbolos nazis aos símbolos comunistas, quando até há no parlamento europeu quem proponha leis para proibir a foice e o martelo, quando até parece crime lembrar que a União Soviética também deu uma “ajudinha” na derrota da Alemanha nazi, quando toda a gente prefere lembrar o pacto inicial entre Hitler e Stalin, mas ninguém se lembra da simpatia que o nazismo tinha, antes da guerra, pela Europa fora, nomeadamente na Inglaterra, nem ninguém se lembra que os EUA ( hoje considerados os grandes heróis) foram preferindo ficar no seu cantinho e não se meterem na pancadaria, até que a pancadaria, por mão japonesa, lhes foi socar o epigastro de ar insuflado , hoje em dia, dizia eu, acho que chegamos ao ponto em que é preciso, para que uma "pequena" diferença possa emergir, realçar só o seguinte:

Stalin é para quase toda a esquerda ( marxista, socialista ou trotskista) um figura que envergonha. O Stalinismo uma mancha, uma patológica degenerescência.

Hitler é e continuará a ser o orgulho, o mestre supremo de fascistas e nazistas.

Essa diferença não é importante?


(*) micrótomo - do Gr. mikrós (pequeno) + tomé (corte)
instrumento para cortar em lâminas finas os tecidos vegetais e animais que vão ser examinados ao microscópio.

10 de junho, balanço de um dia estranho

"Uma política que tira a esperança é uma política condenada ao fracasso", afirmou ontem o Presidente da República no discurso da sessão solene das cerimónias do dia 10 de Junho, em Guimarães

Portugueses invadiram a costa algarvia: Afluência provocou confusão de trânsito nas vias de acesso às zonas do litoral (...) Os hoteleiros esfregam as mãos de satisfação e até já apontam, no Verão de 2005, para uma "ligeira subida nas taxas de ocupação turística, entre dois e três por cento, o que acontece pela primeira vez em cinco anos".
Apesar de reconhecer que o aumento de impostos é necessário, devido ao imperativo de combater o défice, apontou que é necessário retomar o crescimento económico e reduzir a despesa pública, ponto essencial para que seja o "Estado a dar o exemplo"


Peregrinação anual entope A1 por seis horas : Chegar a Fátima tranformou-se no calvário dos católicos que pretendiam, ontem de manhã, assistir à peregrinação anual das crianças.No sentido Norte-Sul, as filas na A1 atingiram 25 quilómetros, segundo os dados da Brigada de Trânsito (BT) da GNR. Muita gente não conseguiu ir ao Santuário (...) Pelas contas do comissário, entraram umas 250 mil pessoas em Fátima de modo que o trânsito na A1 só começou a fluir cerca das 13.30


o Presidente recordou os passos históricos de Portugal para falar do "tempo de incerteza e pessimismo, em Portugal e na Europa". Ao plano nacional, Jorge Sampaio dedicou grande parte do discurso. Explicou que o défice "ameaça os vínculos sociais" e, por isso, apelou ao "patriotismo dos portugueses para ajudarem a resolver a crise financeira".
Estudantes manifestam-se contra fim dos estágios remunerados: Cerca de 20 estudantes da Universidade do Minho manifestaram-se hoje à porta das comemorações do Dia de Portugal, em Guimarães, contra o fim dos estágios pedagógicos remunerados dos futuros professores.
Mas a crise é também económica. "Reside, como também o sabemos, no facto de produzirmos cada vez menos riqueza", lembrou. Com as dificuldades, o Estado "gasta mais dinheiro", paga mais subsídio de desemprego e "recebe menos impostos" devido à diminuição da riqueza.
PSP identificou cinco homens que exibiam símbolos de extrema-direita: A PSP identificou hoje à tarde, em Guimarães, cinco homens, suspeitos de ligação a um movimento de extrema-direita, encontrados na posse de diversos objectos com simbologia nacionalista.
Uma fonte policial disse à agência Lusa que os suspeitos, com idades compreendidas entre os 17 e os 35 anos e residentes em Lisboa, hastearam uma bandeira com a cruz celta num mastro junto ao Castelo de Guimarães, onde, de manhã, tinham decorrido algumas das cerimónias do 10 de Junho
.
"As medidas para combater o défice são indispensáveis" e o óbvio aumento de impostos fica assim justificado, mas Portugal não pode ficar por aí. "Devemos chamar todos e cada um dos portugueses em idade activa a desenvolver um trabalho mais produtivo." E depois compete ao Estado estimular a economia "É possível fazer uma política de rigor e não ficar dela prisioneiro", disse Sampaio, defendendo uma aposta "decidida" na educação, na criação de riqueza e de emprego. No fundo, proceder às reforma necessárias, "sem sacrificar os deveres da solidariedade e a protecção aos mais fracos"
Ex-militares invadem recepção em França, por causa das reformas:
Quinze antigos militares e combatentes portugueses invadiram hoje, em Paris, uma recepção do Consulado para assinalar o 10 de Junho, exigindo que o tempo de serviço militar, e não apenas o tempo de combate, conte para a reforma.
(...)Os manifestantes gritaram palavras de ordem como «Militares na rua, a luta continua», «A tropa tem que contar», numa alusão a que todo o tempo em que serviram nas Forças Armadas seja contado para efeitos de reforma.
O protesto terminou em empurrões, quando alguns manifestantes tentaram confrontar o cônsul com as reivindicações.

Jorge Sampaio criticou o "ambiente emotivo" da discussão que devia ser mais coerente. Para os portugueses e europeus, a chave é um debate sereno e uma "pedagogia continuada de informação" para que a prioridade europeia "como opção estratégica essencial para o futuro do País" seja bem compreendida. (...) "Estou certo que o povo português assim o compreenderá quando for chamado a pronunciar-se sobre o Projecto Europeu", disse.

Carcavelos: "Gangs" atacaram na praia causando pânico e agitação : A praia de Carcavelos viveu hoje à tarde uma situação de violência e agitação, devido à actuação repentina de "gangs", que invadiram a zona e começaram a assaltar e a agredir os banhistas. Segundo uma estimativa do comissário Gonçalves Pereira, da PSP de Cascais, os assaltantes eram cerca de 500, com idades entre os 12 e os 20 anos.
Assaltantes de Carcavelos não são de Cascais, garante presidente da Câmara O presidente da Câmara Municipal de Cascais, António Capucho, garantiu que as "centenas de marginais" que invadiram hoje a praia de Carcavelos e assaltaram banhistas são de outros concelhos.
Após o discurso de Sampaio, que tinha sido antecedido por Bénard da Costa, presidente da Comissão das Comemorações do 10 de Junho, decorreu a imposição de insígnias aos 59 condecorados pelas sete diferentes ordens da nação. Leonor Beleza, Pacheco Pereira, Vera Jardim, Marcelo Rebelo de Sousa (muito aplaudido), Catarina Furtado e Luís Represas foram alguns dos condecorados.

10.6.05

O Inconhecível

...
"Não consigo conhecer-te", quer dizer: "Nunca saberei o que verdadeiramente pensas de mim." Não posso decifrar-te, pois não sei como tu me decifras.
Gastar-se, agitar-se por um objecto impenetrável é pura religião. Fazer do outro um enigma insolúvel de que depende a minha vida é consagrá-lo como deus. (...) Mais não me resta do que transformar a minha ignorância em verdade. Não é verdade que quanto mais se ama, mais se compreende; o que a acção de amor obtém de mim é apenas esta evidência: que o outro não é para conhecer; a sua opacidade não é apenas a tela de um segredo mas sim uma espécie de evidência em que está abolido o jogo da aparência e do ser. Vem-me então esta exaltação de amar a fundo alguém desconhecido e que assim permaneça para sempre: movimento místico: alcanço o conhecimento do inconhecível.
Roland Barthes

O melhor cheiro do mundo

A pele depois da areia, do mar, do sol, e do côco no leite protector...

9.6.05

O "duelo" entre Elis e Hermeto no Festival de Jazz de Montreux em 1979




(….) A grande estrela da “Noite Brasileira” era Elis Regina, que depois de 15 anos tinha saído da polygram para assinar com o seu velho amigo André Midani na Warner. A gravação de um disco ao vivo em Montreux era parte importante do novo contrato, para dar um impulso a sua carreira internacional.(…) Com César Camargo Mariano [ pianista, arranjista e marido] e um pequeno grupo de músicos de alto nível (…) Elis montou um show com seus grandes sucessos

(…)A lotação do velho Cassino de Montreux estava esgotada há dias e Hermeto Pascoal, vindo de gravações com Miles Davis, e idolatrado nos meios jazzísticos faria a primeira parte da “Noite Brasileira”.



Depois do ensaio , impressionado com a multidão que queria ver o show e não tinha entradas, o director do festival Claude Nobs pressionou o seu velho amigo André que convenceu Elis a fazer uma matinê-extra, às três da tarde no dia do show. Na matinê superlotada, Elis arrasou. Cantou com segurança, técnica e discreta emoção um repertório de alto nível(…). Fez o show como se fosse um ensaio geral. Como a preparação para a grande noite.



A noite, no show de abertura, Hermeto Pascoal e os seus músicos fizeram a casa vir abaixo, foram aplaudidos de pé durante 15 minutos, com o público gritando e exigindo mais.



Depois de um intervalo de meia hora, com uma orquídea azul nos cabelos, como Billie Holiday, Elis entrou no palco do Cassino de Montreux. Com um vestido longo e um penteado que a faziam mais velha, Elis parecia nervosa e tensa, cansada e intimidada, quando começou a cantar. (…) Não cantava mal, cantava com precisão e cautela, sem tentar qualquer efeito. Na coxia, André entrou em pânico, pensou que Elis ia desmaiar. Entrou em palco com um copo de água que ela bebeu imediatamente. O Show continuou.

(…)No palco Elis sofria intensamente, como se não estivesse fazendo o que mais gostava na vida, mas cumprindo um doloroso dever. O show terminou com muitos aplausos mas muito menos intensos que os de Hermeto. Elis estava exausta e saiu rapidamente do palco.

Na meio da gritaria, Claude chama de volta Hermeto Pascoal, que tinha assistido todo o show de Elis na coxia.

Recebido com uma espectacular ovação, o bruxo albino se encaminhou vitorioso para o piano enquanto, de surpresa, Claude chamava de volta Elis Regina! Sempre altamente competitiva, Elis sabia que tinha perdido a noite para Hermeto. Frustrada e furiosa, entrou no palco pisando duro e sorrindo tensa para o público.





Silencio total, piano e voz. Hermeto começa a tocar “Corcovado” e quando Elis começa a cantar, suas harmonias começam a se transformar, dissonâncias surpreendentes começam a brotar do piano, é cada vez mais difícil para Elis – ou para qualquer cantor do mundo – se manter dentro da mesma tonalidade, tantas e tão sofisticadas são as transformações que Hermeto impõe, tornando o velho clássico quase irreconhecível, genialmente irreconhecível. E Elis lá, respondendo a todos os saques do bruxo, com uma precisão que o espantava e o fazia mudar ainda mais os rumos de uma canção não ensaiada.





Na corda bamba e sem rede, Elis cantava como uma bailarina, como uma guerreira, como um músico. Hermeto arregalava seus olhos vermelhos atrás dos óculos. Elis crescia a cada nota, à cada frase de seus improvisos e scats, a cada compasso de seu duelo com Hermeto. Foram delirantemente aplaudidos.

Quando Hermeto começou a tocar “garota de ipanema” ( que Elis odiava e jurava que jamais cantaria em sua vida) ela baqueou. Mas logo se recuperou e cantou todo o vigor, como se fosse a última música de sua vida, vitou a música pelo avesso(…) imitando uma menininha dengosa, rindo e debochando, provocou o Hermeto, voou com ele diante da plateia electrizada.

Com o público em pé, “Asa branca”, Elis e Hermeto no round final, o baião de Luís gonzaga em ambiente free-jazz e atonal, harmonias jamais sonhadas se cruzando com fraseados audaciosos de Elis, trocas bruscas de ritmos e andamento, propostas e respostas, tiros cruzados, arte musical de altíssimo nível protagonizada por dois virtuosos.

Ao meu lado, meu velho amigo Nesuhi Ertgun (…) experimentado crítico de jazz, que acompanhou a carreira de Miles Davis e outros génios,(…) disse que raras vezes tinha testemunhado um dueto tão emocionado, tão técnico, tão audacioso. Saiu do Cassino eufórico, me convidando para celebrarmos num jantar com André e Elis. Festejada por Nesuhi, Elis foi a contragosto, quase não falou, mas disse para André, ameaçadora: “Esse disco não vai sair, não é?”

[Epílogo]


(…) Elis sabia que o disco ao vivo em Montreux que poderia impulsionar a sua carreira, internacional não sairia. Porque ela não queria, porque tirando os números com Hermeto, ela achava que o resto não valia a pena, não tinha cantado bem. Achava que tinha chutado um pênalti para fora. De volta ao Brasil exigiu de André um juramento de que nunca lançaria aquela gravação, nunca, nem depois que ela morresse. Elis morreu pouco depois aos 36 anos e André não pensou mais no assunto. Até que uma tarde, dois anos depois, André pensava em Elis quando sentiu um arrepio e se lembrou: o show dela à tarde em Montreux, o show-extra que acabou exaurindo-a e prejudicando sua perfomance nocturna, tinha sido muito bom….e também tinha sido gravado!




Pediu as fitas e sozinho no seu escritório ouviu e chorou e ouviu e chorou, se lembrou de tudo e decidiu, por amor e admiração – e justiça- contrariar o juramento ao pedido de Elis feito no calor da emoção e da decepção da noite fatídica em Montreux. E constatou que sim, a performance dela com Hermeto era realmente extraordinária, e até ela, mesmo furiosa ( com ela mesma) depois do show reconhecera. André seleccionou cinco faixas do show à tarde e juntou-as às três com Hermeto num LP lançado discretamente e sem maiores repercussões como “Elis em Montreux”. (….) disco histórico.


texto de Nelson Motta, retirado das notas da brochura da reedição remasterizada do álbum "Elis Regina - Montreux Jazz Festival", colecção Warner Arquivos, Warner. Outubro 2001.

8.6.05

Feitiçaria Sonora no Castelo




O Festival Músicas dos Mundo de Sines já tem programa. O Castelo de Sines vai receber durante três dias, ( 28, 29, 30 de Julho) um festival que pelo "cardápio" rico e variado promete estar ao nível do de 2004.

Mas, por mim, a partir do momento em que o trazem, podia até nem haver mais nada. Sim, ele vem a Sines. O mago, a lenda, o homem de dons e mil tons, todos eles geniais, vem a Sines. Hermeto Pascoal vem aí.

Estamos preparados?


Adenda:
(1)Provavelmente por disponibilidade de calendário, Hermeto tocará no segundo dia do festival (dia 29), sendo que nesse dia não será o último a apresentar-se. O difícil papel de tocar depois de Hermeto caberá a Ba Cissoko. Este, tem desde já a minha simpatia. Quem sabe, ele até consegue entusiasmar o mago, de tal forma que no final até possa haver uma canjinha conjunta?

(2)- Para quem, como eu gosta, de "world music" , mas gosta sobretudo quando há improvisação à mistura ( chamemos-lhe "jazz" ou não), a apresentação do guitarrista Marc Ribot também no dia 29 faz com que este seja o dia F do festival.

(3) - A ler n´a Fonte do Horácio, excertos de um entrevista de Hermeto.

7.6.05

Écran Total

Miami, USA:
Quem se inscreve em aulas de tango argentino tem de assinar uma autorização para que o/a instructor(a) possa estreitar, tocar e invadir o espaço de quem aprende: "You have to sign a release form accepting that your instructor may hold you close, touch you and invade your personal space" (Reuters) !!!!!!!!!!!!!
Por onde se começa a comentar um absurdo destes?
Sinal dos E-tempos que aí vêm ou americanice histérica?

6.6.05


School Boys, Cindy Andrew (c)UNICEF

Contrabando de Antiretrovirais

Antiretrovirais (os fármacos de primeira linha para o VIH/SIDA) destinados a países africanos foram desviados e reintroduzidos ilegalmente no sistema nacional de saúde Inglês (NHS). A notícia foi dada pela BBC.

Não se trata de reconhecer um episódio ou um engano nem nada que se pareça. Já há muito que tem havido suspeitas e investigações sobre este tipo de actividade.

O que acontece é que distribuidores sem escrúpulos compram a preços baixos, antiretrovirais desviados do destino original: distribuíção gratuita ou quase em países africanos e da europa do leste. Depois, reintroduzem-nos ao preço de mercado no espaço europeu o que, segundo especialistas, lhes permite obter lucros que poderão ser comparáveis ao tráfico de cocaína.

A gigante farmacêutica GlaxoSmithKline processou a empresa de distribuição farmacêutica Dowelhurst após ter constatado que esta era responsável pela reintrodução via Suiça de antiretrovirais seus no NHS. Os fármacos eram originalmente destinados ao Senegal e a República Democrática do Congo. A GSK admite no futuro tomar medidas de segurança. Por exemplo mudar a cor dos comprimidos consoante o destino.

Ler mais
aqui , aqui ou aqui.


Duas notas:
(1) A notícia tem um mês. Passou-me ao lado. Admito que possa andar distraído mas não deixo de ficar com a sensação que, ao contrário da rigorosa BBC, parte da comunicação social não tem grande disposição para fazer eco deste tipo de notícia.

(2) Tendo em conta as margens de lucro que se afirma que este tipo de “negócio” pode dar, não me espantava nada que os actores envolvidos não se ficassem pela rama de empresas distribuidoras. Por exemplo, não ficarei nada surpreendido se no futuro se vier a descobrir o envolvimento directo das próprias empresas farmacêuticas ou de alguns “beneméritos” líderes africanos.

Ficaria feliz se fosse paranóia minha, mas como sei que todos os dias, a cada no
vo dia, um homem há-de inventar uma nova maneira de se tornar o lobo de outros homens….
Adenda: Uma boa notícia, que também já tem um mês: o Brasil comprometeu-se a fornecer antiretrovirais a nove nações caribenhas. Note-se que nestas ilhas calcula-se que 2,5% da população esteja infectada pelo HIV. Um número apenas ultrapassado pelos países da África subsariana. Entre as nações caribenhas a única que não possui valores tão elevados é Cuba.

4.6.05

(en) Light (en) me


Light Extracts , Eivind Aarset´s Électronique Noire (jazzland, 2001)
Light me lighter, Criag Taborn ( Thirsty Ear, 2001)

Um, feito de extractos de luzes electri-oníricas formando um novo som de um sonho noire. Outro, feito já de luzes naturais ainda que atravessadas por uma imensidão de refringências sonoras. Noite clara e dia escuro

Dois álbuns cuja luminosidade ando a descobrir, mas - olhem que coisa estranha - só agora reparei no paralelismo entre os dois títulos.

Provocações

A maior loucura de quem ama: acreditar que a vida começa naquele segundo impossível do "amo-o/a".

Disturbing Bits

...
what have you ever traveled toward
more than your own safety?

Lucille Clifton, The Book of Light

Perguntas inúteis

Buscamos uma existência "das nove às cinco" porque não sabemos que há outras horas ou porque temos medo delas?
Como seriam os dias se abríssemos a nossa vida ao Tempo?

( )

De todos os silêncios, o mais pungente é aquele que usa a voz para nada dizer.

3.6.05

Os Sábios

Pelo bicho carpinteiro fiquei a saber da lista dos " livros mais perigosos dos séculos XIX e XX" feita por 15 "sábios" do partido conservador americano. O pobre Marx ( acompanhado do seu fiel escudeiro, Engels) é o mais perigoso da lista, com duas entradas e uma delas logo a primeira: O manifesto. Claro que o manifesto tinha que ser o livro mais perigoso dos dois últimos séculos . Nota-se que além de Marx, o outro malfeitor que conseguiu escrever numa só vida duas obras perigosíssimas é -.....tchan, tcha, tcha, tchannnnn ( quinta do Ludwig van, primeiro andamento . ....)- ... Darwin. Será preciso dizer mais alguma coisa sobre a sapiência destes sábios?. Veja aqui a lista

PS humorístico - A lista é bastante incompleta- notam-se as ausências de Bertrand Russel, de um Sartre ( mas a "Simoninha" está lá) e até de um Thoreau, ou de um Mencken - mas, o que me deixa realmente revoltado é terem ignorado o kota Noam. Não é Justo. Então, andávamos todos a lê-lo com uma avidez apenas ultrapassada pela velocidade com que é traduzido e que afinal o tipo não é verdadeiramente perigoso? Não se faz pá.

1.6.05

Love Bits

somewhere i have never traveled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose
or which i cannot touch because they are too near

your slighest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal, myself as Spring opens
(touching skillfully, mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly
as when the heart of this flower imagines
the snow everywhere carefully descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands

e e cummings